Reinaldo Lapão

Ex-meia do Palmeiras
por Gustavo Grohmann
Reinaldo José Felipe, o "Reinaldo Pelé", ou "Reinaldo Lapão", meio-campo do Palmeiras entre 1958 e 64, morreu na cidade de São Paulo em 24 de fevereiro de 2019, aos 75 anos, vítima de parada cardíaca. Ele morava na Rua Ana Franco, no Tatuapé.

Reinaldo teve três filhos e um neto e trabalhava na revelação de jogadores (passaram por suas mão pérolas como Macedo - ex-São Paulo - Roberto Carlos - ex-Real Madrid - e Fábio Júnior - ex-Cruzeiro e Roma).
Outros nomes revelados por Lapão são o goleiro Omar e o atacante Jael, que foram importantíssimos na campanha do Bahia em 2010 no acesso à Série A do Brasileirão.
Em março de 2014, o ex-palmeirense sofreu um infarto e passou alguns dias na unidade de terapia intensiva de um hospital na zona leste de São Paulo. Em abril, do mesmo ano, ele comunicou ao amigo Bentivegna que estava recuperado do problema de saúde.
 
Nascido em Guaiçara, no interior de São Paulo (pertinho de Lins), no dia 10 de junho de 1943, Reinaldo vestiu seu primeiro uniforme no início dos anos 50. "Comecei com uns 10, 11 anos, jogando no Americano de Lins e logo fui para o Ferroviário de Bauru (SP), que era o rival do Baquinho, o time que Pelé começou", recordava o ex-atleta, que passou parte de sua infância com o Rei do Futebol.

Em 1958, Reinaldo conseguiu uma chance para treinar no Palmeiras, por intermédio de um amigo que conhecia Oswaldo Brandão, então técnico do Verdão, e não desperdiçou. "Cheguei lá e fui pra campo junto com os outros jogadores. Treinei bem e ouvi do (Oswaldo) Brandão que seria o único aprovado. Depois fui descobrir que tinha treinado no meio dos titulares do Palmeiras. Chinesinho, (Valdemar) Carabina, Zequinha, Julinho (Botelho), Geraldo Scotto, etc. Fui muito bem e só tinha 14 anos", lembrava o orgulhoso meio-campista que, assim que chegou ao Palmeiras, encontrou algumas restrições por parte da direção por ser negro. "Após eu arrebentar no treino, os dirigentes nem queriam mais saber da minha cor. Só queriam que eu ficasse no time".

Ainda muito jovem, Reinaldo ficava com a equipe de aspirantes, mas quando necessário, se apresentava aos profissionais, sempre com sucesso. "Eu sou o único jogador que ganhou títulos seguidos em todas as categorias do Palmeiras. De 1958 a 63, contando juvenis, aspirantes e profissionais, ganhei tudo que disputei. E em 59, fomos campeões juvenis ganhando todos os jogos. Isso nunca aconteceu antes, não acontece e nunca mais acontecerá", garantia o ex-meio-campista, campeão paulista profissional em 63 jogando ao lado de Djalma Santos, Servilio, Julinho Botelho, Vavá, entre outros.

Em 1964, o Palmeiras resolveu emprestá-lo para a Prudentina, onde ficou por seis meses. Jogando pela equipe interiorana e comandado pelo ex-são-paulino Bauer (o Monstro do Maracanã), Reinaldo não se esquecia de um episódio, em uma partida contra o Santos, envolvendo o Rei Pelé.

"O Bauer mandou eu não desgrudar do Pelé, de jeito nenhum. O Negão (Pelé) vinha com uma conversinha esperta, lembrando de nossa infância e dizendo que precisava marcar um golzinho naquele dia pra garantir a artilharia. Não caí na dele e ele não tocou na bola todo o primeiro tempo.
 
Na segunda etapa, ganhávamos de 1 a 0, mas não desgrudei dele. No finalzinho do jogo, lá pros 43 do segundo tempo, o Pepe ia cobrar um escanteio. O Pelé gritou para o massagista Macedo que estava sentindo a coxa e saiu de campo. Sentou atrás do gol. O Bauer continuou gritando para eu marcá-lo, mas nem dei bola, pois ele estava fora do campo. O Pepe foi para a cobrança do escanteio e de repente o Pelé apareceu na área para marcar o gol de empate. O Bauer disse que era tudo combinado e que ele já tinha feito aquilo antes. Como não fiquei de olho e o Negão marcou, não ganhamos nem o bicho", contava Reinaldo, às gargalhadas.

De volta ao Parque Antártica, foi novamente emprestado, dessa vez para o Colo-Colo, do Chile. Ele não tinha mais chances no Palmeiras já que Dudu tinha chegado ao Verdão e dado início à famosa e inesquecível dupla com Ademir da Guia.

Após o fim do empréstimo com o time chileno, por uma bobeira da direção palmeirense, Reinaldo conseguiu na justiça o direito de seu passe e foi para o Botafogo, onde atuou ao lado de craques como Gérson, Jairzinho, Roberto e o goleiro Manga.

Daí em diante, o meio-campista rodou o Brasil e o mundo atuando pelos seguintes clubes: Araçatuba (SP - 1967), Linense (SP - 1968), Paranavaí (PR / 1968/69), Cianorte (PR / 1969), Santa Cruz (PE / 1970) e América de Cali (COL / 1971).

Voltando da Colômbia, em 71 mesmo, acertou para jogar na Francana (SP), mas logo nos primeiros meses, sofreu uma contusão no tendão de Aquiles. "Eu era recém casado e meu primeiro filho tinha acabado de nascer. Após a contusão, resolvi parar de jogar e voltar aos estudos", lembrava Reinaldo, que completou o segundo grau e ingressou num curso de Educação Física para ex-jogadores, ministrado pela AGAP (Associação de Garantia para Atletas Profissionais).

Em 1972 ele começou uma nova carreira: a de técnico de futebol. "Meu primeiro time como técnico foi o Linense. Ainda passei pelo Corinthians de Prudente, Lençoense, Auriflama, Nacional, Cianorte, Oeste de Itápolis, entre outros", lembrava o ex-atleta.

Mesmo não obtendo sucesso no comando técnico das equipes, Reinaldo, que garantia que "no Brasil, treinador negro não vai pra frente", percebeu que tinha um bom olhar para revelar jogadores. "Com o decorrer dos anos, percebi que tinha revelado grandes jogadores, como o Macedo, o Fábio Júnior, o Toninho Carlos (ex-Santos), o João Fumaça (ex-Santos) e o Roberto Carlos. Resolvi então abandonar a vida de treinador e me especializar em revelar novos talentos para o futebol brasileiro", afirmava Reinaldo, que trabalhava com uma equipe e viajava para todo o Brasil em busca de novos craques.

 

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