Oscar Roberto Godoi

Ex-árbitro e comentarista
por Rogério Micheletti
 
Oscar Roberto Godoi, ex-árbitro de futebol, foi comentarista da Rede Bandeirantes de Televisão até fevereiro de 2010. Godoi participou dos programas "Terceiro Tempo" e Jogo Aberto". De 2011 a 2017, trabalhou na TV Gazeta.
 
Bom árbitro e considerado muito honesto, até por inimigos e dirigentes de clubes (Mário Celso Petraglia chegou a apelidá-lo de "Unha de Cavalo", porque Godoi não se deixava corromper), ele sempre se notabilizou pela polêmica, seja como árbitro, ou agora comentando os erros e acertos dos colegas de profissão.
 
Godoi esteve presente em várias decisões. Uma delas não sai da memória do ex-árbitro. "Cada jogo teve sua importância e foram tratados da mesma maneira. Mas aquele Grêmio e Ceará, na decisão da Copa do Brasil, no dia 10 de agosto de 1994, é inesquecível. O Ceará ficou na bronca comigo, mas entendo que não errei", fala Godoi, que naquela partida expulsou Sérgio Alves, atacante da equipe cearense, após reclamação por um suposto pênalti não marcado pelo árbitro.
 
O consagrado árbitro também apitou outros jogos decisivos, entre eles: São Paulo 3x0 Corinthians (primeira partida decisiva da final do Paulistão de 91), Corinthians 3x0 Palmeiras (primeiro jogo da final do Paulistão de 99), Vasco x São Caetano, no São Januário (Copa João Havelange de 2000) e Juazeiro x Bahia (final do Baiano de 2001).
 
O jogo que marcou a despedida do árbitro Oscar Roberto Godoi dos gramados aconteceu em 2001, quando o Etti-Jundiaí, atualmente Paulista de Jundiaí, passou pela Paraguaçuense e garantiu o passaporte para a elite do futebol paulista.
 
Entre 2002 e 2007, o ex-árbitro trabalhou na TV Record. De 2011 a 2017, 
Godoi trabalhou na TV Gazeta de São Paulo e esteve na Rádio Transamérica até 27 de agosto de 2012, quando foi demitido. Segundo o colunista Flávio Ricco, do UOL, Godoi fez críticas à programação musical da emissora. No entanto, e

m 11 de dezembro de 2014 foi anunciado para reintegrar a equipe de esportes da Transamérica, a partir de janeiro de 2015.

 
No dia 16 de fevereiro de 2011, o ex-árbitro viveu um drama, ao ser baleado em tentativa de assalto. Dois bandidos abordaram Godoi na rua Diana, no bairro de Perdizes,  zona oeste da capital Paulista. Ele iria se encontrar para um jantar com o empresário Todé, o ex-centroavante Luizão e o preparador de goleiros, Valdir Joaquim de Moraes.

Ele foi atingido por três balas: uma no pescoço, uma próxima à região cervical e outra no pulmão, provocando perfuração.

Forte, valente e guerreiro, Godoi teve uma recuperação fantástica, contando com uma equipe maravilhosa do Hospital das Clínicas de São Paulo, além, é claro, da torcida e oração de amigos, familiares e admiradores de todas as partes do Brasil, que enviaram centenas de mensagens ao querido Godoi.

Depois de sofrer a tentativa de assalto e permanecer na UTI do Hospital das Clínicas por dias, Godoi recebeu alta e saiu na manhã do dia 26 de fevereiro, caminhando, após 10 dias do acontecimento.
 
Em 24 de setembro do mesmo ano, Godoi foi detido por ter atropelado uma jovem de 18 anos e sua filha de seis meses em Franco da Rocha-SP. Elas foram hospitalizadas e receberam alta no dia seguinte, e o ex-árbitro também foi liberado pela polícia no dia 25 de setembro de 2011.
 
Em 19 de outubro de 2018, em matéria publicada no UOL, foi divulgado que Godoi passaria a escrever uma coluna sobre arbitragem no mesmo UOL, a partir do dia 22 de outubro. Clique aqui e veja a matéria. 
 
Polêmica

Uma das maiores confusões de sua carreira aconteceu no jogo Corinthians 2x1 São Paulo, no Pacaembu, no dia 19 de março de 1995. Godoi expulsou o zagueiro Rogério Pinheiro e o volante Donizete, ambos do Tricolor. Revoltado, o então zagueiro são-paulino Júnior Baiano fez gestos insinuando que Godoi estaria bêbado. A briga terminou na Justiça. "É uma pena que a Justiça às vezes demora um pouco", lamenta Godoi, que ainda guarda mágoa do ex-beque.
 
Orgulhos

Ele, que começou a carreira em São José do Rio Preto (SP), foi um dos principais árbitros do futebol brasileiro nos anos 90. "Em janeiro de 98 entrei para a Fifa. Deixei a entidade em 2000, jubilado pela idade", conta Godoi, que é pai de três filhos: Oscar, Osmar e Sthefany.

