Alguns automóveis ficaram ainda mais famosos pelos sucessos das canções. Fotos: Divulgação

Alguns automóveis ficaram ainda mais famosos pelos sucessos das canções. Fotos: Divulgação

Quem já ouviu o som de um motor V12 de Fórmula 1 rompendo a reta dos boxes de Interlagos, como eu ouvi em 1994, sabe o que vou dizer...

Chamar aquela sinfonia movida a gasolina especial e lubrificante sintético de "barulho", no caso as Ferraris de Jean Alesi e Gerhard Berger, é uma heresia sem tamanho.

É um som que espero exista no tal "Nosso Lar", aquele lugar descrito como o mais bacana da vida espiritual na obra psicografada por Chico Xavier, se é para onde irei, sei lá quando...

Do contrário, talvez eu prefira mesmo ir para um outro lugar, alguns andares abaixo, numa quentura literalmente dos diabos e sem ar-condicionado.

Brincadeira... Estou lutando com unhas e dentes para que meu destino seja mesmo o da primeira opção...

Talvez eu seja a última pessoa do planeta, minimamente conectada, que não faz uso do tal "Spotify".

Não tenho "playlists" espetadas no serviço mundial de streaming.

Nado contra a maré e também não uso a Netflix.

Não me chamem para uma roda onde o tema seja séries...

Ou melhor, podem até chamar, só não esperem que eu disserte sobre minhas favoritas, simplesmente porque não as tenho.

No móvel da minha sala repousa um honesto toca-discos Aiwa, agulha impecável, conectado a um amplificador Sony e, numa divisória do gabinete, uma boa coleção de vinis que nunca ficam empoeirados.

Fora isso, ainda conservo CDs e ouço muitas músicas no bom e já velho YouTube.

E, também, em alguns pendrives espalhados pelo console do carro.

Nesta semana, junto com o meu filho, espetei um desses e lá estava um rock nacional dos bons, com uma música que coincidentemente tenho em LP, justamente naquele de estreia do grupo Engenheiros do Hawaii: "Segurança".

Estava se desenhando, a partir dali, mais uma crônica.

Sou movido a impulsos para escrever, seja uma despretensiosa música ou uma arrebatadora e fulgurante blusa de nylon lilás...

Humberto Gessinger, hoje (e já faz tempo) em brilhante carreira solo, compôs a letra e a música desta canção. 

Nela, uma menção ao icônico circuito de Tarumã, pertinho de Porto Alegre, pista a qual os pilotos identificam como "raiz", do tipo que separa os homens dos meninos, em contraponto a algumas que, em off, costumam batizar de "Nutellas".

"Corria em Tarumã, combateu no Vietnã..."

E Gessinger não se restringe a falar de um único assunto que amo, no caso as pistas de corrida.

Ele também cita dois carros, um esportivo e um "classudo".

"Tinha um Puma-GT com vidro fumê..." e "O que mais me impressiona é que tudo se deu... No banco traseiro de um Alfa Romeo..."

Erasmo Carlos, o "Tremendão", apaixonado por carros, assim como seu parceiro Roberto Carlos, compôs "Johnny Furacão" em 1969, música que fez um sucesso estrondoso, emplacando com a venda de milhares de compactos simples.

Tive esse disquinho e preciso deixar meus cumprimentos à RGE Discos pela qualidade do vinil. Escutei tanto, mas tanto "Johnny Furacão", que não sei como a bolachinha não furou...

No rock de Erasmo Carlos é retratada a carreira ascendente do fictício piloto Johnny Furacão, que rivaliza com os irmãos Fittipaldi, Camilo Cristófaro e Marivaldo Fernandes.

Erasmo também homenageia o carro dos sonhos daquela e de muitas outras gerações até hoje: a Porsche, que ele grafa assim mesmo, no gênero feminino.

"Vinte segundos ele conseguiu na milha
Tratava sua Porsche como se fosse filha..."

Tudo caminhava para uma brilhante vitória de Johnny Furacão, mas o final da música mostra que, de fato, uma corrida só termina mesmo com a bandeira quadriculada...

Dando um salto, de 1969 até 2011, chegamos ao ano do lançamento de "Camaro Amarelo", música "chiclete" da dupla Munhoz & Mariano.

