Paulo Pingaiada

Ex-goleiro de Muzambinho
Paulo Pingaiada, cujo nome de batismo era Paulo Aloísio Scotinni, foi um marcante goleiro amador do futebol de Muzambinho-MG.
 
Natural de Elói Mendes-MG, morreu em 22 de maio de 2002, no Asilo São Vicente de Paulo, em Muzambinho.
 
Neste espaço, Milton Neves homenageia seu amigo-goleiro dos anos 50 e 60, publicando aqui o mesmo texto que saiu em Placar, edição de novembro de 2005.
 
Encanto quebrado
por Milton Neves
 
Vi o Mike Tyson de perto lá no Barbacoa. Meu amigo Delcir Sonda até lhe deu conselhos "pra se prevenir" quanto às mulheres fáceis da vida.
 
Vendo o Tyson lembrei-me de um urso, dos grandões, comendo salmão no rio raso. Mas fiquei pensando no Paulo Pingaiada também. Paulo Pingaiada, o Paulo Aloísio Scotinni, já morto, que foi goleiro, boiadeiro e meu amigo lá em Muzambinho-MG, nos anos 50 e 60. Ele foi levar uma boiada para Flórida Paulista "jamais vou me esquecer desse nome" e lá resolveu ver um treino do time da cidade.
 
Era da 3ª ou da 4ª divisão paulista. Devidamente "calibrado", pediu para jogar e fechou o gol. Foi contratado para experiência, e depois de 10 dias, Muzambinho "entrou em polvorosa" com uma grande "bomba". "Saiu o nome do Paulo Pingaiada na Gazeta Esportiva", gritavam as ruas. Só se falava naquilo. É que a Gazeta Esportiva era uma espécie de Rede Globo de hoje pra nós lá da terrinha. E saiu pequenininho, no espaço das escalações. O Flórida tinha empatado fora e na formação do time estava lá: "Fulano (depois Paulo)". Paulo, essas cinco letras representaram para nós uma medalha de ouro olímpica! Um momento épico! Antigamente, era assim, na época só do rádio e da Gazeta Esportiva, que chegava somente... à noite! Jogador não era visto, era "imaginado". Dias, Carabina, Bianchini, Geraldo Scotto, Prado, Servílio, Castilho, Silvio, Julinho, Pelé e Pepe eram monstros, gigantes, inacessíveis, deuses, heróis em nossa imaginação. No cartaz de parede" a única mídia possível" do jogo de domingo no Bar Majestic, quando o Muzambinho EC recebia o Radium de Mocóca, Alfenense, Cruz Preta, Esportiva de Guaxupé ou Passense, a gente arregalava os olhos porque o adversário vinha "enxertado" de um ex-juvenil do Olaria, um antigo jogador do Juventus ou Bonsucesso ou de um ex-aspirante da Ponte Preta! Isso era a glória, eram "profissionais" que iam jogar em Muzambinho!
 
Em 17 de janeiro de 1960 participou de um jogo histórico, atuando no gol de uma seleção sul mineira que enfrentou o Olaria Atlético Clube do Rio, que concentrado em Poços de Caldas, vinha goleando seguidamente por mais de 10 gols em jogos amistosos os times de Alfenas, Poços, Botelhos, Guaxupé, Bandeira do Sul, Varginha, Machado e Campestre.

Na ocasião, o técnico Marcio Vieira Gomes, o "Delega", reuniu os melhores da região e garantiu que "de mim eles não ganham". Escalou-se, já veterano, "de camisa 11 recuado para marcar o artilheiro Jaburu" e disse: "o jogo será 10 contra e 10! Eu e o Jaburu não jogaremos, vou marcá-lo homem a homem", garantiu.

Resultado da peleja: Olaria 12 x 0 Muzambinho. Nove gols de Jaburu.

Três goleiros foram utilizados na partida: Willian Peres Lemos (o Yashin de Minas Gerais), Paulo Pingaiada e Inhaque. Este último era cego de um olho e tomou um gol antológico de Jaburu, de falta.

O jogador do Olaria chutou no canto em que Inhaque não enxergava, e quando a bola já estava no fundo da rede, ele ainda gesticulava tentando orientar a barreira.

Outro fato pitoresco daquela partida aconteceu quando Jaburu já somava oito gols e soltou um petardo incrível, para uma defesa mais incrível ainda de Paulo Pingaiada. O goleirão encaixou, sem dar rebote e desafiou o atacante carioca, rolando a bola em sua direção:

"Chuta de novo, vamos ver se agora você marca", disse Pingaiada.

Jaburu, sem maiores dificuldades, anotou seu nono gol na partida e em seguida Paulo Pingaiada foi substituído por Inhaque, em uma dessas histórias maravilhosas, que o futebol não tem mais.

