Odilon Cardoso

Ex-curinga da várzea paulistana

Odilon Mário Cardoso, o Cardosinho, bom jogador da várzea paulistana nos anos 60 e 70, morreu em 3 de julho de 2020, vítima de covid-19. Ele estava internado no Hospital do Coração para um outro tratamento e foi contaminado pelo novo coronavírus neste hospital, onde iniciava tratamento de um câncer. Odilon morava em São Paulo e trabalhou por muitos anos como empresário do famoso grupo de samba Demônios da Garoa.

"Estou completando 16 anos no comando do grupo. Além de manager sou sócio da empresa e faço um pouco de tudo", revelou Odilon em entrevista ao Portal Terceiro Tempo.

Seu contato com o "Demônios" começou por acaso, no início dos anos 90, em uma mesa de baralho. "Eu e o Toninho (tocava o violão, era tenor e morreu em 2005) tínhamos um amigo de carteado em comum. Convidei-o para jogar lá em casa e ele me chamou para acompanhar os shows. A coisa foi rolando e acabei como empresário do grupo", disse.

Já o futebol chegou bem mais cedo na vida do bem sucedido empresário. São-paulino de coração e, sobretudo, apaixonado pelo esporte bretão, desde criança a bola o acompanhava.

"Em meados dos anos 50, com uns 11 ou 12 anos, comecei na várzea paulistana, no infantil do Fluminense da Vila Maria?, lembrava com saudades.


Odilon até cogitou tentar a carreira de jogador profissional, mas os estudos e a família pesaram e o futebol amador foi a solução. "Vontade não faltou, mas era muito difícil, contou.

Fiz testes no Corinthians do técnico Rato e na Lusa, mas não passei. Tinha muita gente boa na minha frente. Além disso, meus pais achavam que futebol era coisa para desocupado, então ficou complicado?, revela o "polivalente" empresário, que como um bom curinga jogou de meia-atacante, volante, lateral e até zagueiro.

Jogou na várzea entre os anos 60 e 70 e passou por equipes como o Fluminense, o Flamengo, o Vasco Paulista, o 13 de Janeiro, o Nadir Figueiredo e o Magnólia, todos do bairro da Vila Maria. E foi no início dos anos 70 que Odilon passou seus melhores momentos no gramado. Em 1972, seu amigo Gil Carioca (que chegou a jogar profissionalmente pela Ferroviária de Botucatu-SP) o levou para fazer um teste nos veteranos do Palmeiras.

"O técnico era o Antonio Barrilote (ponta que jogou no Verdão de 1937 a 39 e marcou 14 gols em 31 jogos). Ele gostou do meu jogo e me chamou para integrar a equipe. Lá, joguei ao lado de craques históricos como Gildo, Ademar Pantera, Oberdan Cattani, Geraldo Scalera, Aquiles, Bececê, entre outros. As feras, já com mais idade, jogavam o primeiro tempo e nós, mais novos, o segundo. E o problema deles era físico, porque mesmo com a idade continuavam com a técnica e a classe de seus velhos tempos?, garantia Odilon.

Enquanto jogava os campeonatos de várzea e de veteranos nos finais de semana, de segunda a sexta ele trabalhava no Banco Noroeste, onde ingressou em meados dos anos 70 e ficou até 1991.

"Atuei também pela equipe do banco e por lá passaram bons jogadores como o Agenor (ex-São Paulo) e o Batista (ex-ponta do Santos). Cheguei até a dirigir a equipe ao lado do grande Cangerê (começou com Pelé no ?Baquinho?) e ganhamos um campeonato em cima do Banco do Brasil em plena Rua Javari", lembrava com orgulho o ex-curinga.

Mas no dia 25 de janeiro de 1981, em um clássico varzeano entre Fluminense da Vila Maria e Estrela do Pari (que contava com o futebol de Manga ? irmão do famoso Enéas da Lusa), Odilon sofreu uma grave contusão e pendurou definitivamente as chuteiras.

"Fui disputar uma bola na lateral-direita e rompi o ligamento do joelho. Resolvi me tratar no São Paulo, apenas o suficiente para voltar a andar normalmente. Não quis operar e como conseqüência não pude mais jogar futebol", destacou o empresário.

Mesmo distante dos gramados Odilon ainda tem o futebol em seu coração, assim como a saudade do jogo bonito e leal. Viúvo e pai de um casal de filhos (Thais e Anderson), ele não esquece da época em que se "amarrava cachorro com linguiça?, das lindas tabelinhas entre Pelé e Coutinho e dos jogos extraordinários daquele Santos fantástico.

"Eu fazia questão de assistir aos jogos do Santos, pois eram espetáculos. Jogadas geniais de Pelé e companhia levavam qualquer torcedor ao estádio. Época boa que, pelo jeito, não volta mais. Ninguém foi igual a Pelé. Quem compara o Rei com qualquer jogador não sabe o que está falando", dizia.

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