Zuenir Ventura

Jornalista e escritor, foi membro da ABL

por Marcos Júnior Micheletti

Um dos mais importantes jornalistas brasileiros, também brilhante escritor, Zuenir Ventura, morreu em 22 de setembro de 2026, aos 95 anos. Sua última atividade foi como colunista do jornal "O Globo", e residia no Rio de Janeiro.

Desde 30 de outubro de 2014 ocupava a cadeira de número 32 da ABL (Academia Brasileira de Letras). Ele sucedeu outra figura ímpar da literatura brasileira: Ariano Suassuna (1927-2014).

Ele deixou a esposa Mary Ventura, com quem era casado desde 23 de dezembro de 1962. O casal teve dois filhos: Elisa Ventura (empreendedora na área literária) e Mauro Ventura (jornalista e escritor).

Zuenir Carlos Ventura, o "Mestre Zu", como era carinhosamente chamado pelos amigos, dono de um texto impecável, era mineiro do município de Além Paraíba, limítrofe com o Rio de Janeiro, nascido em 1º de junho de 1931.

Com 11 anos mudou-se para Nova Friburgo (RJ) com seus pais, José Ventura e Herina de Araújo.

A adolescência no Rio de Janeiro foi em atividades de trabalho comuns, como pintor, contínuou de banco, faxineiro e balconista, até ingressar no curso de Letras Neolatinas da Faculdade Nacional de Filosofia, hoje UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), isso em 1954.

Em seguida, começou a trabalhar como jornalista, com passagens por diversos veículos, entre eles "O Cruzeiro", "Fatos & Fotos", "Visão", "Veja", "IstoÉ", Jornal do Brasil e O Globo.

Também foi professor de Comunicação Verbal da ESDI (Escola Superior de Desenho Industrial), instituição que a partir de 1963 foi absorvida pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

ESCRITOR PREMIADO

Sua primeira obra literária, "1968: O Ano Que Não Terminou", de 1989, serviu de inspiração para a minissérie "Anos Rebeldes", exibida pela Rede Globo entre julho e agosto de 1992, que contou com direção de Dennis Carvalho. Neste livro, Zuenir descreve aquele ano marcado por muitos acontecimentos culturais no Brasil e no mundo (música, teatro e cinema, entre outros), e também por ter sido o ano de início de um período de intensa repressão na sanguinária ditadura militar brasileira, com a implementação do abominável Ato Institucional Número 5, o AI-5.

Seu livro "Cidade Partida", lançado em 1994, lhe rendeu o importante Prêmio Jabuti na categoria "Reportagem", em 1995. A obra faz uma imersão do Rio de Janeiro marcado pela violência urbana ao longo de décdas.

Outras obras: Inveja: Mal Secreto (1998); Chico Mendes: Crime e Castigo (2003); 1968: O Que Fizemos de Nós (2009) e Sagrada Família (2012).

ABAIXO, NA ÍNTEGRA, O "RODA VIVA" DA TV CULTURA (SP) COM ZUENIR VENTURA COMO CONVIDADO, NO PROGRAMA QUE FOI AO AR EM 23 DE ABRIL DE 2018

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