Os rapazes, usando calças dois números menores que o "certo", provocaram frisson e gritinhos apaixonados pelos quatro cantos do País, e em alguns eventos desfilaram com os ditos carros levando fãs para uma volta no quarteirão.

"Agora eu fiquei doce, igual caramelo, tô tirando onda de Camaro Amarelo...", diz a letra da canção de quase dez anos atrás.

A GM agradeceu pela publicidade gratuita, mas o carro, pintado nessa cor, ficou com fama de modelo de festa do peão de rodeio.

A historinha da música tem seu lado polêmico.

Enquanto o rapaz andava de CG, motinho chinfrim de 125 cilindradas, a menina por ele cobiçada não lhe dava a menor bola...

Então ele ganha uma herança, muda de vida, compra um Camaro amarelo e resolve se vingar da moçoila, dizendo "Agora você vem, agora você quer, só que agora vou escolher, tá sobrando mulher..."

De qualquer forma, gostando ou não do gênero musical, a música é divertida e o carro é bom à beça, tanto pelo estilo como pela mecânica, um V8 que ronrona bonito em duas saídas independentes de escape.

Ponto negativo apenas para aquelas rodas exageradas que seus donos costumam colocar, no estilo Hot Wheels.

Uma desproporção tão grande quanto as fivelas dos cintos que as duplas do dito gênero sertanejo costumam usar em suas calças atochadas...

A lista de músicas brasileiras tendo automóveis como tema principal ou secundário é grande.

Roberto Carlos, amante de carros, emplacou dois sucessos: "O Calhambeque" e "Cadillac".

O saudoso Wilson Simonal (1938 - 2000), no auge de sua carreira, foi outro que imortalizou um carrão robusto que até hoje provoca suspiros, com sua canção "Mustang Cor de Sangue".

Mas, nem de longe, uma música foi tão conhecida em terras brasileiras como "Fuscão Preto", na voz de Almir Rogério.

A canção de Atillio Versutti e Mariel foi lançada em 1978, e diversos cantores e duplas a haviam gravado, mas foi com Almir Rogério que ela defiitivamente ganhou as paradas de sucesso, a ponto de em 1983 ter sido lançado o filme homônimo, "Fuscão Preto", estrelado por Xuxa Meneghel e o próprio Almir Rogério. 

Como em quase todas as canções que transitam pelo sertanejo, "Fuscão Preto" envolve um caso de traição.

O sujeito viu sua amada com outro rapazote em um amaldiçoado Fuscão preto...

A estrofe inicial retrata bem a história do infeliz...

"Me disseram que ela foi vista com outro
Num Fuscão preto pela cidade a rodar
Bem vestida igual à dama da noite
Cheirando a álcool e fumando sem parar
Meu Deus do céu diga que isso é mentira
Se for verdade esclareça por favor
Daí a pouco eu mesmo vi o Fuscão
E os dois juntos se desmanchando em amor..."

Falando em filme, talvez nenhuma animação tenha sido tão bem feita em matéria de objetos de quatro rodas como "Carros", produção esmerada lançada pela Pixar em parceria com a Disney, em 2006.

Eu mencionei "animação".

Se eu fosse falar em personagens reais ou de ficção, precisaria eleger duas memoráveis películas: "Rush" e "Grand Prix".

Não entrarei em detalhes, fica para uma outra crônica, para falar somente de filmes que tenham carros como estrelas principais.

Sobre a animação "Carros", vale um couvert artístico para quem não assitiu ou não se lembra direito.

Destaco aquele romance entre o corredor Relâmpago McQueen, cujo design remete a um Mazda RX8, e a encantadora Sally, a Porsche Carrera que é dona do posto de gasolina da bucólica Radiator Springs, cidadezinha norte-americana encravada nas Montanhas Rochosas que vivia às moscas, mas que novamente desperta para a vida após a chegada do bonitão McQueen.

A história do romance deles é de raspar a lata do doce de leite com os dedos e passar a língua pelos lábios...

Vale uma croniquinha, certamente!

Os apaixonados Relâmpago McQueen e Sally em "Carros", de 2006. Reprodução: YouTube

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