Reali ou Realy Júnior

Jornalista radicado em Paris
por Marcelo Rozenberg

Elpídio Reali Júnior, mais conhecido como Reali Júnior, faleceu na manhã de 09 de abril de 2011, vítima de parada cardíaca, aos 71 anos.

Ele travou por vários anos uma luta contra um câncer no fígado, o que, segundo seu médico, o doutor Carlos Alberto Pastore, o deixou muito debilitado.

Jornalista exemplar, trabalhou como correspondente em Paris desde o início da década de 1970. Na ocasião, trabalhava no Jornal ?O Estado de S.Paulo?, e foi para a Europa devido às suas convicções comunistas então muito combatidas pelo regime oficial do Brasil.

Trabalhou também como correspondente para a Rádio Jovem Pan. Deixou mulher (Amélia) e quatro filhas,  sedo uma delas a belíssima atriz Cristiana Reali.

Estreou na Jovem Pan no dia 20 de abril de 1957, um sábado, como repórter de campo durante um jogo amistoso disputado entre Corinthians e Taubaté na cidade de São José dos Campos, que terminou com vitória do time do Vale por 3 a 1. Mas seu nome ganhou repercussão quando mudou-se para a Europa. Desde então cobriu os principais acontecimentos ocorridos no Velho Mundo além de Jogos Olímpicos e Copas do Mundo.

Em 2007 lançou o livro "Às margens do Sena",  depoimento do jornalista a Gianni Carta sobre 50 anos de profissão. Reali relata bastidores de importantes episódios que mudaram a história do Brasil e do mundo como o golpe militar de 1964, a vida dos exilados na França, o hoje esquecido Relatório Saraiva, que denunciou a corrupção no alto escalão da embaixada brasileira em Paris, então chefiada por Delfim Neto, a Revolução dos Cravos, em Portugal, o acordo de paz do Vietnã, a guerra Irã-Iraque e a morte de Yasser Arafat. Além disso, traça na obra perfis de importantes personagens como Pompidou, Giscard D ´Estaing, Mitterand, Chirac, Jânio Quadros, João Goulart, Brizola e Lula, entre outros.

Quando chegou a Paris, o jornalista pretendia passar no máximo três anos por lá. Tornou-se praticamente um cidadão da Cidade Luz, também um grande conhecedor da gastronomia local. Não descartava, inclusive, escrever um livro sobre o tema no futuro.

No dia do falecimento de Reali Júnior, Milton Neves deu o seguinte depoimento sobre seu amigo:

"Sempre por iniciativa do visionário Fernando Luis Vieira de Mello, Reali Júnior foi o primeiro correspondente internacional de rádio em Paris, pela Jovem Pan.

Em 1998, em minha terceira Copa do Mundo (França), foram impressionantes o carinho, a determinação e a infra-estrutura que Reali Júnior ofereceu à toda equipe da Jovem Pan para a cobertura daquele Mundial.

Eu, Milton Neves, fiz marcantes campanhas publicitárias imobiliárias com o publicitário Edgard Soares nos anos 80, quando Edgard, à época o Washington Olivetto dos imóveis, lançou os primeiros prédios "grifados" em São Paulo, com a assinatura e grife de famosos costureiros parisienses.

Reali Júnior, em Paris, foi o contato de Edgard Soares para a contratação de Yves Saint Laurent, Givenchy, Pierre Cardin e Paco Rabanne, entre outros.

Um dos condomínios eu lancei no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, ao lado do espanhol Paco Rabanne. Reali Júnior estava presente".
Confira a nota publicada no portal iG sobre a morte de Reali Júnior. O texto é da Agência Estado, veículo para o qual o jornalista também trabalhou durante muitos anos.

O jornalista Elpídio Reali Júnior morreu hoje em São Paulo. Há dois anos, ele havia sido submetido a um transplante de fígado. O jornalista morreu pela manhã, em casa, aos 71 anos.

