Adilson Miranda

Ex-meia-atacante do Corinthians e Inter
por Marcos Júnior Micheletti

Adilson Miranda, "Dinho" para os familiares e amigos, nasceu em São Paulo em 3 de fevereiro de 1950 e morreu em um acidente automobilístico na BR 116 quando viajava de Santa Catarina para São Paulo, em 6 de dezembro de 1980. Ele estava acompanhado de sua noiva, a catarinense Rosangela Zanella, que também morreu no desastre.

Antes de tornar-se profissional, Adílson jogou na várzea paulistana, defendendo o Centro da Coroa, clube localizado junto à ponte da Vila Guilherme, bairro em que sempre morou, na zona norte de São Paulo.

Profissionalmente,  começou sua carreira no São Bento de Sorocaba (1971), e depois jogou pelo Náutico do Recife (1972), Paysandu (1974), Corinthians (1975 e 76), Coritiba (1977), Internacional de Porto Alegre (1978 a 80) e Criciúma (1980).

Adílson foi campeão pelo Coritiba em 1977 na conquista do hexacampeonato paranaense do Coxa, campeão gaúcho pelo Internacional em 1978 (sendo o artilheiro do quadrangular decisivo do torneio) e campeão brasileiro no belíssimo time do Internacional em 1979 (único título invicto na história dos campeonatos brasileiros).

O advogado Sérgio Braz, fanático torcedor colorado, emociona-se ao lembrar que, na conquista de 1979, junto com outro amigo, conseguiu um autógrafo de Adílson.

"O Adilson foi o único jogador com quem falei pessoalmente naquela loucura que foi a festa pela conquista do título, isso e a morte prematura dele me marcaram. Lembro como se fosse hoje, pois ele já estava fora do complexo do Beira-Rio quando implacavelmente o cercamos e não deixamos ele entrar no carro, se não me falha a memória era um Puma branco", relembra Braz.

Sua passagem pelo Corinthians, embora curta, foi marcante. Chegou ao Parque São Jorge por indicação de João Avelino em um momento difícil, logo após o Timão ter perdido a final do Paulistão para o Palmeiras.
 
Sua apresentação ao então técnico Sylvio Pirillo aconteceu no dia 14 de janeiro de 1975. Ele estreou em um amistoso contra o San Lorenzo de Almagro (Argentina), em 1º de fevereiro de 1975, na vitória corintiana por 1 a 0 (gol do meia Lance) debaixo de uma chuva torrencial.

Aquele amistoso foi o jogo de fundo de uma rodada dupla no Morumbi, que teve antes um 0 a 0 entre Grêmio e Peñarol (defendido pelo excelente goleiro Corbo, que acabaria por vir para o Tricolor gaúcho).

Foram 85 jogos com a camisa corintiana e 13 gols marcados. Destaque para os dois que fez na vitória diante do Palmeiras, de Émerson Leão, por 2 a 1 e no chorado 1 a 0 sobre o São Paulo do goleiro Waldir Peres,  são paulino aos 42 minutos do segundo tempo. Ele ganhou a bola na intermediária e chutou forte, da entrada da grande área.

Embora considerado centroavante para muitos, Adílson era, na verdade meia-direita, posição extinta nos dias de hoje pela enxurrada de médios-volantes. Por conta disso, quando jogava como centroavante, costumava buscar o jogo, não sendo, portanto aquele atacante que esperava a bola chegar até ele.

De boa estatura e físico imponente, Adílson tinha excelente impulsão, habilidade que lhe rendeu muitos e bonitos gols de cabeça. Em 1977, ele foi trocado pelo goleiro Jairo, em uma negociação que envolveu ainda seu grande amigo, o lateral Cláudio Marques e o goleiro Sérgio. Sua passagem pelo Coritiba, embora tendo ganho o campeonato paranaense, foi marcada por muitos problemas.

Além das contusões, um esquema que o deixava isolado no ataque do Coxa acabou resultando em um revezamento imposto pelo técnico Chiquinho com o outro centroavante do time paranaense, Liminha (ex-São Paulo Futebol Clube).

Se por um lado isso não foi bom, por outro trouxe uma nova luz no final do túnel para Adílson. No final de 1977 foi negociado com o Internacional de Porto Alegre, onde foi campeão gaúcho e brasileiro. Adaptou-se facilmente à vida da capital gaúcha, amante de um bom churrasco, que preparava em companhia de seus pais Antonio (o seu Miranda) e da mãe, Dona Yolanda.
 
Aliás, falando em sua família, Adilson era o caçula de três filhos do casal Antonio e Yolanda: Seli Miranda Arida e Silene Miranda. Adilson teve dois sobrinhos: Luiz Henrique Arida e Luciano Arida, ambos filhos de Seli.

