Arnaldo Faria de Sá

Político e ex-presidente da Portuguesa

por Kaique Lopreto, @kaiquelop

Arnaldo Faria de Sá nasceu no dia 30 de dezembro de 1945 na cidade de São Paulo. O ex-presidente da Portuguesa de Desportos morreu no dia 16 de junho de 2022, aos 76 anos, na capital paulista. 

Arnaldo fez um pouco de tudo em sua vida. Ele já foi advogado, contabilista, radialista, professor, presidente de clube e político. Tudo começou com o curso de direito na Fundação São Joanense em 1970. Porém, a partir de 1978, Arnaldo ficou conhecido como comentarista político do jornal Record em Notícias, o famoso “Jornal da Tosse”.

Assim, com a fama, ele foi eleito pela primeira vez deputado federal, em 1986. Fato que se repetiu nas eleições seguintes. Ele priorizou os diretos dos aposentados em seus mandatos.

Além de político, entre 1990 e 1993, Arnaldo foi presidente da Associação Portuguesa de Desportos. Em seu período, a Lusa foi campeã da Copa São Paulo de Futebol Junior em 1991 e revelou Dener, um dos maiores ídolos da Portuguesa.

O jornalista Sulvio Micelli publicou um relato pessoal sobre Arnaldo Faria de Sá no dia da morte deste, prestando uma bela homenagem que segue abaixo, na íntegra.

por Sylvio Micelli

Conheci Arnaldo Faria de Sá bem antes da minha entrada no funcionalismo. E jamais imaginaria que nossa convivência tornar-se-ía intensa, em luta pelo funcionalismo.

Ali em meados dos anos 80, Arnaldo era para mim, mais um jornalista crítico que fazia parte do saudoso "Record em Notícias", vulgarmente chamado de "Jornal da Tosse", devido à idade de seus participantes. Aliás, abro um parêntese. Como faz falta um jornal daquele, mesmo com alguns equívocos conservadores. Fecho o parêntese.

No começo dos anos 90, Arnaldo Faria de Sá tomou posse na presidência da Portuguesa de Desportos, nossa querida Lusa e, por coincidência, minha mãe foi contratada pelo clube para fazer um trabalho de prevenção odontológica de todos os atletas do clube. O trabalho virou até publicação em revistas médicas e odontológicas especializadas. E foi justamente nessa época que conheci aqueles jogadores de raro talento, que chegariam ao vice-campeonato brasileiro em 1996: Clemer, Capitão, Zé Roberto e, principalmente Dener, o maior jovem que vi jogar, cuja vida foi ceifada de maneira tão trágica.

Voltemos ao funcionalismo. Em 1999, quando me afastei das minhas atividades junto ao TJSP para dedicar-me à representação classista do Judiciário, encontrei com Arnaldo num seminário no Guarujá. Os temas eram as reformas administrativa e previdenciária do governo FHC. A essa altura eu era direitor de imprensa da Fespesp e acabávamos de lançar o programa Cidadania & Serviço Público, que ainda existe até hoje. Arnaldo foi convidado do programa por diversas vezes.

Em 2002 dei início às minhas idas e vindas à Brasília. Vivi todo o borburinho pré-eleição de Lula e a luta incansável em relação aos diversos assuntos relativos ao funcionalismo, jamais deu tregua.

Arnaldo nunca teve nada a ver com o funcionalismo. Desde o "Record em Notícias", ele sempre se posicionou em defesa do aposentado e do pensionista, atendendo religiosamente todas as semanas em seu escritório do Jabaquara, na zona sul de São Paulo, centenas de idosos que a ele recorriam para solucionar diversos problemas. Parecia uma verdadeira romaria, especialmente nos sábados pela manhã, quando as pessoas se aglomeravam desde às primeiras horas do dia.

Pela proximidade do tema - aposentadoria e pensão - Arnaldo começou a também defender os idosos do Serviço Público e, por fim, acabou a todos os setores da categoria. Como os servidores, infelizmente, nunca tiveram competência para eleger seus representantes, mesmo com muitos colegas a tentar, Arnaldo foi o nosso pai adotivo. Seu gabinete 929 no 9º andar do Anexo IV da Câmara dos Deputados virou um verdadeiro bunker de servidores de todos os cantos do Brasil. A Arnaldo, paulistano, não importava quem lhe pedia ajuda e ele jamais pediu um voto sequer que fosse a qualquer um de nós. Suas reeleições sempre foram feitas com base na amizade. Sabíamos que era ele ou ele.

Foram muitos momentos, eventos, cerimônias, livros e põe et cetera nisso, dos quais participamos juntos. Mas um quero reportar em especial. Em 2003, Lula recém empossado, veio uma nova Reforma da Previdência prejudicial ao funcionalismo, que se transformou na Emenda Constitucional nº 41 e depois, com algumas alterações na EC 47.

O pior de tudo era ver que parlamentares que sempre estiveram lutando contra os desmontes de Collor e FHC, agora que eram situação, fizeram a mesma coisa ou até pior. Deputados que sempre nos foram caros, nos traíram. Arnaldo, jamais. Foram dezenas de audiências públicas, nos diversos espaços do Congresso Nacional e discussões acirradas pelo Salão Verde da Câmara ou pelo Salão Azul, no Senado Federal.

Em 2003, numa dessas saídas do auditório para o Salão Verde, o clima esquentou e o pau fechou. Os seguranças tentaram fechar o acesso entre Senado e Câmara e Arnaldo saiu na mão com um segurança e chutou o vidro. Foram cacos para todos os lados. Eu estava ali e tenho fotos em algum HD perdido. Com o ocorrido, ocupamos o Salão Verde que era a nossa meta para pressionar os parlamentares contra a Reforma da Previdência.

Arnaldo foi uma pessoa polêmica, mas sempre foi contundente e foi até o fim com a sua missão. Ele nos deixa hoje aos 76 anos. Em breve saberá o Regimento Interno do outro lado do mistério, algo que fez com inigualável maestria na Câmara dos Deputados. 

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