"O Oscar, que foi nadador do Pinheiros, hoje vive nos Estados Unidos, onde é diretor de marketing de uma empresa. O Osmar trabalha com vendas em São Paulo. Nenhum dos dois quis seguir a carreira do pai", diz Godoi.
 
Zagueiro Oscar Godoi

Nascido no dia 4 de junho de 1955, em São José do Rio Preto (SP), o ex-árbitro, antes de apitar, vestiu o uniforme de jogador, mas não conseguiu sucesso. "Atuei pelo Jomec e Engenheiro Schimidt, clubes amadores que joguei como zagueiro nos campeonatos de Rio Preto, nos anos 70. Embora fosse um beque clássico, achei melhor seguir outra profissão", brinca.
 
Abaixo, a reportagem do Diário do Nordeste do dia 9 de agosto de 2009, comemorando os 15 anos do vice da Copa do Brasil do Ceará, em decisão marcada por arbitragem polêmica de Godoi
Há 15 anos, o Ceará fazia história na Copa do Brasil
O vice da Copa do Brasil de 1994, até hoje a maior conquista do Ceará em âmbito nacional, completa 15 anos amanhã
A data é um misto de alegria e tristeza para a galera do Alvinegro. Por um lado, o time de Porangabuçu decidiu a segunda maior competição nacional e garantiu vaga na disputa da Conmebol, torneio Sul-Americano que não mais existe ? deu lugar à Copa Sul-Americana. Por outro, jamais esqueceu um lance polêmico, que poderia ter mudado a história: um pênalti não marcado pelo árbitro paulista Oscar Roberto de Godoy sofrido por Sérgio Alves pôs fim ao sonho de uma equipe, que contava com quatro cearenses entre os titulares, ser campeão do Brasil.
O Ceará iniciou a campanha um tanto descrente. Na primeira fase, venceu o Campinense por 2x0 no Estádio Presidente Vargas. Porém, mesmo se classificando, perdeu a partida de volta por 2x1, no Amigão.
Arrancada
A desconfiança após esse revés foi logo desfeita nas fases seguintes. O Alvinegro, pela ordem, eliminou, sempre fora de casa, bem longe da sua torcida, o Palmeiras de Vanderley Luxemburgo, em pleno Parque Antártica, o Internacional, no Beira-Rio, e o Linhares, no Guilherme Carvalho, até chegar às finais diante do Grêmio de Luiz Felipe Scolari, no Olímpico, onde perdeu o título.
Castelão lotado
O time comandado por Dimas Filgueiras que contava, dentre outros, com os cearenses Ivanoé, Ronaldo Salviano, Airton, Claudemésio, Ivanildo e Jaime, desperdiçou a chance do título no jogo de ida contra o Grêmio, ao perder inúmeras chances de gol. Na ocasião, o Castelão recebeu um público pagante oficial de 53.915. Entretanto, duas horas antes do jogo, em comum acordo, a Federação Cearense de Futebol (FCF) e a Polícia Militar (PM), ´para evitar uma catástrofe´, mandou abrir os portões, já que não tinha como dar vazão à entrada dos torcedores e, assim, milhares entraram sem pagar. Vale lembrar que o Castelão, com sua capacidade anterior, estava completamente repleto.
POR ONDE ANDAM
Protagonistas seguiram diversos caminhos
À exceção de Sérgio Alves, os demais atletas que disputaram a Copa do Brasil de 1994 seguiram outras profissões. O goleiro Chico é gerente de futebol do Ferroviário. O zagueiro Airton e o volante Ivanildo são funcionários de uma empresa de segurança e disputam no mesmo time o campeonato de futebol da categoria. Mastrillo e Vitor Hugo são treinadores de futebol. Ronaldo Salviano é funcionário da Cagece e bandeirinha. Claudemésio é mototaxista; Jaime é funcionário do Guarany, e Catatau microempresário em Campinas/SP.
VILÃO
Apesar das evidências, Godoy nega pênalti ocorrido
O ex-árbitro Oscar Roberto de Godoy, que impediu, com um grave erro de arbitragem, a conquista do Ceará, num programa televisivo apresentado pelo jornalista Milton Neves, do qual participou Sérgio Alves, na época, vestindo a camisa do Guarani/SP, negou que tenha existido a penalidade. Todos os presentes ao programa foram unânimes, após analisar o lance várias vezes, em afirmar o contrário.
Em março de 2002, na reinauguração do Castelão, Godoy esteve em Fortaleza na condição de comentarista de arbitragem, sua atual profissão, e, em conversa informal com o jornalista Luís Carlos de Freitas, reafirmou que não houve pênalti no lance.
PÊNALTI SOFRIDO
Sérgio Alves conta como foi lance decisivo
Para a torcida do Ceará Sporting, não foi o gol de Nildo, que depois vestiria a camisa do Vozão, o lance que decidiu a Copa do Brasil, e sim o pênalti sofrido por Sérgio Alves, aos 31 minutos do segundo tempo. Quem conta como aconteceu a jogada é o próprio jogador, de 40 anos (incompletos) que, desde o ano passado, retornou a Porangabuçu.
´O único detalhe que não me lembro muito bem foi quem lançou a bola, se o Jerônimo ou o Catatau. Recebi em condição de marcar. O zagueiro Paulão vinha em desvantagem e teve que me calçar. Tinha convicção de 99% de que faria o gol. Porém, ouvi o apito do Godoy. A princípio, fiquei tranqüilo, pois imaginava que ele tinha marcado o pênalti que todo mundo viu. No entanto, ele deu tiro de meta para o Grêmio´.
Revolta e expulsão
Sérgio Alves explica que, em seguida, partiu na direção de Godoy para tomar satisfação. ´No caminho ele foi logo me apresentando o cartão amarelo. Como tinha certeza do pênalti, prossegui e lhe dei uma peitada. Então, ele me expulsou´. Para o Carrasco, Oscar Roberto de Godoy ´colocou na balança toda a situação e optou por não assinalar a falta de Paulão. Se o jogo tivesse acontecido aqui, ele teria marcado, pois sabia que não deixaria o Castelão´, garante. Para Sérgio Alves, o lance frustrou não só a ele como a todos os jogadores. ´Perdemos o título por causa de um erro e não por falta de capacidade´.
ELENCO CASEIRO
Dimas lançou vários pratas da casa no time
O elenco do Ceará contava com alguns jogadores experientes, como o goleiro Chico, hoje funcionário do Ferroviário, Mastrilo e Vitor Hugo, que são treinadores, e Catatau, que se destacou em várias equipes do futebol nacional. Mas, tinha muitos jovens valores da terra, todos lançados por Dimas Filgueiras Filho, o vitorioso treinador do Vozão na campanha da Copa do Brasil.
´Formamos um time com muitos pratas da casa, como Ronaldo, Airton, Jaime, Ivanildo e Claudemésio. Ninguém acreditava, mas, aos poucos, o time foi crescendo e se tornou a sensação da competição´, relata Dimas Filgueiras.
Retranca de araque
Interessante é que Dimas Filgueiras ganhou fama de retranqueiro. Todavia, o seu time, na verdade, era dos mais ofensivos, contando só com dois volantes ? Mastrillo e Ivanildo?, um meia ?Elói? e três atacantes: Catatau, Jerôniomo e Sérgio Alves. ´As pessoas confundiam as coisas. A nossa estratégia era jogar com o regulamento debaixo do braço. Aqui em Fortaleza, tínhamos uma postura. Lá fora, ficávamos esperando para dar o bote na hora precisa. Foi assim que eliminamos o Internacional, o Palmeiras e o Linhares, que não conseguimos bater dentro de casa´.
Por pouco
Para Dimas, a estratégia montada para vencer o Grêmio no Olímpico foi correta. ´Infelizmente, o Godoy atrapalhou tudo´.

