Mozer

Ex-quarto-zagueiro do Flamengo
José Carlos Nepomuceno Mozer, o Mozer, quarto-zagueiro do Flamengo, nos anos 80, e do Benfica de Portugal, nos anos 80 e 90. Foi gerente de futebol do Fla de julho de 2016 a março de 2018. Ele ainda tem negócios na cidade de Lisboa-POR, sendo dono de restaurante e de uma fábrica de bolachas.

Mozer, que nasceu no dia 19 de setembro de 1960, no Rio de Janeiro (RJ), foi um dos melhores zagueiros da história do Flamengo. Ele defendeu a equipe da Gávea 1980 a 1986, onde conquistou títulos importantes entre eles os cariocas de 81 e 86, os brasileiros de 80, 82 e 83, a Libertadores de 81 e o Mundial de 81.

Zagueiro de boa técnica, Mozer realizou 34 partidas pela seleção brasileira e disputou a Copa do Mundo de 90. Ele também brilhou no Benfica, clube no qual atuou de 86 a 91 e de 93 a 96, e teve uma passagem pelo Olympique de Marselha, entre 91 e 93.

Habilidade e facilidade em fazer gols:

Mozer não se limitava a ser apenas um zagueiro tradicional, daqueles que costumam dar bicões e "limpar o trilho". Muito habilidoso, Mozer começou a se destacar no Flamengo. E a fazer gols. Um exemplo disso acontece no dia 11 de fevereiro de 1984, quando o Flamengo enfrentou o Santos, no Maracanã. Mozer fez dois belos gols em Rodolfo Rodriguez, grande goleiro uruguaio do Peixe, e o Fla venceu a partida por 4 a 1. O jogo era válido pela primeira fase da Libertadores da América.
 
Em 2007, recebeu convite do Interclube de Luanda para ser treinador profissional. Mozer aceitou o convite e levou o time a conquistar pela primeira vez o campeonato nacional daquele país. A campanha do Interclube foi considerada ótima (26 vitórias, sete empates e três derrotas). Já em 2009 ele dirigiu o Raja Casablanca, de Marrocos.
 
Em 01 de novembro de 2011,  o ex-beque comandou o Portimonense, equipe da segunda divisão da liga portuguesa.
 
Em 2014, Mozer estava vivendo em Portugal, trabalhando como comentarista do jornal A Bola.
 

por Rogério Micheletti

No dia 27 de março de 2014, o portal UOL publicou a seguinte matéria sobre Mozer

Mozer escancara mágoa e diz que foi "posto pra fora" da seleção de 94

José Ricardo Leite e Vanderlei Lima
Do UOL, em São Paulo

Ele poderia ter o invejável currículo de campeão do mundo como titular pela seleção brasileira. Mas não tem e passados 20 anos ainda não se conforma por não fazer parte do grupo do tetracampeonato. "Fui posto pra fora da seleção". É assim que o ex-zagueiro Mozer resume sua exclusão do time que jogou a Copa dos Estados Unidos.

O ex-defensor de estilo clássico e técnico fez parte do Flamengo campeão da Libertadores e do Mundial Interclubes em 1981. Jogou no Benfica e Olympique de Marselha e disputou a Copa do Mundo de 1990. No ciclo para o Mundial de 94, foi presença constante nas convocações de Carlos Alberto Parreira e esteve na lista dos 22 convocados para a Copa. Só que teve uma polêmica saída e acabou dando lugar a Aldair depois da apresentação oficial do grupo.

"Fui cortado e até hoje não sei porque não me deram a chance de estar no Mundial. Não entendo o porquê. (Os médicos) falaram que eu não poderia fazer esforço e que corria risco de morrer. A única mágoa é depois de tanta dedicação não ter o orgulho de ter sido campeão do mundo. Foi bastante frustrante, fiquei privado de ser campeão mundial", falou ao UOL Esporte.

A seleção não quis bancar sua presença no Mundial por ele ter apresentado sinais de alteração nas enzimas do fígado (transaminase), o que caracterizava um quadro de hepatite. Os médicos da equipe brasileira na época, Lídio Toledo (que já morreu) e Mauro Pompeu, fizeram novos exames que, segundo eles concluíram naquele momento, era uma hepatite não virótica, mas tóxica, causada pelo uso excessivo de anti-inflamatórios.

