Hamilton e Verstappen voltam a se encontrar nos testes de Barcelona. Foto: Divulgação

Hamilton e Verstappen voltam a se encontrar nos testes de Barcelona. Foto: Divulgação

Depois de um campeonato tão arduamente disputado entre Verstappen e Hamilton em 2021, é natural que haja uma grande expectativa para aquilo que pode acontecer neste ano.

Para apimentar a batalha, os novos carros, conceitualmente bem diferentes em termos de aerodinâmica.

Salvo engano, as duas principais forças, Mercedes e Red Bull, devem seguir fortes, mas não será surpresa se uma ou outra equipe consiga se aproximar delas.

Tudo indica que a Ferrari, apontada por muita gente graúda do grid como aquela que mais evoluiu no quesito motor ao longo de 2021, seja uma dessas.

Mas também a McLaren e a Alpine.

O time britânico deu sinais de perda de fôlego ao longo de 2021, mas o francês, ao contrário, subiu alguns degraus. 

Confesso enorme curiosidade para saber como estará Russell em relação a Hamilton e se Sainz poderá novamente ser melhor que Leclerc.

Aliás, estas disputas internas poderão beneficiar muito o campeão Max Verstappen...

A partir de 23 de fevereiro, até o dia 25, acontece a primeira bateria de testes da pré-temporada, em Barcelona. Depois, entre 11 e 13 de março, no Bahrein, palco da abertura do campeonato, no dia 20 do mesmo mês.

Com tantas novidades e esta exiguidade de treinos, não será prudente que os times da Fórmula 1 percam tempo ou tentem despistar possíveis rivais.

Será uma temporada de verdades verdadeiras, ao contrário do que já se viu muitas vezes na categoria.

Até o começo dos anos 2000 era muito comum algumas equipes de Fórmula 1 pregarem peças nos incautos.

Mentiam à beça quando os testes da pré-temporada eram muito mais extensos do que hoje.

Nem todas as equipes mentiam.

A prática era comum às pequenas e médias.

Elas tentavam ludibriar com um único propósito: dinheiro.

Outro dia li uma frase do ótimo Fabricio Carpinejar sobre o tema. Disse o gaúcho colorado:

"Ninguém encontra paz mentindo.

Viverá sempre com receio de ser descoberto".

E, como dizia uma tia-avó, mentira tem mesmo "pernas curtas", e uma hora a casa cai, não é mesmo?

Isso aconteceu algumas vezes na Fórmula 1.

Uma das histórias mais famosinhas foi com a Arrows, em 2000.

Equipe mediana, fundada em 1978, sem nenhuma vitória na categoria, até viveu lampejo bom em 1997, quando Damon Hill quase ganhou o GP da Hungria.

Mas, na pré-temporada de 2000, em Barcelona, o quadro não era dos mais auspiciosos para o time então comandado pelo polêmico (estou suavizando as tintas) Tom Walkinshaw.

O modelo A21, equipado com o motor Renault (batizado de Supertec), foi para o traçado de Barcelona na pré-temporada de 2000 totalmente pintado de preto, sem patrocínios.

Assim, era fundamental causar uma boa impressão para arrebatar investidores.

Tão logo o traçado da Catalunha foi libertado para os treinos, advinhem só quem encabeçou a tabela de tempos?

A Arrows, deixando gigantes da estirpe de McLaren e Ferrari comendo poeira...

Os pilotos, o holandês Jos Verstappen (pai de Max),  e o espanhol Pedro de La Rosa, nunca deram tantas entrevistas...

Com pneus macios na maior parte do tempo, um "cheirinho" de gasolina no tanque e, proavelmente abaixo do peso regulamentar, a Arrows provocou o impacto necessário para que, em pouco tempo, fechasse contrato com a Orange, gigante das telecomunicações da França, e mais algumas outras empresas que complementaram o orçamento para a temporada, entre elas a Repsol e a Eurobet.

O carro ficou lindo, laranja e preto, mas o que se viu ao longo do ano foi o que poderia se supor: de que a pré-temporada foi uma pataquada das boas.

Na primeira corrida da temporada, o GP da Austrália, De La Rosa largou em 12º e Jos Verstappen em 13º. Nenhum deles terminou a corrida, ambos com problemas de suspensão.

Ao término do ano, o sétimo lugar entre as 15 equipes.

Nenhum pódio... O melhor resultado, um quarto lugar com Jos Verstappen no GP da Itália, em Monza.

Atualmente, com tão poucos treinos antes do início de um campeonato, não há tempo para chistes.

Na F1, pelo menos, a verdade costuma imperar.

Fora dela, sempre é bom tomar cuidado.

De qualquer forma, mais dia, menos dia, a verdade sempre aparece...

Arrows pintada de preto na pré-temporada de 2000, com o pilto espanhol Pedro de La Rosa. Mentira em busca de patrocínios. Foto: Divulgação 

Depois das mentiras da pré-temporada, a Arrows (na imagem com o holandês Jos Verstappen ao volante) convenceu alguns incautos patrocinadores de que o carro era bom. Pura lorota... Foto: Reprodução

 

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