Roberto Avallone

Jornalista esportivo
por Marcelo Rozenberg

Nascido em 1947, Roberto Avallone foi um conhecido jornalista brasileiro. Formado em ciências sociais, começou a carreira em 1966 no jornal "Última Hora". Mas ganhou notoriedade no Jornal da Tarde, onde foi chefe de reportagem durante muitos anos e ganhou dois prêmios Esso.
 
Avallone morreu no dia 25 de fevereiro de 2019, aos 72 anos, em São Paulo, vítima de parada cardíaca. 
 
Passou também pelas rádios Globo e Eldorado antes de ser contratado pela TV Gazeta em meados da década de 1980. Assumiu a direção de esportes da emissora e a apresentação do tradicional "Mesa Redonda", debate esportivo apresentado aos domingos à noite.

Em 2003 foi demitido da Gazeta e logo se recolocou na Rede TV!. Em seguida, foi para a Bandeirantes, onde apresentou o Esporte Total, e ficou até 2007. Em 2008, atuou como comentarista da Rádio Capital.

Em janeiro de 2009 foi contratado pela CNT para apresentar uma mesa-redonda esportiva nas noites de domingo. No dia 26 de fevereiro de 2012, o jornalista fez seu último programa pela emissora. Divorciado, Avallone residia nos Jardins, em São Paulo, e tinha um casal de filhos.

Palmeirense fanático, ficou conhecido por criar bordões que caíram no gosto popular como "no pique", para chamar os comerciais, e "jornalismo futebol clube", utilizado quando tenta negar seu doentio amor pelas cores do clube do Parque Antártica.

Adorava pontuar suas frases de forma a torná-las mais claras. Assim, sinais como vírgula, ponto de interrogação e ponto de exclamação eram citados seguidamente em suas intervenções.

Em 06 de junho de 2013, o jornalista Renan Prates entrevistou o jornalista Roberto Avallone para o UOL Esportes.



Abaixo, confira a chamada do programa “Mesa Redonda” de 1987, com Roberto Avallone, Cléber Machado, Mário Marinho e Milton Neves:

Abaixo, confira a matéria publicada pelo UOL Esportes em 26 de fevereiro de 2019, um dia após a morte de Avallone:

Cléber Machado, Milton Neves, Chico Lang e outros comentam morte do jornalista referência do esporte na TV

DO UOL, EM SÃO PAULO

Numa época sem o cardápio de esporte nas TVs fechadas, o Mesa Redonda de Roberto Avallone fez história na Gazeta de São Paulo, criando linguagens reproduzidas nos anos seguintes. O jornalista famoso por termos como "exclamação" e "interrogação" morreu nesta segunda em São Paulo, aos 74 anos, vítima de um infarto do miocárdio.

Antes de chegar a TV, Avallone comandou uma elogiada equipe de Esporte no Jornal da Tarde, ganhando dois Prêmios Esso de reportagem. Já nas telinhas, alternou momentos célebres e polêmicos. Dividiu com Galvão Bueno a histórica transmissão do primeiro título do São Paulo na Libertadores, na extinta Rede OM, em 1992. Anos depois, teve uma briga folclórica com Milton Neves no ar de quase uma hora de duração.

Mais sobre Avallone? "No pique!", como o apresentador gostava de dizer.

O jornalista teve passagens pelas rádios Eldorado, Globo, Jovem Pan, Bandeirantes, Capital, Record e Band News FM. Também manteve por anos um blog no UOL e integrou a bancada do Redação Sportv.

Os problemas cardíacos começaram em 2014. Na época, Avallone passou por uma intervenção cirúrgica na carótida e, logo após a operação, teve um infarto. "Então ele ficou à base de remédio", explicou o filho Caio Avallone.

Até o último final de semana, estava na ativa, comentando jogos pelo Twitter. Opinou, claro, sobre o seu Palmeiras - ou "Palestra!", como preferia dizer quando estava no ar. O tom ácido da crítica apareceu no fim, um post publicado em seu blog no UOL às 3h45 da manhã, poucas horas antes de sua morte, "cornetando" o atacante Borja e o nível do time de coração.