O jogador acabou cortado por entenderem que ele não suportaria a carga de treinamentos com esses problemas. Entre os exames pedidos pelos médicos, houve até um de HIV, que deu negativo. "Foi feito isso, tudo com minha autorização", lembrou Mozer. Foi deixado claro pela comissão médica que ele não teve nenhum problema relacionado ao vírus.

Na época, Mozer alegou que o médico do Benfica lhe receitou uma vitamina que causava as alterações no fígado e dizia que passados mais alguns dias sem o consumo delas poderia haver uma estabilização nas enzimas.

Hoje, ele diz que pediu mais alguns dias para realizar outros exames e reclama que essa oportunidade não lhe foi dada. "Eu tomava um medicamento chamado Sargenou, que aumentava as taxas de enzimas. Tomava para poder me recuperar melhor entre um treino e outro na questão muscular. Tudo seria normalizado depois de um tempo sem tomar. Não me foi dada a chance de fazer novos exames. Pedi mais três dias para a regularização do sangue, mas não esperaram."

Logo após deixar o Brasil, prometeu voltar com a faixa de campeão português. No mesmo período em que a seleção treinava, jogou por seu time e conquistou o Nacional. Para Mozer, houve má vontade e, sem citar nomes, diz que não o queriam na equipe.

"Ninguém me cortou da seleção. Eu é que percebi que naquele momento eu não era bem-vindo e abandonei a seleção. Ninguém veio falar comigo. Ninguém falou nada, não questionaram.  Percebi que não era bem-vindo e temos que ficar nos lugares em que somos úteis.  No fundo não interessava pra eles que eu ficasse lá", falou.

"Fui deliberadamente posto pra fora. Mas o que interessa é que continuo bem e a previsão que eles fizeram ainda não aconteceu. Continuou jogando as minhas peladinhas."

Ele não cita se quando diz não ser bem-vindo se era por parte dos companheiros, mas deixa transparecer que a mágoa é com o então treinador e hoje coordenador da seleção, Carlos Alberto Parreira. Diz que nunca teve a chance de conversar com ele e nem quer. Conversou apenas com Zagallo em encontro após o episódio. "Só eu que falei, ele (Zagallo) não tinha muito o que falar não", declarou. "Quem não me queria no time? Você tem que perguntar para o Parreira."

O zagueiro sempre teve personalidade forte e tinha uma história polêmica anterior na seleção. A imprensa chegou a publicar que ele teria dito a frase "Eu queria mais que o time perdesse, já que não estava jogando" depois da eliminação para a Argentina, em 90, em partida que ficou no banco de reservas. Mozer nega a frase, mas não esconde sua indignação por não ter atuado.

"Obviamente todos nós ficamos chateados quando não jogamos. Principalmente porque não havia um motivo aparente para que eu não retornasse à equipe (começou a Copa como titular e ficou de fora de uma partida por suspensão). Mas quem decide é o treinador e eu tinha que acatar e cumprir ao que a mim foi destinado." Companheiros de seleção na época também dizem que o fato nunca aconteceu. "Não, nunca houve isso. O Mozer não é cara disso. Já vi ele ficar de fora do time e incentivar o tempo todo. Isso é uma mentira", falou o ex-lateral Jorginho.

Médico nega pedido para novo exame

Um dos dois médicos que trataram o caso Mozer foi Mauro Pompeu, hoje com 81 anos. Ele foi procurado pelo UOL Esporte para tomar conhecimento das declarações do jogador e afirmou que Mozer acatou a decisão na época e não pediu mais tempo e nem a chance de realizar novos exames.

"Não teve nada disso (pedido de tempo a mais para novos exames). Ele tinha um problema de articulação e fazia uso abusivo de anti-inflamatórios, e isso agride fígado e rins. E os exames hepáticos anunciaram que ele tinha alteração. Ele não alegou nada, eu cheguei junto com Zagallo e Lídio Toledo e disse ´existe isso e não dá pra você continuar´. E pedi permissão pra falar isso na televisão. E ele falou ´lógico´.  Sempre me reservei muito e preservei a privacidade da questão ética. Mas ele se automedicava com anti-inflamatórios e isso em excesso agride as células hepáticas."