CAMPANHA
1ª fase
22/02 Ceará 2x0 Campinense
25/03 Campinense 2x1 Ceará
Oitavas-de-final
18/05 Ceará 0x0 Palmeiras
29/05 Palmeiras 1x1 Ceará
Quartas-de-final
05/06 Ceará 1x0 Inter/RS
08/06 Inter/RS 2x1 Ceará
Semifinais
23/06 Ceará 0x0 Linhares/ES
24/07 Linhares/ES 0x1 Ceará
Finais
07/08 Ceará 0x0 Grêmio
10/08 Grêmio 1x0 Ceará
FICHA TÉCNICA
Grêmio 1
Danrlei; Ayupe, Paulão, Agnaldo e Roger; Pingo, Jamir, Émerson e Carlos Miguel (Wallace); Fabinho e Nildo (Carlinhos).
Técnico: Luiz Felipe Scolari.
Ceará 0
Chico; Ronaldo, Airton, Vitor Hugo e Claudemésio; Mastrillo, Ivanildo e Elói; Catatau, Jerônimo e Sérgio Alves.
Técnico: Dimas Filgueiras.
Competição - Copa do Brasil.
Estádio - Olímpico.
Data - 10 de agosto de 1994.
Árbitro - Oscar Roberto de Godoy. Público - 49.263 pagantes. Gol - Nildo, aos 3 min do 1º tempo. Cartões Amarelos - Chico, Ronaldo, Airton, Mastrillo, Vitor Hugo, Catatau, Ivanildo, Carlos Miguel e Agnaldo. Cartões Vermelhos - Sérgio Alves e Vitor Hugo.

No vídeo abaixo, relembre o dia em que Neto quebrou o pau no “Terceiro Tempo” com Godoi e com Eurico Miranda. Foi em 2003:

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