O ator Peter Falk e o surrado carro do seriado da tevê. Foto: Reprodução

O ator Peter Falk e o surrado carro do seriado da tevê. Foto: Reprodução

Sou um absoluto zero à esquerda em matéria de séries.

Resgatando uma expressão da minha infância/adolescência, fico "boiando" quando o assunto em uma roda de amigos é "aquela série" que está "bombando" na Netflix...

Outro dia, conversando com uma amiga, farejei no ar um misto de descrédito e decepção quando lhe disse que não assisto a absolutamente nenhuma.

Nem mesmo Drive to Survive, propalada aos borbotões no meio em que convivo, tive paciência para mais de uma temporada. Aliás, pelo que ouvi falar das sequências, parece de fato que poupei meu tempo. 

Fui um noveleiro contumaz, iniciado pela saudosa Ivani Ribeiro com "Mulheres de Areia" em sua primeira versão, e as duas tramas da mesma autora que para mim foram inesquecíveis e base da minha crença espírita: "A Viagem" e "O Profeta", todas da extinta TV Tupi, canal 4 de São Paulo em meados dos anos 70.

Transitei nas décadas seguintes por outras histórias bem amarradas, não perdendo nenhuma de mestres dos naipes de Dias Gomes, Benedito Ruy Barbosa, Gilberto Braga e Manoel Carlos.

Me apaixonei pela Tania, filha de Sinhozinho Malta, personagem de Lidia Brondi em "Roque Santeiro".

Tirei proveito das didáticas "Renascer" e "Rei do Gado" no período em que lecionei Geografia.

Me diverti com o maquiavélico Dr. Felipe Barreto (Antônio Fagundes) seduzindo a frágil Márcia Nogueira (Malu Mader) em "O Dono do Mundo".

E me senti um escritor de sucesso perambulando pelas livrarias e cafés do Leblon, de olho na Helena (Vera Fischer) de "Laços de Família"...

Voltando à década de 70...

Não "séries", mas "seriados" eu acompanhava com regularidade, assim que terminavam as novelas.

Na Tupi bolaram "Os Detetives".

A cada dia da semana exibiam um programa diferente, com começo, meio e fim, e eu não perdia nenhum deles.

Casal McMillan, McCloud e Columbo.

Um outro foi agregado depois, o Mannix, dono de um Dodge Dart conversível verde que era uma belezura. 

De longe, meu favorito era o Columbo, que acabou sendo o mais reverenciado pela crítica.

Brilhantemente interpretado pelo saudoso Peter Falk, Columbo era um detetive genial.

Em Columbo, diferente de outros seriados do gênero, o criminoso era conhecido de cara pelo público, e a sacada magistral do autor era mostrar a habilidade do inspetor para concluir quem era o assassino.

Columbo andava sempre mal trajado, com um surrado sobretudo bege e um indefectível charuto no canto da boca. Revirava os bolsos à cata de moedas para pagar um sanduíche ou uns minguados litros de gasolina.

Para compor a antítese do glamour normalmente aplicado a um detetive de primeira, seu carro era um moribundo Peugeot Cabriolet 403 da década de 1960.

As maçanetas falhavam miseravelmente em não abrir as portas, os vidros nem sempre desciam ou subiam, as marchas encavalavam e conseguir dar a partida era uma vitória para aquele motor de arranque em estado terminal.

Columbo parecia confuso, mas era apenas uma tática para ludibriar o facínora, dando-lhe "corda" para que ele mesmo se enforcasse.

Fazia perguntas aparentemente tolas, quase sem pé nem cabeça, e despedia-se do bandido.

Mas invariavelmente voltava após dar uns cinco ou seis passos em direção ao carro, para então disparar a pergunta "chave", aquela que desarmava seu aparvalhado interlocutor...

A flechada certeira.

Nas últimas semanas tenho lido coisas sobre o mercado de pilotos da Fórmula 1...

A tal "dança das cadeiras", como normalmente chamam a realocação dos assentos para a próxima temporada.

Como não tenho bola de cristal, fiquei imaginando como seria se o Columbo fosse convocado para, ao invés de desvendar um crime quase perfeito, tivesse a obrigação de descobrir como estaria o grid da Fórmula 1 no ano que vem.  

Visualizei ele chegando com seu velho Peugeot resfolegante na linda sede da McLaren, em Woking, para sair de lá certo de que Daniel Ricciardo vai cumprir seu contrato até o final de 2023, simplesmente porque o time não está rasgando dinheiro para arcar com uma polpuda multa em prol do australiano...

Na Alpine, Columbo concluiria que a ex-Renault na F1 ainda é muito grata a tudo que Fernando Alonso fez e faz por lá, lugar onde o espanhol levantou seus dois títulos mundiais, e que o reserva imediato do time galês, o australiano Oscar Piastri vai pular feito um canguru e será mesmo emprestado à Williams, com o claro objetivo de ganhar quilometragem, a exemplo do que a Mercedes fez com Russell na mesma Williams...

Que na "Casa do 007", a Aston Martin, Columbo seria mais implacável que James Bond para tirar a fumaça que embaça a visão de Vettel, "somente para seus olhos", e sacaria que o alemão não apenas deixará a equipe como também a própria Fórmula 1, abrindo vaga para um velho conhecido do meio, o insosso coadjuvante Nico Hülkenberg.

E, para encerrar, o intrépido detetive visitaria a Mercedes, simplesmente para constatar que o W13 é uma carroça tão irrecuperável quanto seu Peugeot Cabriolet 403, e o time já está preparando um carro vencedor para 2023.

E, por conta disso, Hamilton ainda vai encontrar bons motivos para querer bater Verstappen.

E também Russell...   

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