Comissão técnica e supervisores da CBF dizem que apenas cumpriram uma ordem médica e que não havia o que fazer a não ser cumprir a determinação. "O grupo gostava dele sim. Agora, a causa médica eu não sei. O Mozer estava nos planos, mas foi cortado por um problema médico. Eu poderia falar sobre a parte técnica, era bom jogador, mas não sobre a parte médica", falou Zagallo.

O então supervisor da confederação em 1994, Américo Faria, foi na mesma linha. "Os médicos entenderam que ele teria que ter um tempo de descanso em função do problema. Eu, particularmente, me senti muito mal porque eu tinha um carinho especial pelo Mozer", disse. O UOL Esporte não conseguiu contato com Carlos Alberto Parreira.

Jogadores dizem que não havia problema com Mozer

Dois dos principais líderes do elenco de 1994, Jorginho e Ricardo Rocha dizem que Mozer nunca teve problemas de relacionamento com o elenco, nem na Copa de 90, nem nos dias iniciais depois da convocação para o Mundial dos Estados Unidos. Alegam terem ficado tristes com o corte e que não havia o que fazer, a não ser e esperar a definição dos médicos.

"Lamento pelo problema que ele teve, acho que foi no fígado. Foi um dos maiores zagueiros que vi jogar, mas a gente não tinha o que fazer. Acontece, são problemas médicos. Ficamos tristes, claro. Mas o relacionamento dele conosco era excelente, é assim até hoje", falou Rocha.

"A gente estava sem entender muito bem o motivo do corte. Mas o Mozer era um cara extremamente querido por todo mundo. Era um cara descontraído, brincalhão. Eu fui dar um abraço nele e me despedir depois do corte", falou Jorginho.

Mozer atualmente vive em Lisboa e é comentarista do jornal "A Bola".

No dia 31 de outubro de 2017, o Portal UOL publicou a seguinte entrevista com Mozer: 

Mozer quebra silêncio e rebate críticas ao Flamengo: "Ganhamos um título"

Vinicius Castro

Do UOL, no Rio de Janeiro

Mozer quebrou o silêncio. Nove meses depois da última coletiva no Flamengo, o ídolo e atual gerente de futebol do clube falou com exclusividade ao UOL Esporte. A entrevista foi realizada na última sexta-feira (27), na sala de reunião da diretoria no CT Ninho do Urubu. Por mais de uma hora, o campeão do mundo pelo Rubro-negro em 1981 respondeu aos questionamentos sobre o elenco milionário e se defendeu das críticas pela falta de resultados no futebol.

O gerente, no cargo desde junho de 2016, recordou a conquista do Campeonato Carioca invicto na atual temporada quando questionado sobre a falta de títulos de expressão. Ele também exaltou o trabalho realizado no departamento de futebol, falou sobre a função que exerce no dia a dia e o fato de não dar entrevistas.

Jogadores perseguidos, reformulação e outros aspectos envolvendo o Flamengo também compuseram o encontro. Confira abaixo a entrevista exclusiva com Mozer:

UOL Esporte: Você já fez de tudo um pouco no futebol. Foi técnico, comentarista e agora gerente de futebol do Flamengo. Ainda tem um sonho? Qual é o seu objetivo?
Mozer: Quero consolidar o trabalho aqui no Flamengo. Foi para isso que me trouxeram de volta. Cheguei para agregar e ajudar o clube a se manter em um bom caminho. É o objetivo de todos aqui dentro. Acredito muito no que está sendo feito.

UOL Esporte: Você é um ídolo da história rubro-negra e foi bem recebido pela torcida no retorno. Mas como avalia o seu trabalho de acordo com a proposta que foi oferecida pelos dirigentes? Qual é exatamente a sua função?
Mozer: Fui contratado para dividir a gerência com o Rodrigo Caetano [diretor executivo de futebol]. Ele está mais na parte administrativa e tem muitas ocupações. Uma pessoa só no cargo se torna bastante sacrificante. Fiquei mais com a parte próxima ao treinador, campo e categorias de base. O Rodrigo fica com as questões burocráticas e decisivas do futebol. Esse trabalho está sendo fantástico. O Flamengo mudou e montou uma estrutura extremamente profissional. Conduzimos para que seja um clube vitorioso.