Difícil medir o legado de Avallone neste momento, mas o UOL ouviu uma série de ex-colegas do jornalista e apresenta agora suas lembranças sobre o comandante do Mesa Redonda.

Milton Neves: "eu sempre joguei no time dele"

Antes de deslanchar como um apresentador na TV, Milton Neves teve um embate famoso com Avallone no Mesa Redonda, em 1997. O então radialista foi aos estúdios da Gazeta para confrontar o anfitrião, que vinha criticando o colega de profissão por atuar como mestre de cerimônias num evento no Corinthians.

Tempos depois, em entrevista ao UOL, Milton afirmou sentir-se arrependido da briga. Nesta segunda, o apresentador da Band reafirmou essa visão.

"Morre parte da memória esportiva do Brasil e mais um ícone do jornal espetacular que foi o Jornal da Tarde. Tivemos um entreveiro em 1997. Mas o tempo passou e a nossa amizade nunca acabou. Ele foi ao meu aniversário, quando eu fiz 60 anos. Esteve comigo no Terceiro Tempo da Band, no ano passado, e ultimamente a gente jantava juntos no Léllis Tratoria."

"Eu sempre joguei no time dele, no futebol memória, e por ciúmes de alguém deixaram a nós quando foi inaugurado O Museu do Futebol no Pacaembu. Por espanto geral, várias pessoas que se iniciam, com 1% de futebol em relação a mim e ao Avallone, foram colocados e nós dois fomos preteridos. Pô, você faz o Museu do Futebol e deixa Avallone e Milton Neves de fora. É igual você fazer a história da música brasileira e esquecer os grandes cantores, sei lá, o Chico Buarque."

Cléber Machado: "foi o cara que me deu a chance de narrar"
O narrador da Globo teve Roberto Avallone como colega (e chefe) em sua passagem pela TV Gazeta, no começo de carreira:

"Tive com ele problemas uma vez ou outra, mas um relacionamento super legal, muito bom, um cara claro, sempre foi muito objetivo sem frescura para falar as coisas. Foi praticamente o cara que me deu a chance de narrar. A gente fazia VT na época, para mim ele foi um cara muito importante profissionalmente, deu oportunidades, me proporcionou isso."

Avallone também aconselhou Cléber quando a Globo procurou o narrador:

"Quando a TV Globo me convidou pra trabalhar em São José dos Campos, fiquei na maior dúvida de ir. Será que eu vou, será que não? Aí procurei o Avallone e ele me disse: `pô, qual é a sua dúvida? Vai para São José, o que você tem a perder, cara?´. Era um cara super gente boa, ele não ficou pensando que ia perder um cara da equipe dele, pensou no horizonte que podia significar na minha carreira. Eu nunca esqueci este momento", relembrou.

Chico Lang: "derrubamos o Fantástico"
O jornalista Chico Lang, com quem Avallone dividiu o Mesa Redonda, disse que a parceria poderia nunca ter existido, não fosse a insistência de Constantino Cury, ex-presidente da Fundação Cásper Líbero, responsável pela TV Gazeta.

"Eu disse que não nos daríamos bem, porque éramos de escolas muito diferentes. Eu estava no Notícias Populares, na Folha da Tarde, ele estava no Jornal da Tarde. São estilos completamente diferentes, complicado trabalhar assim. Mas o Cury falou naquele jeitão dele `porra, complicado o cacete, vai lá e trabalha com o Avallone´. Aí nos encontramos e gostamos muito um do outro, foi muito legal", relatou Lang.

A parceria virou célebre nas noites de domingo da TV em São Paulo. O auge foi no início dos anos 90, quando o Mesa Redonda encarava a Globo.

"Um dia fizemos o impossível e derrubamos o Fantástico. O convidado do dia era o Neto, falastrão, começou a criticar todo mundo e falar um monte de bobagem e falar mal do Nelsinho, que era técnico do Corinthians. Ele deu no que deu e nosso programa também", recordou.

"Passamos a Globo por uns 30 minutos. Eles transmitiam filmes do Chaplin, logo depois dos famosos Gols do Fantástico. Mas ninguém via. Acabava o Fantástico e ia todo mundo dormir. Ou então colocava no Mesa Redonda. E foi aí que a gente ganhou, graças à força do Avallone no ar, o entrosamento do nosso time e o Neto falando bobagem", acrescentou.

