Servílio

Ex-atacante da Lusa e Palmeiras
Servílio de Jesus Filho, o Servílio, ex-atacante da primeira "Academia" do Palmeiras, morreu no dia 7 de junho de 2005, aos 65 anos, em São Paulo, vítima de um enfarte fulminante.
 
Nascido em 15 de outubro de 1939, em São Paulo, Servílio poderia ter brilhado no Corinthians, até porque seu pai Servílio de Jesus, foi um dos maiores jogadores da história do clube do Parque São Jorge.
 
Mas ele acabou mesmo fazendo sucesso com as camisas da Portuguesa e do arquirrival Palmeiras. "Cheguei a treinar no Corinthians, mas o Rato (técnico do amador) não me aprovou. Depois de um tempo o meu pai me levou para treinar no Veterano Paulista (equipe formada por ex-jogadores) contra a Portuguesa. Entrei para completar a equipe. O Noronha (técnico do juvenil da Portuguesa) gostou e me pediu para ir para a Portuguesa (em 1956)", contava.
 
Ficou na Portuguesa seis anos e em 1963 foi jogar no Palmeiras. "Não foi difícil sair da Portuguesa, porque o relacionamento dos dirigentes da Portuguesa com os dirigentes do Palmeiras sempre foi bom. E a Portuguesa estava construindo o estádio e precisava de dinheiro. Recebeu mais ou menos 12 contos de réis", falava.
 
No Palestra Itália, Servílio jogou no primeiro time da Academia. "O Ademir da Guia demorou um pouco para se firmar. Na época, ele tinha a concorrência do Chinesinho e do Zequinha. Era apenas um garotinho com 19 anos", fala o ex-atacante. E o "Divino" realmente admite que encontrava dificuldades em se firmar por razão do bom desempenho de um determinado jogador."Eu precisei chegar, treinar, e conseguir uma vaga na equipe. E só consegui essa vaga porque o Chinês foi embora para a Itália. Ele era daqueles que jogava sempre.
 
Não se machucava nunca; não dava chance", recorda Ademir.
Servílio foi campeão paulista logo no primeiro ano de Palmeiras, em 1963, repetindo a dose em 1965, quando também foi campeão do Rio-São Paulo, e em 1966.
 
Conseguiu também pelo clube alviverde os títulos da Taça Roberto Gomes Pedrosa e da Taça Brasil, em 1967. Em 1969, saiu do Palmeiras para jogar no time do seu pai: o Corinthians. "A recepção no Corinthians foi boa, mas a dificuldade foi muita grande. Não tive muitas oportunidades na equipe titular. Entrava no meio do jogo. Não deveria ter aceitado essa situação. Acabei sendo bonzinho demais e acabei me prejudicando. Se o Dino Sani (ex-jogador e técnico na época do Corinthians) estivesse no meu lugar, jamais aceitaria uma situação dessa", lamentava. Em 1971, Servílio deixou o Corinthians para tentar a sorte no México.
 
"Fui para o Atlas, junto com o Coutinho (ex-Santos). Na época, o treinador da equipe era o Nei Blanco (ex-jogador do Santos e do Palmeiras). A adaptação no futebol mexicano foi rápida. "A única coisa que atrapalhava um pouco era jogar na Cidade do México, onde estranhava a altitude", contava. Mas no final do contrato com o Atlas, Servílio retornou ao Brasil para jogar no Paulista de Jundiaí e no Nacional da Comendador Souza.
 
Em 1973, optou por ter mais uma experiência fora do país: foi jogar no Valencia, da Venezuela. "Fiquei apenas um mês. Os dirigentes do clube prometeram uma coisa, mas não estavam cumprindo nada. Resolvi voltar para o Brasil". A decepção com os venezuelanos fez com que Servílio encerrasse a carreira prematuramente, aos 33 anos.
"Comecei a dirigir o time principal do treinador. Depois também trabalhei também como técnico do XV de Piracicaba, do Aliança de São Bernardo, do ABC de Natal e também das equipes amadoras do Corinthians e da Portuguesa de Desportos", falou Servílio, que fazia parte da Cooperativa COOPERSPORT (que é formada por ex-jogadores de futebol).
 