Participou da Copa Libertadores da América de 1980, com destaque para o melhor jogo de sua carreira, na vitória colorada sobre o Velez da Argentina, por 3 a 1, em que fez os três gols da equipe gaúcha. O Inter foi vice-campeão, perdendo para o Nacional do Uruguai a final, por 1 a 0, após empatar sem gols no Beira-Rio.

Costumava se lamentar pela passagem no Coritiba (dizia que o clube tinha uma estrutura muito inferior ao Corinthians) mas, em contrapartida, alegrava-se muito dos bons momentos vividos no Beira-Rio. Apesar dos problemas que viveu com o técnico Ênio Andrade, que não escondia sua preferência por Bira (o Bira Burro, como era chamado), orgulhava-se pelos decisivos gols marcados, principalmente nos Gre-Nais.

Segundo Falcão, seu melhor amigo na época, em entrevista ao jornalista Ruy Carlos Ostermann no livro Meu Coração é Vermelho, Adilson tinha adoração pelos Gre-Nais. "Em Gre-Nal o Adílson enlouquecia", disse Falcão.

Em um deles, até os 40 minutos do segundo tempo no banco de reservas e com a torcida pedindo por ele, o técnico Ênio Andrade chamou-o para entrar. Adílson prontamente atendeu o pedido e cutucou: "Cinco minutos né chefe". Adílson entrou e no primeiro lance marcou o gol da vitória do Inter sobre o arquirrival. Seu pai (já falecido) disse que essa foi uma das maiores emoções que poderia ter tido. O Beira-Rio (quase todo vermelho) gritando "Adílson, Adílson".

Mário Sérgio Pontes de Paiva, um dos maestros da equipe colorada de 1979 e 1980, no mesmo livro de Ostermann, relatou com saudades de Adílson ao lembrar o time da época: "Eu só sinto muito a falta do Adílson", relatou Mário Sérgio.

Adílson confidenciava aos amigos a maneira digna e profissional como o trataram no Rio Grande do Sul e o orgulho de ter viajado para a Europa em excursão com o time gaúcho. Antes de sair do Internacional, Adílson participou de um jantar com Paulo Roberto Falcão e dirigentes da Roma que quase o levaram para a equipe da capital italiana.

O sonho desse paulistano, que tornou-se um "gaúcho de coração",  de vida simples que gostava de comer pizza com suco de laranja no restaurante do Centro da Coroa, ajudar entidades beneficentes e ouvir as baladas de James Taylor, era voltar a jogar pelo Corinthians, seu time de infância.

No final de 1980, após ter conversado com a diretoria do Pinheiros-PR, ele vinha passar as festas do final do ano  com a família e os amigos em Caraguatatuba, local que já havia escolhido para viver quando encerrasse sua carreira. Além do Pinheiros, outra possibilidade para Adilson era jogar pelo Millonários, da Colômbia, clube em que atuava seu ex-companheiro de Inter, o ponta-direita Valdomiro.

Adílson tinha planos de montar uma churrascaria na cidade do litoral paulista, ao lado de sua noiva Rosangela Zanella.

Infelizmente, em uma das muitas curvas traiçoeiras da BR-116, o Puma vermelho (placas US-9191, de São Paulo) do jogador capotou e explodiu, matando também sua noiva, com quem se casaria em janeiro de 1981.
 
Seu corpo foi velado na Beneficência Portuguesa, em São Paulo e sepultado no Cemitério da Consolação, também na capital paulista. 

A família guarda em seu coração  e, em muitos álbuns de fotos, a carreira e o sorriso desse grande filho, irmão, tio, amigo e jogador de futebol.
 
O belo gol de Adilson na vitória do Corinthians sobre o São Paulo, em 19 de outubro de 1975, no Morumbi, partida válida pelo Campeonato Brasileiro

Corinthians 3 x 2 Grêmio em 1º de novembro de 1975, no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro. O primeiro gol do Timão foi de Adilson

Dois gols de Adilson na vitória corintiana sobre o Palmeiras por 2 a 1, no Morumbi, em 7 de agosto de 1975, pelo Campeonato Paulista

Abaixo, dois gols de Adilson na vitória do Corinthians sobre a Portuguesa por 3 a 0 no dia 25 de abril de 1976, no Morumbi. Narração de Luiz Noriega pela TV Cultura (SP)

Abaixo, um vídeo sobre a campanha do Internacional na Copa Libertadores da América em 1980. Adilson, inscrito com a camisa 16, teve uma atuação espetacular no jogo de volta diante dos argentinos do Vélez Sarsfield, marcando os três gols da vitória por 3 a 0. Dois deles aparecem no vídeo, um na saída do goleiro e outro de voleio, após escanteio.