Correspondente em Paris durante quase 38 anos, o jornalista começou a trabalhar como repórter da Rádio Jovem Pan aos 16 anos de idade. O adolescente que entrava no gramado para entrevistar os jogadores de futebol com um enorme gravador nas mãos ganhou o apelido de Repórter Canarinho que logo lhe deu projeção Brasil afora.

Nascido em 1941 em Bauru, onde passou os primeiros anos da infância, sempre manteve elos com a cidade natal. Foi ali que conheceu Pelé, o menino Édson Arantes do Nascimento que se destacava no Baquinho, time infantil do Bauru Atlético Cube. Reali era filho de pai de raízes italianas e de mãe descendente de baianos, família de costumes rurais na fazenda Tibiriçá, sustento da família.

Depois de fazer o primeiro ano do curso primário em Santos, onde seu pai, Elpídio Reali, delegado de polícia e mais tarde secretário estadual de Segurança trabalhou, Reali mudou-se para São Paulo, na Vila Nova Conceição, então um bairro de chácaras de legumes e flores. "Minha turma era da pá virada", contou o jornalista em depoimento a Gianni Carta em gravação para o livro Às Margens do Sena (Ediouro, 2007), lembrando a disputa da criançada na caça aos balões que caíam num eucaliptal da Avenida Indianópolis. Era o goleiro do time de futebol de rua - "não era um craque, mas era o dono da bola".

Reali tinha 14 anos e Amélia tinha 13, quando começaram a namorar. Estudavam em Higienópolis - ele no Colégio Rio Branco e ela no Sion - saíam para um cineminha e comer um macarrão no centro da cidade, naturalmente escondido dos pais. "O primeiro beijo foi na bochecha", recordou Reali, mais de 50 anos depois. "Até hoje estamos namorando", acrescentou. Ao conseguir o emprego na Jovem Pan, então Rádio Pan-Americana, já estava pensando em se casar. Casaram-se em janeiro de 1961 e já tinham suas quatro filhas - Luciana, Adriana, Cristiana e Mariana - quando se mudaram para a França.

Ele era repórter de rádio, mas trabalhou também em jornais e participou de programas de televisão. Seu primeiro jornal foi o carioca Correio da Manhã, sucursal de São Paulo. Depois foi para a sucursal de O Globo e escreveu para os Diários Associados, sem nunca abandonar a Jovem Pan. Na madrugada de 1.º de abril de 1964, no golpe militar, estava ao lado do governador Ademar de Barros no Palácio dos Campos Elísios - um dos poucos repórteres que conseguiram entrar. Nos anos seguintes acompanhou todos os principais fatos políticos do País, ao mesmo tempo que cobria outros assuntos.

Paris

"Sempre escrevi sobre qualquer assunto, minha formação de jornalista autodidata, construída pedrinha sobre pedrinha, me dá essa possibilidade", gravou no depoimento a Gianni Carta. Suspeito de ser comunista, o que sempre negou, ficou na mira da repressão e por isso achou melhor ir para o exterior. Viajou para Paris em setembro de 1972. No ano seguinte, foi contratado pelo jornal O Estado de S. Paulo, pouco depois da queda de um Boeing da Varig nas imediações do aeroporto de Orly.

Como correspondente 24 horas à disposição da Rádio Jovem Pan e do jornal O Estado de S. Paulo, era Reali quem mais viajava, tanto pelo interior da França como para outros países. Numa época de telecomunicações ainda precárias, transmitia o material por cabines públicas de telefone e brigava com os colegas por um terminal de telex. Não havia internet, as ligações telefônicas com o Brasil dependiam de tempo e sorte. Como também não existiam cartões de crédito, o repórter era obrigado a carregar dólares no bolso.

Nota oficial da presidência

Em nota oficial, a presidente Dilma Rousseff disse que a imprensa brasileira "perdeu um de seus nomes mais emblemáticos" e afirmou que seus anos de correspondente foram marcados por grandes reportagens. "Mais do que um repórter talentoso, o país perde um ilustre brasileiro. A seus parentes, amigos e admiradores envio meu sentimento de pesar e meu abraço fraternal", diz o comunicado.

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