William Peres Lemos, Paulo Pingaiada e Inhaque,
os goleiros da inesquecível partida em Muzambinho


Vale a pena mais um registro importante sobre Jaburu. O atacante também atuou pelo Fluminense, e estava em campo no dia em que Pelé fez o gol que é considerado até hoje o mais bonito de sua carreira,  e que motivou  o jornalista Joelmir Beting a confeccionar uma placa para o feito, que acabou tornando a expressão "Gol de Placa" uma voz corrente quando alguém se reporta a um gol maravilhoso.

A ficha do jogo entre Fluminense x Santos:

Competição: Torneio Rio São Paulo
Fluminense 1 x 3 Santos
Data: 5 de março de 1961
Gols: Pelé (2), Pepe e Jaburu
Local: Maracanã.
Árbitro: Olten Ayres de Abreu.
Renda: Cr$ 2.685.317,00
Santos: Laércio. Fiotti. Mauro. Calvet e Dalmo. Zito e Mengálvio (Nei). Dorval. Coutinho. Pelé e Pepe (Sormani).
Fluminense: Castilho. Jair Marinho. Pinheiro. Clóvis (Paulo) e Altair. Edmilson e Paulinho. Telê Santana (Augusto). Valdo. Jaburu e Escurinho.E o velho Professor Antonio Milhão ficava "lotado" com oitocentos torcedores, todos olhando quem era o "profissional" do Rio ou São Paulo, como ele andava, a "panca", o cadarço amarrado na canela ou na barriga da chuteira. "Nooooossaaa, ele tem chuteira Gaeeeeeetaaaaaaaa", dizia aos berros o sapateiro Zé Octaviano Salles, expert na matéria. É que chuteira Gaeta, à época, era só para alguns, para os ricos. Mas o tempo passou e veio a TV. Os jogadores passaram a ser vistos, não mais imaginados. Foi broxante. Pô, eles são iguais a nós mesmos, "descobrimos". Em jogos de férias na região, feras de Belo Horizonte, Rio, São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto, jogando pela "seleção de fora", não eram mais admirados, mas vaiados e até xingados. É que devido à TV, viraram "carne de vaca". Foi o caso do Mike Tyson, não gostei de vê-lo.
 Ele me aterrorizava, uma espécie de ídolo inimigo, até perdia o sono, pelo susto que me passava ao destroçar tanto pugilista em madrugadas passadas. Imaginava-o distante tanto quanto a Lua, um mito, uma lenda. Vendo-o tão de perto, à mesa, fiquei com dó, ele é meio pancada e foi quebrado um encanto. Ele não é igual a nós, é menos, é menor. Coitado. Da mesma forma que criança não poderia morrer e nem ficar doente até os 18 anos, Deus deveria proibir que todo mito fosse conhecido, visto, sentido, tocado. Sou um bobão, mas que fiquei triste, fiquei.
Ainda sobre Paulo Pingaiada no dia 7 de agosto de 2010...

De: Célio Sales

Assunto: PAULO PINGAIADA
O nome correto do Paulo Pingaiada é   Paulo Aloísio Scotinni. Ele nasceu em Eloi Mendes (Mutuca), que faz parte da grande Varginha.
Milton,
Caso verdadeiro do PAULO PINGAIADA
No jogo entre MUZAMBINHO X CONCEIÇÃO APARECIDA em julho de 1966 Paulo havia tomado umas biritas no Bar do Oscar, pai do Zinho, o ponte esquerda das pernas tortas. O Paulo, em pleno domingo às 15 horas, tomou quatro doses de um pinga daquelas 100% alcool.
E quando bateram uma falta, o Paulo pulou, caiu no chão com as duas mãos segurando alguma coisa a bola entrou no ângulo.
Paulo levantou e Camila gritou "que foi isso Paulo".
"Ele disse "tá sob controle, vou repor a bola em jogo."
 " A bola entrou. ", disse Camila.
 Então Paulo se vira e diz: "Então são duas bolas, porque esta eu peguei."
Mas não havia outra bola. O calor de 32 graus fez com que ele pegasse a bola imaginária. Histórias do Jorge Pernalonga e do Biga na época.
Mas bons tempos em que havia futebol...
 
Célinho 

Em 11 de junho de 2012, recebemos o seguinte e-mail de Célio Sales, o Célinho:

Certa vez no jogo entre Muzambinho x Fabril de Paraguaçu, ele havia tomado uma cachaça (Aquela que matou o véio).
Ele viu duas bolas, pulou e pegou uma, a outra (real) entrou. Paraguaçu 1 x 0 Muzambinho.
Era grande pessoa, boiadeiro, amanssava cavalos chucros e montava boi bravo em rodeios.
Célinho
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