ABAIXO, MELHORES MOMENTOS DA FINAL DO GAUCHÃO DE 1978, COM NARRAÇÃO DE CELESTINO VALENZUELA. O INTER FOI CAMPEÃO DIANTE DO GRÊMIO, VITÓRIA POR 2 A 1, JOGO DISPUTADO NO BEIRA-RIO. ADILSON TEVE BOA PARTICIPAÇÃO NO JOGO, INCLUINDO UM LANCE AOS 40 SEGUNDOS DO VÍDEO

ABAIXO, CORITIBA 2 X 1 JOINVILLE, NO COUTO PEREIRA. ADILSON FEZ O GOL DA VIRADA DO COXA, NO FINAL DO SEGUNDO TEMPO, EM 13 DE NOVEMBRO DE 1977, PARTIDA VÁLIDA PELO CAMPEONATO BRASILEIRO

ABAIXO, TEXTO DE MARCOS JÚNIOR MICHELETTI EM HOMENAGEM A ADILSON MIRANDA E AO CENTENÁRIO DO SPORT CLUB INTERNACIONAL, PUBLICADO EM 06 DE ABRIL DE 2009 NO PORTAL TERCEIRO TEMPO

MEU CORAÇÃO VERMELHO

Quando conversa com os amigos sobre futebol, meu pai costuma dizer:
-Dei liberdade para que meus filhos torcessem para o time que quisessem, desde que fosse para o Corinthians.

Brincadeiras à parte, seus três guris tornaram-se alvinegros.

E, para reforçar, ao lado do sobradinho em que morávamos nos anos 70, em Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, residia uma família corintianíssima também. Os Miranda.

Seu Antonio, dona Yolanda, duas filhas e o filho Adílson, mas que nós chamávamos de Dinho. Ele era jogador de futebol profissional e estava perambulando pelo nordeste.

Um dia, a mãe dele, pelo quintalzinho do fundo, deu um grito, chamando minha mãe:
-Áurea, o Dinho vai vestir a camisa do Corinthians!

Estávamos no finalzinho do especialíssimo ano de 1974, e eu tinha maravilhosos 8 anos de idade.

Sem automóvel, ainda, foi meu pai que levou o Dinho para o seu primeiro treino no Parque São Jorge, no dia 14/01/75 (como está registrado em meu caderninho de autógrafos) naquele Corcel vinho, pneus faixa branca, novo em folha. Rivellino estava de saída do Timão.

Acompanhamos jogo a jogo o tempo em que esteve vestindo aquela camisa branca e aqueles calções pretos. Fui eu, em uma noite de jogo no Pacaembu, quem carregou, orgulhoso à beça, seu Motorádio após ter sido eleito o melhor jogador em campo com os dois gols marcados diante da Ponte Preta, em uma daquelas vitórias suadas, como sempre são as vitórias corintianas.

Quando estava em casa, o Dinho tirava seu Fusca branco e, depois que a vida melhorou, seu Puma também branco da pequena garagem para que batêssemos bola. Às vezes ficávamos trocando passes de cabeça, de uma casa para outra, pelo muro baixo que nos separava.

Era meu ídolo, um irmão mais velho de coração.

O relacionamento conturbado com os treinadores, que insistiam em colocá-lo como centroavante, quando na verdade ele era um meia, fez seu sonho de ser campeão pelo Corinthians não se realizar. E lá foi ele, com o grande amigo Cláudio Marques para o Coritiba, em troca com o goleiro Jairo.

Foi campeão paranaense, e sua boa qualidade fez a turma do Beira-Rio levá-lo para a maravilhosa Porto Alegre.

Foi campeão gaúcho de 1978, tendo sido o artilheiro do quadrangular decisivo, campeão brasileiro invicto de 1979 e vice da Libertadores de 1980.

Um dia, fez uma excursão com o Inter para a Argentina, para disputar o torneio de Mar Del Plata. De lá, mandou um postal para minha família e, em um trecho, escreveu: "Espero que o Marcos esteja jogando futebol?.

Eu bem que tentei, mas acho que não o suficiente. Desisti fácil, coisa que não faria hoje em dia.

Pela Libertadores da América fez o maior jogo de sua vida, marcando os três gols da vitória colorada sobre o Vélez da Argentina. Seu pai, um dia me confidenciou que, naquela noite no Beira-Rio , o presidente do Inter puxou-o de lado e disse: hoje tu vais ganhar o "bicho? triplicado. E assim fez.

Um dia, porém, a vizinha que passou a ocupar a casa em que moraram os Miranda por tantos anos, tocou a campainha de nossa casa. Meu pai foi o primeiro a atendê-la. Eu segui atrás. De primeira, sem rodeios ela foi direta e objetiva:
-Já estão sabendo? O Adílson morreu.