UOL Esporte: Muitos, porém, criticam o seu trabalho. Consideram que você aparece pouco, não costuma dar entrevistas e também cobram que um campeão do mundo "mostre a cara" pelo conhecimento que tem do clube. Concorda? Mudaria algo na forma de atuar?
Mozer: Temos regulamentos no Flamengo. Existe hierarquia. A minha função aqui não é dar entrevista. A minha função é trabalhar e reportar ao Rodrigo Caetano tudo o que está acontecendo. Eu tenho que reportar ao presidente, se ele assim achar que devo. Eles não cobram que eu fale nada. Sigo exatamente o que fui colocado para fazer. Não voltei ao Flamengo para dar entrevista toda semana. O meu trabalho é ver se as coisas estão bem, aconselhar o treinador, conversar com os meus jogadores, observar a parte clínica e priorizar as categorias de base para que tenhamos cada vez mais valores da casa no time de cima. Nesse campo, tudo está indo de forma ótima. Reporto as notícias ao Caetano e ele fala quando considera necessário. Temos regulamentos para que as coisas continuem serenas. Por isso, o Flamengo está indo bem.

UOL Esporte: O Flamengo foi eliminado da Copa Libertadores na primeira fase, ficou com o vice-campeonato da Copa do Brasil e tem uma campanha irregular no Campeonato Brasileiro. A temporada deixa a desejar por conta do investimento no elenco?
Mozer: De maneira nenhuma. Cheguei no ano passado e a equipe fez um excelente trabalho. Terminamos em terceiro lugar no Campeonato Brasileiro. Tivemos uma recuperação enorme e esse caminho melhorou muito. Alcançamos três finais em 2017: Taça Guanabara, Campeonato Carioca e Copa do Brasil. Estamos nas quartas da Sul-Americana e em uma situação não muito boa no Brasileirão. Temos, porém, plenas condições de recuperar a equipe e terminar no G-4. É o nosso objetivo. A possibilidade que o Flamengo teve, até o presente momento, é muito boa. Leio muito e escuto. Se avaliarmos junto aos clubes com o mesmo grau de importância, quando dizem que fazem temporadas brilhantes, afirmo que gostaria de ver o Flamengo incluído na lista. Falam do Botafogo, Fluminense, de outros clubes até que não disputaram finais. Não ganharam nada e também foram eliminados de competições internacionais. Mas a análise que fazem está muito longe do trabalho que o Flamengo realiza. Ainda temos possibilidades de alcançar o que propusemos para o ano. Essa avaliação é completamente incorreta, injusta e desrespeitosa no meu ponto de vista.

UOL Esporte: Torcida e imprensa destacam com frequência uma possível falta de vontade do atual time do Flamengo. Isso incomoda? Concorda com as críticas?
Mozer: Não me incomoda, mas acho que é algo pouco inteligente dizer que o Flamengo é um time de bananas. Se fizermos um apanhado das gestões anteriores e compararmos com a dirigida pelo presidente Bandeira, teremos de concreto classificações medíocres no Campeonato Brasileiro. O Flamengo deve ter ficado duas vezes em terceiro lugar, foi campeão em 2009 e depois frequentou do meio da tabela para baixo. A avaliação global do trabalho da direção, que construiu visualmente estruturas e deu melhores condições de trabalho, acaba não contando muito. As pessoas têm memória curta. Foram anos com jogadores se recusando a atuar no Flamengo. O clube não cumpria com salários. Essa direção acabou com isso. O Flamengo tem credibilidade no mercado, paga em dia e não temos problemas com indisciplina. Também não posso concordar quando falam que o futebol não tem comando. Acabamos dando muita voz para pessoas que nunca fizeram nada pelo Flamengo. Isso me choca bastante. É verdade que não ganhamos duas finais no ano, mas chamar essa campanha de medíocre é errado. Só peço para que os torcedores avaliem o passado e pensem bem no que realizamos agora. Falar só por resultados não é o melhor caminho. É claro que precisamos ganhar jogos, mas os adversários também nos encaram com uma motivação muito maior por tudo o que o Flamengo representa hoje em dia. A torcida tem a missão de dar confiança aos nossos jogadores. Queremos o clube disputando títulos em todos os anos. Não adianta ganhar uma vez e ficar cinco anos sem conquistar nada. Trabalhamos para solidificar o futebol do Flamengo, assim como a direção reconstruiu o clube nos aspectos econômico e de credibilidade. Incomodamos muita gente. Precisamos tomar cuidado com isso.

