Marcelinho Carioca

Ex-meia do Corinthians e do Flamengo
Marcelo Pereira Surcin, o Marcelinho Carioca, nasceu no dia 1 de fevereiro de 1971, no Rio de Janeiro. Meio-campista, ficou conhecido como Pé de Anjo em suas passagens pelo Corinthians por cobrar faltas de forma magistral e pelo tamanho de seu pé (calça número 36).
 
Em 27 de setembro de 2011, Marcelinho Carioca aceitou o convite do América de Rio Preto-SP e se tornou gestor de futebol do clube. O retorno aos gramados de Marcelinho não era descartado. Entretanto, em 28 de fevereiro de 2012, alegando discordar das idéias dos demais dirigente do clube, Marcelinho anunciou sua saída da equipe interiorana.
 
Em 2012 lançou sua candidatura a vereador de São Paulo pelo PSB, mas não foi eleito, contabilizando 19.729 votos.
 
Em 2014 lançou sua candidatura a deputado estadual de São Paulo, mas não foi eleito, pois não contabilizou o número necessário de votos.
 
Em 5 de abril de 2016 foi anunciado como "técnico rotativo" da equipe do Taboão da Serra, da 4ª divisão do Campeonato Paulista, para ministrar palestras motivacionais aos jogadores e clínicas de futebol, ensinando lançamentos e cobranças de falta.
 
Tentou se eleger vereador por São Paulo em 2016 (pelo PRB) mas não conseguiu. Obteve 12.602 votos.
 
Em 12 de dezembro de 2017 formou-se em jornalismo pelas Faculdades Rio Branco, no bairro da Lapa, zona oeste da capital paulista. Clique aqui e veja a matéria completa publicada no Portal Terceiro Tempo.
 
Em 23 de novembro de 2018 foi anunciado pelo Capital-DF para exercer a função de diretor de relações institucionais e coordenador das categorias de base do clube da capital federal.
 
Flamengo

Iniciou sua carreira nas categorias de base do Flamengo e sua estreia não poderia mais marcante. Foi num clássico contra o Fluminense, no dia 30 de novembro de 1988 que o jovem Marcelinho (iria ganhar o apelido "Carioca? somente nos tempos de Corinthians), de apenas 17 anos, substituiu Zico, o maior ídolo da torcida rubro-negra, que se machucara aos 11 minutos de jogo.

Permaneceu na Gávea até 1993, onde conquistou glórias como a Copa do Brasil de 1990, o Campeonato Carioca de1991 e o Campeonato Brasileiro de 1992, mas decepções, como o pênalti perdido na final da Supercopa dos Campeões da Libertadores da América, contra o São Paulo, no Morumbi, que rendeu o caneco ao Tricolor, que na época era comandado pelo inesquecível Telê Santana.

Corinthians

Em 1994 se transferiu para o Corinthians, uma negociação que girou em torno de US$ 800 mil, uma fortuna para a época. Em sua apresentação, afirmou que gostaria de fazer história no clube alvinegro. Em sua primeira passagem pelo Timão, que durou até 1997, ganhou um Campeonato Paulista e uma Copa do Brasil, já se destacando pela enorme identificação com a torcida, pelos gols geniais e pela capacidade de aparecer em momentos decisivos.
 
Confira abaixo o gol de Marcelinho contra o Santos, em 1996, um dos lances mais emblemáticos da carreira do "Pé de Anjo":


Foi vendido ao Valencia por US$ 7 milhões, mas não se adaptou ao clube espanhol e retornou ao Parque São Jorge, onde ficou até 2001. Em sua segunda passagem, faturou os Campeonatos Brasileiros de 1998 e 1999, os Paulista de 1999 e 2001 além do Mundial de Clubes da FIFA, em 2000, cuja final foi contra o Vasco.

Mas nem tudo foram flores no Corinthians. Na semifinal da Libertadores de 2000, disputada contra o arquirrival Palmeiras, perdeu o pênalti que acabou com as chances do time chegar na final da competição internacional. A partir daí seu relacionamento com a fiel torcida foi piorando até que em 2001 o clima acabou.