"Lembramos de Avallone pelas mesas redondas, do apimentado dia em que Milton Neves foi lhe tirar satisfações, dos debates com Chico Lang, de ser imitado, ao dizer que `no próximo bloco, mais Palmeiras´. Avallone foi muito mais do que o folclore permite supor. A história do jornalismo esportivo brasileiro fica um pouquinho mais triste" (Paulo Vinícius Coelho, comentarista do FOX Sports e blogueiro do UOL).

Porpetone: humorista criou nome artístico por imitar Avallone
Os bordões marcantes, a gesticulação intensa e o jeito único de conduzir seu programa de TV tornaram o jornalista Roberto Avallone um dos personagens com mais imitações na imprensa esportiva brasileira. O humorista Alexandre Porpetone, hoje no ar no "Programa Silvio Santos" e em "A Praça É Nossa", do SBT, é o imitador mais reconhecido do tradicional apresentador do "Mesa Redonda".

"Eu primeiro era fã do programa, assistia ao Mesa Redonda com meus amigos, discutia futebol, via para me informar mesmo. Ele comandava o programa de um jeito folclórico e eu imitava ele para os meus amigos. O pessoal adorou e como eu queria trabalhar com isso fiz uma fitinha K7 na época. Nela, o Avallone apresentava chamando as outras imitações que eu tinha de futebol. Eu tentei ir na Gazeta, mas não rolou. Depois fiz um teste no rádio e fiz justamente essa imitação. Fui lançado no rádio assim e fiz sucesso imitando o Avallone. Até meu nome artístico foi uma homenagem ao sucesso do Avallone", contou Porpetone.

A imitação que inaugurou a carreira de Porpetone chegou ao humorístico mais famoso do SBT.

"Fiz o quadro com a gravata do Palmeiras, que ele tentava esconder. Na Praça o Carlos Alberto põe marcações, lugar de fala, figurante para entrar, tudo certinho. Mas o Avallone disse que queria fazer no improviso a participação dele, como funcionava quando ele era o apresentador. Eu falei que não, o Carlos ficou preocupado quando eu disse que ele queria improvisar. Ele vibrou que ia na Praça, falou o caminho inteiro, estava empolgado. Mas foi complicado, porque era meu ex-chefe e meu chefe no mesmo programa, eu tinha que fazer eles passarem o texto. O Carlos Alberto perguntava se ele sabia o texto, eu não fui atrás de descobrir. Mas no fim ele improvisou mesmo", relatou.

Mais colegas de trabalho
Regiane Ritter: ex-repórter e editora do Mesa Redonda

"Eu fui produtora-executiva do Mesa Redonda até ele me promover a editora-chefe. Foi uma experiencia nova, muito gratificante, isso não significa que nós éramos os melhores amigos do mundo, nós éramos muito amigos, mas nós brigávamos muito, porque ele tinha um temperamento forte e eu tenho um temperamento muito forte."

Helô Campanholo: produtora na FOX Sports (trabalhou com Avallone na TV Gazeta)

"Notícia horrível. Ele foi um professor. Se sou o que eu sou, se eu consegui isso tudo, eu devo a ele. Claro que tem a ajuda da Regiane Ritter também, mas o Avallone foi a pessoa que me deu a oportunidade. É o melhor pauteiro, o melhor jornalista que eu vi. Às vezes falavam: `ah, o Avallone com essa coisa de Palmeiras´, mas se você saísse para bater um papo com ele, era um ser humano maravilhoso e fingia que não era palmeirense, dizia que era "jornalista futebol clube."