UOL Esporte: Mas existe o reconhecimento do trabalho realizado na questão estrutural e financeira do Flamengo por parte da torcida e da imprensa. O "calo", como o próprio presidente admitiu antes de ser reeleito, está no futebol. Creio que todos na gestão consideram que conquistar títulos de expressão é algo fundamental. Certo?
Mozer: Nós ganhamos um título esse ano.
UOL Esporte: Título de expressão?
Mozer: Todo título tem expressão. Se você não ganha um Campeonato Carioca, o Flamengo vira um inferno. Você tem dúvida disso? Já ganhamos um título, é bom que todo mundo saiba. Temos a possibilidade de ganhar a Copa Sul-Americana e faremos todo o esforço para isso. Pedimos que a torcida esteja conosco e nos ajude a conquistar mais um título de expressão, como assim você disse. Valorizamos todas as conquistas no meio do futebol. Nenhum título é fácil. Se tivéssemos conquistado a Copa do Brasil, o discurso seria completamente diferente.

UOL Esporte: O que falta então para o trabalho do futebol dar certo no Flamengo? Já que o que fica na história do clube são conquistas...
Mozer: Aponto para 1981. Foi um time mágico, não é? Mas demorou alguns anos para ganhar. A equipe começou a ser formada em 1975. Foram seis anos. A direção do Bandeira tem menos tempo do que isso e trouxe a credibilidade de volta ao clube. Estávamos na penumbra. O futebol foi atacado na sequência. Temos dois anos do projeto novo. Ah, mas quantos anos para ganhar? Não sei. O caminho é para nos aproximar do êxito. Já estamos frequentando finais e próximos de outras decisões. Efetivamente, em relação ao time histórico de 1981, estamos com uma antecedência de pelo menos dois anos de êxito. Isso nos dá muita esperança de chegar mais rápido ao topo.

UOL Esporte: Márcio Araújo, Gabriel, Alex Muralha e Rafael Vaz são alguns jogadores que entraram em rota de colisão com a torcida. Você acha que eles ainda têm clima para jogar no Flamengo?
Mozer: A desvalorização de alguns jogadores acontece por excessivo desconhecimento das funções que exercem em campo. Gostaríamos de utilizá-los ainda mais, mas somos impedidos por conta do trabalho negativo que fizeram contra o jogador A, B ou C. Isso cria um grande problema com a torcida quando os encontra em campo. Temos um jogador com uma capacidade enorme e os torcedores não compreendem. É o Márcio Araújo. O Gabriel também é um grande jogador, inteligentíssimo e dotado de uma capacidade técnica tremenda. Também temos dificuldades de colocá-lo para jogar. A torcida não gosta. Ele foi rotulado de não estar qualificado para atuar no Flamengo. A nossa opinião é outra. Márcio, Gabriel, Muralha e Vaz são nossos jogadores. Eles não são adversários da torcida. Deveriam ser apoiados e acarinhados para que rendam ainda mais. O elogio ajuda muito nessas horas. Todo jogador que milita no Flamengo merece respeito e apoio. Eles são ótimos de cabeça. O Gabriel está no clube desde 2013. É o mais antigo. Se não acreditássemos no potencial deles, obviamente que não estariam mais aqui.

UOL Esporte: Você opina nas contratações feitas pelo Flamengo?
Mozer: Todos da comissão técnica participam do processo de contratação. Treinador, preparador físico, auxiliar, Rodrigo Caetano, eu... Conversamos e chegamos ao denominador comum para trazer determinado atleta. Debatemos aqui na sala todos os aspectos. Mas quem decide é o técnico.

UOL Esporte: O Flamengo terá a chamada "barca" ao fim do ano? Já sabe quantos jogadores serão dispensados?
Mozer: Não trabalhamos assim. Se funcionasse desse jeito, o Flamengo continuaria devedor e com grandes problemas financeiros. Compreendemos tudo isso da caça às bruxas, mas as pessoas têm contratos. Tudo custa dinheiro. Mandar jogadores embora não pode ser financeiramente prejudicial e ainda precisamos preencher as necessidades de entrada e saída dos atletas. Tudo conta com uma engenharia para cumprir o que se promete aos jogadores. O Rueda já está analisando o elenco, tudo o que pode ser reajustado e depois discutiremos os assuntos contratuais para que o Flamengo não sofra. Essa filosofia precisa continuar.