O meia foi acusado de tentar denegrir a imagem do então companheiro Ricardinho (disse a jornalistas que o meia, por ser o traíra do grupo, havia apanhado dos demais atletas). Marcelinho entrou em atrito com diretoria e comissão técnica e acabou afastado. Após ficar 36 dias treinando sozinho no Centro de Treinamento de Itaquera, conseguiu na Justiça o direito de mudar de clube e acertou a sua transferência para o Santos, onde reencontrou o também ex-corintiano Viola.

Esta não foi a única polêmica que o craque se envolveu em sua carreira. Ele não tinha um bom relacionamento com o técnico Vanderlei Luxemburgo, que o acusou de ter pego o jogador com mulheres na concentração.
 
Outros clubes

Depois do Santos, passou por diversos clubes do Brasil e do exterior como Gamba Osaka (Japão), Vasco (foto ao lado), Al Nasr (Arábia Saudita), Ajaccio (França), Brasiliense até retornar ao Corinthians, no ano de 2006, onde jogaria para pagar uma dívida que tinha com o clube, mas no mesmo ano o então técnico Emerson Leão pediu sua dispensa, encerrando de forma melancólica esta passagem pelo Timão.

Marcelinho ensaiou uma carreira como comentarista de futebol, inclusive entrando na faculdade de jornalismo, mas em 2007 recebeu um convite do Santo André, um de seus últimos clubes, e em 2008 levou o time do ABC Paulista a Série A do Campeonato Brasileiro.

Marcou quatro gols no Brasileirão de 2009 e, apesar de boas apresentações pelo Santo André, não evitou a queda do Ramalhão para a série B.

A equipe terminou em 18º lugar, à frente apenas do Náutico e Sport, ambos do Recife.

No final de 2009, foi anunciado como uma espécie de "embaixador" do Corinthians para o ano do centenário do Timão, em 2010, e também para disputar alguns amistosos de despedida com a camisa alvinegra, sua "segunda pele", como ele costuma definir.

Em 2010, o ex-jogador do Timão disputou as eleições para deputado federal pelo PSB-SP, e mesmo com 62 mil votos não conseguiu se eleger.

Em 17 de outubro de 2013, Marcelinho Carioca participou do programa "Agora é tarde", da TV Bandeirantes e o Portal UOL publicou a matéria abaixo:


M. Carioca diz que ficou fora da seleção após pegar "mulher" de Luxa

O ex-jogador Marcelinho Carioca foi o entrevistado do Programa Agora é Tarde, da TV Band. Em conversa com o apresentador Danilo Gentili, ele revelou que poderia estar nos grupos das Copas de 94, 98 e 2002. O sonho, no entanto, foi abreviado quando, em uma das convocações, o jogador ficou com uma mulher também desejada por Vanderlei Luxemburgo, então técnico da seleção brasileira.
"Teve esse problema com o Vanderlei, que eu acho um dos melhores treinadores do Brasil. Foi na Bahia, a mulher era maravilhosa. Ele me tirou da seleção, mas não tinha como deixar, não. Ela chegou e falou assim: eu não quero o velho, não. Quero o pretinho. Aí o pretinho foi lá e?", disse o ex-jogador do Corinthians.
"Às vezes, as pessoas chegam na TV e querem fazer cena. Eu sou papo de boteco, eu vim do nada. Eu sou o que sou, transparente. Já paguei o preço muito alto por falar demais, porque a verdade perdura e a mentira é aflorada a qualquer momento", continuou o jogador, que também relembrou alguns momentos de sua carreira.
Segundo Marcelinho, o gol mais marcante de sua carreira foi o primeiro contra o rival Palmeiras, nome, inclusive, que ele evitou falar durante todo o programa. Contra o clube alviverde, ele também passou por um de seus piores momentos, ao perder o pênalti que decretou a eliminação do Corinthians na Copa Libertadores de 1999.
"Foi um momento de tristeza, mas ali existe a qualidade do adversário, que você precisa reconhecer. O Marcos, goleiro pentacampeão do mundo, foi competência dele. Depois encontrei ele e disse: "quase acabou com a minha carreira, agora vai ter que dividir o bicho da Copa do Mundo comigo", brincou.


