Marcelo Gomes

Jornalista

por Marcos Júnior Micheletti

O jornalista Marcelo Gomes, paulista do município de Santo André, onde nasceu em 15 de outubro de 1969, atualmente trabalha na ESPN, tendo iniciado sua jornada de sucesso na emissora por assinatura em 1999, ocasião em que integrou a talentosa equipe comandada por José Trajano.

Marcelo Aparecido Gomes da Silva, seu nome completo, foi registrado em São Bernardo do Campo, cidade vizinha a Santo André, pois seu pai, no momento de sacramentar a documentação, acabou tendo um pequeno desentendimento com os funcionários do cartório Andreense.

É casado com Eleane Cezare Gomes (professora universitária de farmácia da FMABC), com quem tem duas filhas: Mirella Cezare Gomes (médica) e Estella Cezare Gomes (jornalista). 

A trajetória profissional de Marcelo Gomes é extensa e de muitas conquistas, mas também uma de cunho pessoal, mais especificamente sobre sua saúde, pois em 2008 foi diagnosticado com uma doença degenerativa nos olhos, a retinose pigmentar, enfermidade que gradativamente vem reduzido sua capacidade visual.

Mesmo assim, não esmorece, e entende que é melhor enaltecer a capacidade que tem do que "chorar sobre o leite derramado", como ele mesmo diz.

“Perdi a visão do olho esquerdo no final de 2008, mas consegui me virar bem com um olho só. O problema é que, com a idade, 52 anos (em 2021), a doença, que é progressiva, tem sido implacável comigo, pois hoje, sem o olho esquerdo enxergo apenas 10% por cento do olho direito (longe) e 30 % para perto. Aprendi a não chorar o leite derramado do copo, prefiro celebrar o pouco que sobrou nele, afinal consigo trabalhar, quase que normal, contando com motoristas, assistentes e cinegrafistas generosos que não deixam passar nada que os meus olhos já não conseguem mostrar. Aprendi a dar valor à vida com o garotinho “Osmar Santos”, cara fantástico que conheci apenas depois do acidente automobilístico, ocorrido em 1994 que infelizmente lhe tirou a principal ferramenta de trabalho, ou seja, a voz. Você precisa conviver com ele pra aprender o quanto é bom viver e estar vivo, essa é a lição que ele me passa todos os dias, depois que fizemos seu documentário em 2015 chamado de “Vai Garotinho que a vida é sua”, aliás, está no You tube e recomendo super, não porque fiz com Salim e Helvídio, mas sim pelas lições e imagens fantásticas feitas pelo outro parceiro de jornalismo, Marcelo D´Sants, o mago das imagens”, comenta Marcelo Gomes, que chegou a deixar o jornalismo por um período, quando montou um comércio de carnes e espetinhos, mas felizmente retomou seu ofício, pois tornou-se um dos mais brilhantes especialistas em documentários especiais, onde, segundo ele próprio lembra, "perdeu a conta de quantos programas desenvolveu mostrando a corrupção no esporte, não só na administração das federações, confederações e COB, como também nos governos municipais, estaduais e federal".

MARCELO GOMES POR MARCELO GOMES

Filho de ferramenteiro e da dona de casa Ilza Divina de Campos da Silva, Marcelo estudou publicidade e por um certo período foi modelo fotográfico e de passarela. Casado e pai de duas filhas, uma médica e a outra jornalista.

Na televisão, além de vários comerciais para o chiclete Babaloo, Rexona, Oi, entre outros, participou em 1986 do concurso Rambo Brasileiro do extinto Viva a Noite do SBT. Chegou à final da atração em segundo lugar, com nove votos para o primeiro colocado e um para ele.

Fã de esporte desde a infância, praticou judô até chegar à faixa preta. Fez fisiculturismo com os extintos Astros do Ringue, chegando a tomar anabolizante quando tinha apenas 15 anos.

Sorte que se manteve vivo para ingressar na Universidade Metodista em 1990 e cursar Rádio e TV e na sequência, formando-se na sua segunda graduação, jornalismo.

Profissional especializado em jornalismo televisivo, Marcelo começou sua carreira como estagiário de produção do antigo Show do Esporte, dirigido pelos saudosos Luciano do Valle e Juarez Soares.

Foi produtor, editor de texto até dar os primeiros passos como repórter entre os anos de 1993 a 1996, quando decidiu abandonar o jornalismo e abrir uma casa de carnes e espetinhos. Claro que foi um fracasso, pois o jornalista sentiu extrema necessidade de participar de edições, pautas e ideias de programas e reportagens especiais, como fazia na redação.

Voltou para o mercado em 1996 quando nasceu sua segunda filha, Estella Gomes, hoje repórter do grupo Globo, e teve a oportunidade de reiniciar a carreira na TV Gazeta.

Em 1997 teve uma rápida passagem pelo SBT onde foi editor do Aqui Agora e do esporte que costuma não ter vida muito longa no canal de Silvio Santos.

Sua vida jornalística avançou e deslanchou em 1999 quando entrou para o time de José Trajano, diretor e um dos fundadores dos canais ESPN no Brasil. Por lá desempenhou um papel transformador no núcleo de esportes radicais, viajando e descobrindo vários “Brasis” dentro de um Brasil que o próprio Trajano fazia questão que mostrássemos.