André Rizek: ex-colega de bancada no Redação Sportv

"Se hoje eu sou apresentador e faço um mesa redonda há oito anos certamente o Avallone tem culpa disso, porque muito antes de eu cursar jornalismo, muito antes de ser jornalista esportivo, eu já assistia ao Mesa Redonda. Era um cara viciado, certamente eu perdi namorada, deixei de fazer coisas de domingo porque para mim era sagrado, tinha que ver o Avallone. Muitos anos depois poder trazer ele de volta para uma mesa redonda é um dos maiores troféus que eu tenho na minha carreira. Ele estava sem trabalhar em TV já tinha um tempo e nós chamamos para fazer um trabalho do centenário do Palmeiras em 2014. Ele foi tão bem no programa, foi tão engraçado, todo mundo pirou, a galera do Rio não conhecia o Avallone. Aí terminou o programa, eu falei, vamos contratar o Avallone, vamos fazer uma proposta para ele vir uma vez por semana."

Acaz Fellegger: assessor de imprensa (ex-repórter da TV Gazeta)

"Trabalhei com ele durante quatro anos, até final de 1994. Foi o jornalista que me deu a oportunidade na televisão, eu vinha do rádio. Me deu a oportunidade, me incentivou e me ensinou. Fiz transmissões com ele em Copa São Paulo, ele me cobrou muito isso ao vivo, que eu desse a informação sempre com a absoluta precisão. Quando acabava o programa Mesa Redonda, ele fazia questão que nós fossemos jantar no (restaurante) Léllis ou no Gigetto. Levava a redação toda."

Flávio Prado: atual apresentador do Mesa Redonda

"Eu fiz algumas coberturas com o Avallone. Na Copa do Mundo de 78 a gente ficou muito juntos, tenho o maior respeito e carinho por ele, mas eu nunca trabalhei com o Avallone, porque quando ele entrava, eu saia, no caso do Mesa Redonda. Mas a coisa mais legal que eu posso falar dele é, quando ele saiu do Mesa, uma coisa que marcou a vida dele profissional. Eu fui contratado para o lugar dele, a primeira ligação que eu recebi me cumprimentou foi dele. Ele citou que o programa iria ficar em boas mãos."

Wanderley Nogueira: ex-integrante do Mesa Redonda

"Lamentei muito a morte do Avallone. Trabalhou na Jovem Pan e foi uma companhia gratificante. Tambem participei como convidado da Mesa Redeonda, da TV. Gazeta, com ele no comando. Além de inúmeras coberturas importantes no Brasil e pelo mundo. Texto brilhante , inteligente, grande repórter e uma daquelas conversas que você conseguia passar a madrugada sem olhar para o relógio."

Marília Ruiz: ex-colega de Avallone na TV

"Nossa, eu estou arrasada. O que eu falar é muito menos do que ele merecia. Eu sou muito grata pelo que ele fez por mim, pela generosidade, quando ele me chamou para trabalhar com ele em 2004. Ele era incansável, correto, obstinado, muito generoso com quem trabalhava com ele, ele sempre foi muito respeitoso comigo, me ajudou muito, me lançou na televisão."

Alex Muller: ex-colega de Avallone na TV

"Para resumir, foi o cara que me lançou na televisão. Foi com ele que eu tive a oportunidade a primeira chance, acreditou em mim, apostou. A palavra que resume o Avallone é gratidão. Gratidão eterna, a minha trajetória na televisão começou por causa dele, quando eu o imitava, ele dava risada. Falava que eu era o melhor imitador dele, melhor do que qualquer humorista professional".

Roberto, o pai
A reportagem também ouviu Caio, um dos três filhos de Avallone, que também teve Carolina e Anna Flávia.

"Agora é dar suporte a mulher dele, a Valéria, que está muito mal. Ele era um irmão pra mim, melhor amigo, ele vai estar bem aonde ele estiver, com certeza", comentou.

O filho de 44 anos ainda descreveu como foi o último contato com o pai:

"Foi no aniversário dele, dia 22, na sexta. Estavam todos os filhos, foi no Margherita Pizzeria aqui nos Jardins. Ele estava bem, não estava mostrando nenhum sinal. Aí eu falei com ele no dia seguinte, falei por telefone sobre Palmeiras x Santos, ele estava chateado que o Palmeiras não ganhou do Santos. Mas foi infarto, ele já tinha um quadro crônico disso. Recentemente ele tinha operado as duas carótidas. Elas estavam entupidas, ele fumou muito a vida toda. Inclusive, parou de fumar."

 

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