Em 16 de outubro de 2013, Marcelino Carioca participou do programa "Agora é Tarde", apresentado por Danilo Gentili, na Band.
Abaixo, o vídeo, na íntegra:
 
No dia 30 de julho de 2017, Marcelinho Carioca participou do "Domingo Esportivo", da Rádio Bandeirantes, e garantiu que foi o melhor jogador da história do Corinthians. Ouça:
 


No dia 24 de agosto de 2017, o UOL Esporte publicou a seguinte matéria sobre Marcelinho Carioca:

Perto de se formar em jornalismo, Marcelinho Carioca faz TCC sobre hipnose

Adriano Wilkson
Do UOL, em São Paulo

Marcelinho Carioca está resfriado. Faz 14 graus lá fora e ele está no fundo de sua sala de aula conversando com dois colegas sobre o TCC que eles vão apresentar no final do ano. "Precisamos de dez páginas", diz Carolina Cristina, 21 anos, seu cabelo liso e castanho tornando-se louro perto das pontas. "Até agora eu tenho duas linhas".

Marcelinho responde alguma coisa. Sua voz rouca, abalada por frequentes viagens pelo país com a seleção brasileira master de futebol, se esconde embaixo do burburinho dos outros grupos da sala. Ele oferece uma bala ao repórter e pede para passar o pacote adiante. Debruça-se sobre um cronograma de atividades no qual Carolina e o outro membro do grupo, Gabriel Plasa, também 21, anotam as datas de apresentação de cada etapa do trabalho.

Mais de uma década após ter entrado na faculdade pela primeira vez, Marcelinho Carioca (conhecido no meio acadêmico como Marcelo Pereira Surcin) está prestes a se formar no curso de jornalismo das Faculdades Integradas Rio Branco, cujo campus asséptico e de paredes de vidro se assemelha a um shopping center na zona oeste de São Paulo.

Ele está com 46 anos e é o mais velho de sua turma. Ele se orgulha de em breve ser, segundo ele, o único ex-jogador de futebol a conseguir um canudo em jornalismo, o que ele compara "a fazer um gol numa final de Copa do Mundo".

Na frente da sala, a professora Patrícia Rangel orienta cada grupo sobre os prazos e a execução do Trabalho de Conclusão de Curso, etapa obrigatória e geralmente traumática de toda graduação.

Marcelinho e Gabriel têm muita coisa em comum. Eles adoram futebol. Eles conversam sobre futebol todos os dias. Eles zoam suas paixões opostas no mundo do futebol ("o único defeito dele é ser palmeirense", diz o ex-jogador do Corinthians). Quando decidiram fazer o TCC juntos, o assunto que escolheram tratar foi futebol.

Carolina, que nem sabia quem era Marcelinho Carioca antes de tê-lo como colega de curso, vetou. Ela odeia futebol e revira os olhos quando precisa dizer isso. Agora, enquanto os três caminham em direção à professora para explicar a quantas anda a produção do trabalho, eles pensam no novo tema que escolheram para encerrar o curso.

Hipnose.

Desde que soube que teria que produzir, gravar e editar programas sobre hipnólogos como trabalho de conclusão de curso, Marcelinho mergulhou na bibliografia especializada e tentou acumular o máximo de conhecimento sobre isso; sobre a relação da hipnose com a psicanálise e a psiquiatria, sobre seu uso em tratamentos de saúde, sobre hipnólogos famosos e outros nem tanto.

Foi a primeira vez que Marcelinho Carioca – o homem que mais levantou troféus para o Corinthians, o homem conhecido como "Pé de Anjo" por sua facilidade em colocar uma bola onde quiser apenas usando seus membros inferiores – precisou se aprofundar em um assunto totalmente alheio ao cotidiano de um jogador de futebol.

E por isso ele está com medo. Ele nega, mas está. É que agora, além de aprender tudo que puder sobre hipnose, durante a produção do TCC, ele também terá que se deixar hipnotizar.

"Você está com medo?", pergunta o repórter.

"Medo não", diz Marcelinho, reticente, a voz se arrastando entre os dentes.

"Tá com medo sim, tá morrendo de medo", se intromete Carolina, apoiada por Gabriel. "Tá com medo de ser hipnotizado e perder o controle".

"É que eu sou cristão".

Eles combinam com a professora o cronograma de entrega de cada etapa do trabalho. Os três encontram dificuldade de conciliar a agenda de gravação e edição porque cada um tem um emprego em um lugar diferente. Marcelinho, por exemplo, é secretário de esportes de Ubatuba, no litoral paulista. Tal dia não dá pra um, outro dia não dá pros dois, o dia que dá pros três fica muito perto do prazo de entrega.