A admiração de Servílio por Pelé era grande, mesmo sem o atacante ter tido a oportunidade de jogar na mesma equipe do Rei. "Às vezes, o Pelé usava a canela do adversário para fazer tabela. Era algo inexplicável. Eu me lembro também que teve um jogo contra o Palmeiras que ele garantiu que o Ademar Pantera perderia um pênalti contra o Gilmar. O time do Santos estava revoltado. Não queria deixar o Ademar bater. Mas o Pelé estava mesmo adivinhando. O Ademar, que não costumava perder pênaltis, perdeu", lembrava. Servílio teve três filhos e duas netas. Morava no bairro Vila Galvão, em Guarulhos, Grande São Paulo.
 
A maior tristeza dele como jogador foi não ter disputado uma Copa do Mundo."Cheguei a estar numa lista de 47 jogadores convocados para a Copa da Inglaterra, em 1966. Uma contusão no joelho acabou me tirando do Mundial", lamentava o ex-atacante, que foi convocado algumas vezes para vestir a amarelinha, entre elas na Copa Rocca de 1960.
 
Os 47 jogadores convocados, devido a forte pressão dos dirigentes dos clubes, para o período de treinamento em Serra Negra-SP e Caxambu-MG como preparação para a Copa de 66, na Inglaterra, foram: Fábio  São Paulo, Gylmar - Santos, Manga -Botafogo, Ubirajara Mota -  Bangu e Valdir - Palmeiras (goleiros); Carlos Alberto Torres - Santos, Djalma Santos - Palmeiras, Fidélis - Bangu, Murilo - Flamengo, Édson Cegonha - Corinthians, Paulo Henrique - Flamengo e Rildo - Botafogo (laterais); Altair - Fluminense, Bellini - São Paulo, Brito - Vasco, Ditão - Flamengo, Djalma Dias - Palmeiras, Fontana - Vasco, Leônidas - América/RJ, Orlando Peçanha - Santos e Roberto Dias - São Paulo (zagueiros); Denílson - Fluminense, Dino Sani - Corinthians, Dudu - Palmeiras, Edu - Santos, Fefeu - São Paulo, Gérson - Botafogo, Lima - Santos, Oldair - Vasco e Zito - Santos (apoiadores); Alcindo - Grêmio, Amarildo - Milan, Célio - Vasco, Flávio - Corinthians, Garrincha - Corinthians, Ivair - Portuguesa de Desportos, Jair da Costa - Inter de Milão, Jairzinho - Botafogo, Nado-Náutico, Parada - Botafogo, Paraná - São Paulo, Paulo Borges - Bangu, Pelé - Santos, Servílio - Palmeiras, Rinaldo - Palmeiras, Silva - Flamengo e Tostão - Cruzeiro (atacantes).
 
Dos 47 convocados por Vicente Feola, para esse infeliz período de treinamentos, acabaram viajando para a Inglaterra os seguintes 22 "sobreviventes": Gylmar e Manga (goleiros); Djalma Santos, Fidélis, Paulo Henrique e Rildo (laterais); Bellini, Altair, Brito e Orlando Peçanha (zagueiros); Denílson, Lima, Gérson e Zito (apoiadores); Garrincha, Edu, Alcindo, Pelé, Jairzinho, Silva, Tostão e Paraná (atacantes).
 
Entrevista feita por Rogério Micheletti,  no dia 12 de agosto de 2004, na redação do site www.miltonneves.com.br. Colaboração de Gustavo Grohmann e Renan Cacioli
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Pelo Palmeiras:

Servílio fez pelo Verdão 289 partidas (182 vitórias, 59 empates e 48 derrotas) e marcou 140 gols.
Fonte: Almanaque do Palmeiras, de Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Pela Seleção Brasileira:


Pela Seleção Brasileira, como mostra o livro "Seleção Brasileira-90 anos", de Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, Servílio jogou 10 vezes (8 vitórias, 1 empate e 1 derrota) e balançou as redes em seis ocasiões.

Pelo Corinthians:

Pelo Corinthians, no começo dos anos 70, foram 36 jogos (17 vitórias, 7 empates e 12 derrotas) e apenas três gols.
Fonte: Almanaque do Corinthians, de  Celso Dario Unzelte.

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