Samarone

Ex-Flu, Fla, Corinthians e Portuguesa Santista
Samarone, o Wilson Gomes, esse maravilhoso meia-atacante que começou a se destacar na Portuguesa Santista, entre 1969 e 1970, hoje é engenheiro aposentado do DNER e vive em Cascavel(PR). É casado, tem dois filhos (um homem e uma mulher, ambos engenheiros), e uma neta.

Nascido em Santos, no dia 13 de março de 1946, Samarone também jogou na Portuguesa de Desportos, Flamengo, Fluminense, Corinthians e Bonsucesso. Fez o histórico gol do jogo Ponte Preta 0 x 1 Portuguesa Santista, em Campinas, que decidiu o Campeonato Paulista da 2ª Divisão de 1965.

No Fla, Samarone viu nascer ao seu lado o genial loirinho Zico e, no Corinthians, formou dupla com Rivelino, mas perdeu o lugar para Adãozinho, em 1971.

Samarone entrou jogando no dia 25 de abril de 1971, numa tarde gelada de domingo de 8 graus no Morumbi, no célebre dia em que o seu Corinthians ganhou de virada do favorito Palmeiras por 4 a 3.

O técnico Francisco Sarno escalou naquele dia: Ado, Zé Maria, Sadi, Luis Carlos Gálter, Pedrinho, Tião, Rivellino, Lindóia depois Natal, Samarone depois Adãozinho, Mirandinha e Peri. Apitou Armando Marques, que expulsou Leivinha e Rivellino, e os gols foram marcados, pela ordem: César Maluco, César Maluco, Mirandinha, Adãozinho, Leivinha, Tião e Mirandinha.
 
No dia 12 de junho de 2016, Samarone contou histórias de sua carreira no "Domingo Esportivo", da Rádio Bandeirantes. Confira abaixo a entrevista completa:
 

Abaixo, confira o trailer do documentário "A MAIS BRIOSA - Um Amor 100 Divisão". Samarone participa do filme:

ABAIXO, TEXTO ENVIADO POR ZÉ ROBERTO PADILHA EM 30 DE AGOSTO DE 2018

A Troca
Texto: Zé Roberto Padilha.

Sempre que tem um Fla-Flu acordo com a sensação de que um dia não fui jogador de futebol. Fui mercadoria. Não com o preço fixado, embalado para presente e exposto nas prateleiras, mas como objeto de troca entre dois dos clubes mais importantes do futebol brasileiro. Em uma conversa entre seus dois presidentes, Hélio Maurício e Francisco Horta, em dezembro de 1975, ambos esqueceram, no afã de promover o próximo estadual, que a moeda já havia substituído o escambo. E que a escravidão tinha sido abolida. E propuseram, no Ceasa que se tornara suas salas de reuniões, uma troca: “Tu me dá o Doval e leva o Zé Roberto!”. Gostaram tanto que acabaram fazendo um pacote: “Então leva também o meu goleiro, Renato, que eu fico o seu mais novo, Roberto!”. E para fechar o carrinho, “Que tal Rodrigues Neto pelo Toninho Baiano?

Estava em Iguabinha, região dos lagos, curtindo a melhor fase vivida na carreira. Como ponta esquerda tricolor, tinha sido titular na Taça Guanabara e recuperado a posição na reta final do campeonato brasileiro disputando a posição com Mário Sérgio Pontes de Paiva, que nos engrandecia profissionalmente e valorizava o currículo. Há pouco havia disputado, com Lula do Internacional, Joãozinho, do Cruzeiro, e Ziza, do Guarani, a cobiçada bola de prata de melhor ponta esquerda do brasileirão. E acabara de ler nas bancas que Osvaldo Brandão, em entrevista ao Jornal dos Sports, incluía meu nome na lista dos pré convocados para a seleção brasileira.

Mas quando abro na praia o Jornal do Brasil estavam estampadas as trocas sem consultar a gente. E me senti o pior dos homens por mesmo ter nascido detentor de todos os meus direitos, de liberdade e expressão, não me deram a oportunidade de escolher o meu destino. Afinal, foram oito anos de Laranjeiras, dos infantis aos profissionais, três Taças Guanabara conquistadas, dois títulos estaduais e o orgulho de ter transformado a bandeira que levava para as arquibancadas na camisas que entrava em campo. Calçar as chuteiras para torcer e jogar por sua paixão não tem preço. Aliás, tinha. E até hoje, quarenta e um anos depois, não sei quanto foi.

No primeiro FlaxFlu do troca-troca, (17/5/76, público de 155.116 mil pagantes, com renda de CR$ 4.073,586,00 e arbitragem de José Roberto Wright, Walquir Pimentel e Carlos Costa) deu no que deu: a mercadoria se perdeu. Não havia dormido, passara tantos filmes na minha cabeça às vésperas de sair da utopia de defender uma paixão para iniciar, de fato, minha profissão, que quando o time entrou em campo fui saudar a torcida errada. Tantos anos virando a direita das tribunas segui a tradição, e Zico, Junior, Tadeu, Rondinelli e Cantarele foram para a esquerda saudar a massa rubro-negra.

A vaia comeu, me atiraram copos de água, e enquanto retornava do vexame procurando meus companheiros, ainda ouvi os comentários de Iata Anderson e Mário Jorge Guimarães: “Você não tinha nada que ir lá provocar os tricolores!” Pouco adiantava responder que o subconsciente foi quem conduzira meu corpo para lá, talvez para abraçar aquela torcida e agradecer a formação, o carinho e a paciência que sempre tiveram por mim. E pedir desculpas pela primeira vez na vida jogar contra eles.

Neste instante me acertaram um saco de pó de arroz e despertei de vez para a realidade. Era jogador profissional de futebol, e do Flamengo, e passei a ter muito orgulho disto. Mas se como mercadoria errara a prateleira, teria que jogar muito para convencer o dono da Gávea, ou da Sendas, que aquele produto, de rótulo novo, não perdera a essência do seu conteúdo.

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Pelo Corinthians:

Em sua passagem pelo Corinthians fez apenas 12 jogos (6 vitórias, 4 empates e 2 derrotas) e anotou três gols, segundo números do "Almanaque do Corinthians", de Celso Unzelte.

Pelo Flamengo:

Pelo rubro-negro da Gávea, como consta no "Almanaque do Flamengo", de Roberto Assaf e Clóvis Martins, o meia disputou 28 partidas (8 vitórias, 14 empates e 6 derrotas) e marcou quatro gols.

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