"Se vocês não podem estar aqui para fazer isso", diz a professora Patrícia Rangel, "podem fazer isso no ano que vem". A ameaça de repetir de ano cai sobre o grupo como uma bomba. Depois dela, nasce a resolução. "Vamos fazer", conclui Marcelinho. "Vamos dar um jeito".

Ele já precisou dar um jeito em muita coisa durante seu percurso acadêmico. No começo, tinha dificuldade em fazer tarefas tão básicas para um jornalista quanto anexar um arquivo no e-mail, formatar um texto ou usar um pen drive. Precisou aprender os atalhos do universo digital.

"Ele dizia que durante toda a vida sempre teve assessores que faziam tudo para ele", conta Paulo Durão, seu professor de diagramação, a técnica de transformar textos e fotos em páginas de jornais e revistas. "Nunca precisou se importar com coisas como mexer em um computador ou anexar um arquivo no e-mail. Mas aqui nunca se mostrou com preguiça de aprender, sempre foi muito dedicado".

Depois de conhecer de perto a maravilha do armazenamento de informação em espaços supercompactos, o ex-jogador chorou no meio da aula e passou a ver as pequenas coisas sob uma nova ótica: "Hoje eu olho para um pen drive e fico rindo sozinho. Cabe tudo ali dentro!"

Com a ajuda dos colegas mais novos, foi se sentindo mais confortável ao usar as tecnologias digitais. "A gente pedia para ele mandar um e-mail", conta uma de suas amigas, "ele ia lá, mandava, e o e-mail não chegava. A gente ia ver o que tinha acontecido, e ele tinha mandado um e-mail para ele mesmo!"

Seus professores e colegas também estranharam quando, ao produzir qualquer trabalho durante as aulas, Marcelinho primeiro escrevia o texto a caneta para só depois passá-lo a limpo no computador, um hábito que deve ter acabado nas escolas de jornalismo antes do primeiro título mundial do Corinthians, no ano 2000.

Com ajuda de sua professora de texto, uma mulher jovem de cabelos curtos e descoloridos, chamada de Renata Carraro e apelidada de Renata Carrasco pelos alunos, Marcelinho aprendeu a escrever perfis jornalísticos. Para ser aprovado na disciplina, leu trabalhos de ícones do gênero, como os americanos Gay Talese e Joseph Mitchel.

Acabou produzindo um perfil ainda inédito da apresentadora da Band Renata Fan, texto que sairá em uma coletânea a ser publicada pela faculdade em alguns meses. Marcelo Pereira Surcin também assina uma reportagem sobre estrangeiros no comércio de São Paulo, que saiu na última edição da revista laboratório "Origens".

Ele faz questão de citar cada um dos professores que o ajudaram a concluir a graduação: Patrícia, Paulo Feuz, Paulo Durão, André, Patricia Ceolim, Luiz Gabriel, Carina, Renata, Raquel, Orlando, Márcio, Mara... Os estudos formais eram um sonho antigo de seu pai, que trabalhava como gari no Rio de Janeiro. "Quando estreei no Flamengo substituindo o Zico no Maracanã, meu pai estava na geral e depois do jogo disse que eu só tinha dado meio passo na vida. A outra metade era que eu tinha que estudar".

Para seguir o conselho paterno, Marcelinho nunca desistiu da ideia de se formar. Começou o curso de jornalismo ainda em 2006. Onze anos e duas faculdades depois, ele deve se formar no fim do semestre, caso seu trabalho sobre hipnose seja aprovado pela banca.

Sua formação acadêmica deve ajudá-lo também em outras áreas, já que ele assumiu recentemente uma coluna no jornal "O Diário de São Paulo".

"Minha vida sempre foi treinar", conta Marcelinho Carioca. "Sabe aquele jogador que fica depois que todo mundo vai embora treinando sozinho? Esse sou eu na faculdade. Eu sei que entrei com essa defasagem e precisei correr atrás para recuperar. Nunca tive vergonha de dizer que não sabia".

Um dia depois, graças à ingestão de pastilhas e gargarejos, sua voz já estava melhor, apresentando resquícios mínimos do resfriado da véspera.

"Todo mundo sempre me ajudou".

 

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