Dalí em diante passou a liderar um Núcleo de programas especiais que marcaram época nos canais ESPN, como: Nas pegadas dos campeões, o Brasil da Copa do Brasil, documentários sobre a trilogia do futebol carioca e o centenário de Bangu, América e Botafogo, além de programas como Bola da Vez, especiais olímpicos e de copas do mundo, Social Clube, entre outros.
Trabalhou ao lado de verdadeiros gênios do jornalismo brasileiro como Roberto Salim, Luis Alberto Volpe, Helvídio Mattos, Michel

Laurence, Ronaldo Kotscho, Ives Tavares, Adriana Saldanha, André Plihal, João Simões, entre outros tantos que fizeram história na ESPN.

Dividiu um dos programas mais emblemáticos do canal, o História do Esporte com Roberto Salim, faturando vários prêmios de jornalismo, entre eles Embratel e Vladimir Herzog.

Cobriu cinco olimpíadas e quatro Copas do Mundo, além de Panamericanos, X-games e outros eventos marcantes como o que ele decreta como o melhor da vida, o Rally dos Sertões de 2000, o último com largada de São Paulo até Fortaleza.

Marcelo também se tornou repórter de esportes olímpicos, sua grande paixão, conquistando prêmios jornalísticos com programas e matérias de denúncia como: “Brasil Olímpico, uma prestação de contas à sociedade”, vencedor do Prêmio Embratel de jornalismo no ano de 2008.

Especialista em documentários pelos canais ESPN Marcelo já perdeu a conta de quantos programas desenvolveu mostrando a corrupção no esporte, não só na administração das federações, confederações e COB, como também nos governos municipais, estaduais e federal.

“O jornalismo que faço só tem compromisso com os fatos, e mais ninguém. Trabalho com a verdade, aliás, meu prazer é descobrir aquilo que todo mundo está querendo esconder. Já perdi várias noites de sono com reportagens cabeludas que mexiam com gente e clubes grandes, mas como confio no meu taco, nas minhas apurações e seriedade, não temos e nunca temi ameaças”.

Marcelo vem desenvolvendo, a cada dia, uma missão que ele mesmo escolheu para as reportagens, ou seja, dar voz a quem precisa de voz e ajuda.

Dois exemplos disso são o documentário “A última cartada de Manga”, quando conseguiu trazer os ex-goleiro da seleção, Botafogo, Internacional, entre outros, pra viver no Brasil com a parceria do ator Stepan Nercessian, presidente do Retiro dos Artistas que acolheu o ídolo e sua esposa Cecília para morar na sede, em Jacarepaguá, no Rio.

Outro exemplo foi o documentário, exibido em 2021 com o Régis Pitbull. “Salvem o craque, Salvem do crack” foi uma forma que o jornalista encontrou para mostrar a realidade de um jogador famoso mergulhado no mundo da dependência química, mas indo além, ou seja, capitaneou um grupo de amigos e jornalistas para tentar a resgatar a dignidade do ex-jogador internando-o por nove meses numa clínica em Jaboticabal, no interior de São Paulo.

Mesmo com a visão comprometida, Marcelo não para. Está preparando para julho de 2022 uma série de cinco documentários com os cinco gigantes da história do rádio brasileiro que completa 100 anos em setembro. Entre eles estão: Milton Neves, José Silvério, Osmar Santos e os irmãos do rádio, Pedro Ernesto e José Carlos Araújo – o Garotinho.

Marcelo é de uma escola de jornalismo que praticamente não existe mais. Preocupado com causas sociais e com atletas que passam por dificuldades financeiras ou aqueles que caíram no esquecimento, Gomes carrega um lema de vida para o jornalismo que pratica.

“O Neymar não precisa das minhas matérias e eu também não preciso dele para me destacar. Aliás, prefiro ficar no anonimato. Repararem as reportagens que já fiz, é só dar uma `googada´, você vai ver que eu nunca apareço. Aprendi isso com Roberto Salim, quem tem que aparecer é a notícia, o entrevistado e olha que têm muitos que precisam da gente, do nosso espaço para que não caiam no esquecimento. Assim como Milton Neves faz com o que fim levou, que eu acho o máximo e me sinto muito orgulhoso por agora fazer parte, aliás, eu não me sinto no fim, pelo contrário, mesmo que se um dia eu perder a visão, tenha certeza que vou continuar lutando com aquele jornalismo que mestres como José Trajano, Maurício Polari e José Roberto Maraston me ensinaram.

Afinal, torcida brasileira, como diz o meu amigo Adil, ex-jogador do Corinthians que quase ficou tetraplégico e que anda com uma tremenda dificuldade, “Viver é bom demais”.

ABAIXO, ENTREVISTA DE MARCELO GOMES A MILTON NEVES DURANTE O "DOMINGO ESPORTIVO" DA RÁDIO BANDEIRANTES EM 5 DE ABRIL DE 2020, FALANDO SOBRE O EX-GOLEIRO MANGA

 

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