UOL Esporte: O Flamengo será agressivo no mercado em busca de reforços para a próxima temporada?
Mozer: Tudo será feito de acordo com as necessidades solicitadas pelo Rueda, mas dentro das possibilidades financeiras do clube. Respeitamos isso fielmente para que o Flamengo cumpra todos os pagamentos. Só tenho a certeza de que seremos mais fortes a cada ano.

UOL Esporte: Ajuda ou atrapalha ter tanta gente decidindo sobre o futebol? Você já falou que todos participam do processo. Mas tem ainda o presidente Bandeira, o diretor geral Fred Luz e outros...
Mozer: Temos as pessoas certas. O Fred é o diretor geral. Nos exige resultados e comportamentos. Transmitimos o que fazemos para ele. Até o presente momento, o Fred está super confiante e satisfeito com o trabalho. É extremamente exigente com os resultados, mas compreende as dificuldades e amadurece constantemente o conhecimento. O Flamengo não milita no Campeonato Brasileiro sozinho. Temos adversários, todo mundo trabalha muito e quer vencer o Flamengo. É diferente ganhar do clube de maior torcida do país.

UOL Esporte: Até quando você fica no Flamengo? Tem contrato?
Mozer: Fico até quando o clube quiser. Não tenho contrato e sou um funcionário como outro qualquer. Estou à disposição enquanto entenderem que sou útil. Sou flamenguista e falo com brilho nos olhos sobre o trabalho que realizamos aqui. Farei muita força para que essa equipe de trabalho continue. Somos sérios e voltados ao melhor possível para o clube.

UOL Esporte: Não pretende mais ser técnico de futebol?
Mozer: Não voltei ao Brasil para isso, muito menos no Flamengo. A minha função é ser gerente de futebol.

UOL Esporte: Você trabalhou com o Mourinho [técnico do Manchester United] por um curto período no Benfica. Ele é um dos treinadores mais badalados do mundo. Aprendeu algo que utiliza no dia a dia do Flamengo?
Mozer: O que eu aprendi foi na Europa, não nos três meses com o Mourinho. Eu não serviria para estar no Flamengo se fosse só por isso. Vivi 30 anos lá, acompanhei as mudanças no futebol português e me aperfeiçoei nos mínimos detalhes. É exatamente o que procuro passar aqui no Flamengo.

UOL Esporte: Você chegou a trabalhar como empresário. Parou?
Mozer: Tentei no início, assim que parei de jogar bola, mas vi logo que não era o meu ramo [risos]. Em um mês já ficou claro que não dava para o negócio.

UOL Esporte: Você indicou o lateral-esquerdo Rodrigo Alvim ao Flamengo?
Mozer: Não indiquei.

UOL Esporte: Mas muita gente do clube colocou na sua conta. O jogador ainda acionou o Flamengo na Justiça. Pode explicar?
Mozer: Eu morava em Portugal e me fizeram uma pergunta sobre o que achava do jogador. Passei as caraterísticas e como funcionava lá. Não tive participação. Apenas respondi um questionamento que me foi feito. Naquela época, ele realmente estava jogando muito bem. Colocar isso na minha conta não existe. Qual é a culpa que tenho de ter respondido uma pergunta? Tenho culpa de os dirigentes da época não terem cumprido o que foi combinado? Não era chegado ao jogador.

UOL Esporte: Pretende aparecer mais a partir de agora?
Mozer: Não. Só quero fazer o meu trabalho. Rodrigo Caetano e eu temos trabalho de sobra aqui no Flamengo. Não falta coisa para resolver.

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Pelo Flamengo:

Atuou em  292 partidas (166 vitórias, 68 empates e 58 derrotas) e marcou 14 gols, segundo números do "Almanaque do Flamengo", de Roberto Assaf e Clóvis Martins.

Pela Seleção Brasileira:


Atuou em  37 jogos (16 vitórias, nove empates e 12 derrotas), segundo informações do livro "Seleção Brasileira 90 anos", de Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

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