Nosso Dinho perdeu o controle de seu Puma em 06/12/80, agora vermelho da cor do Inter, junto com sua lindíssima noiva Rosângela, com quem se casaria em janeiro de 1981.

Foi em uma daquelas traiçoeiras curvas da BR-116, uma ribanceira e a explosão fatal que pôs fim a tantos sonhos.

Eu chorei todas as lágrimas que um menino canceriano pode chorar. Fiquei de mal com Deus, mas, felizmente, por pouco tempo.

O meu coração até então apenas preto e branco, já tinha sido tomado por outra cor. Dividido meio-a-meio. Democraticamente foi repartido com o vermelho.

Hoje conheço muitos dos ídolos colorados.

Larry, Carlitos e Tesourinha, que muitos julgam tão bom ou até melhor do que Garrincha.
De Figueroa e seu "gol iluminado? de 1975 na final do Brasileiro diante do Cruzeiro, ao menino Falcão. O loirinho que cresceu no Beira-Rio e ajudou a construí-lo, quando da "Campanha do Tijolinho".

Ele, com seu pai levou o seu para erguer o estádio mais difícil de ser construído, já que primeiro fizeram um aterro no rio Guaíba, e depois uma obra duríssima de engenharia para as fundações. E uma arquitetura pra lá de exuberante, que enche os olhos...

De Manga com seus dedos tortos e as bolas encaixadas com uma única mão ao campeoníssimo Taffarel, passando por "aquela defesa? do Clemer na final do Mundial de 2006.

Da robustez de Claudiomiro, autor do primeiro gol da história do Beira-Rio, ao arranque de Nilmar.

Da categoria de Gamarra à entrega suprema de Dunga.

Da velocidade de Valdomiro às cabeçadas ao estilo "beija-flor" de Dario.

Dos dois gols de Nilson no Gre-Nal do século à bola passada por Iarley para o gol vital de Adriano Gabiru na final do Mundial contra o "invencível" Barcelona..

Hoje, 30 anos depois, respondo ao seu postal, Adílson, meu querido amigo Dinho:

"Não tornei-me um jogador de futebol, como você sugeriu e também sonhava. Mas estou escrevendo essa mensagem pra você e todos os outros colorados, como eu".

Dizem que as mulheres são de Vênus, os homens de Marte.
Marte, como todos sabem, é o planeta vermelho. Vou mirar meu telescópio pra lá essa noite e, tenho certeza que verei uma bandeira do Inter tremulando, hasteada há 100 anos.

E até os marcianos, que são verdes como os meus olhos, devem estar felizes da vida...


 

ver mais notícias

Pelo Corinthians:

Disputou 85 jogos e marcou 13 gols
Fonte: Almanaque do Corinthians, de Celso Unzelte.

Pelo Coritiba:

Campeão Paranaense em 1978

Pelo Internacional-RS
:

Títulos: Campeão Gaúcho em  1978, Campeão Brasileiro em 1979 (único título invicto de uma equipe na história dos campeonatos brasileiros.

Disputou 114 jogos, sendo 66 vitórias, 30 empates e 18 derrotas. Marcou 30 gols com a camisa colorada.

ESTREIA PELO INTERNACIONAL:

17/09/1978: Internacional 1 x 0 Esportivo, no Campeonato Gaúcho de 1978.

ÚLTIMO JOGO PELO INTERNACIONAL

01/09/1980: Barcelona 2 x 2 Internacional, no Estádio Nou Camp, em Barcelona. em Barcelona (Espanha).

GOLS DE ADÍLSON EM COMPETIÇÕES OFICIAIS PELO INTERNACIONAL
- Gols pela Copa Libertadores da América de 1980: 4 Gols marcados.
- Gols pelo Camp. Brasileiro de 1980: 3 gols marcados.
- Gols pelo Campeonato Brasileiro de 1979: 3 Gols marcados.
- Gols pelo Camp. Gaúcho de 1978: 8 Gols marcados.
- Gols pelo Camp. Gaúcho de 1979: 8 Gols marcados.
- Gols pelo Camp. Gaúcho de 1978: 8 Gols marcados

TÍTULOS DE ADÍLSON PELO INTERNACIONAL
- Campeonato Gaúcho: 1978
- Copa Governador do Estado-RS: 1978
- Copa Estado do RS: 1978
- Campeonato Brasileiro (invicto): 1979

ARTILHARIA
Copa Libertadores da América de 1980 (quatro gols).

TODOS OS CLUBES QUE DEFENDEU:

1971 - São Bento de Sorocaba-SP
1972/73 - Náutico-PE
1974 - Paysandu
1975/76 - Coríthians-SP
1977 - Coritiba-PR
1977 a 1980 - Internacional-RS
1980 - Criciúma-SC

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