Guilherme

Ex-atacante do São Paulo, Atlético-MG e Corinthians
por Rogério Micheletti
 
Guilherme, o Guilherme Cássio Alves, centroavante que fez fama no Atlético Mineiro entre 1999 e 2003, encerrou a carreira aos 33 anos. Guilherme pendurou as chuteiras porque apresentava problemas cardíacos. 
 
No dia 3 de fevereiro de 2020 foi anunciado como técnico do Marília, na disputa da Série A-3 do Campeonato Paulista.
 
Nascido em Marília (SP) no dia 8 de agosto de 1974, Guilherme começou nos juvenis do Marília Atlético Clube, o MAC. Em 1992, ele ganhou oportunidade no time profissional, que contava com o meia Paulo César Maranhão, ex-São Paulo e Flamengo. Os gols do jovem atacante no Paulistão daquele ano chamaram a atenção dos dirigentes são-paulinos.

Em 1993, Guilherme já estava no São Paulo, sendo comandado por Telê Santana. Como reserva, o centroavante fez parte do time tricolor campeão da Libertadores e do Mundial daquele ano. No ano seguinte, tendo mais oportunidade de jogar, ele ajudou o São Paulo a ser campeão da Copa Conmebol e da Recopa Sul-Americana.

Deixou o São Paulo em 1995, após ter feito 44 jogos (20 vitórias, 12 empates e 12 derrotas) e ter marcado 18 gols (números do "Almanaque do São Paulo", de Alexandre da Costa). Guilherme foi negociado com o Rayo Vallecano, da Espanha.

Jogou dois anos no Velho Continente e acertou seu retorno ao futebol brasileiro, em 1997, para defender o Grêmio. Teve boa passagem pelo futebol gaúcho e em 1998 se transferiu para o Vasco. Em São Januário, enfrentou a concorrência de Luizão e Donizete Pantera Negra no ataque. Mesmo assim, em 1999, foi artilheiro da equipe no Torneio Rio-São Paulo, conquistado pelo time cruzmaltino.

Ainda em 1999, Guilherme se transferiu para o Atlético Mineiro. E foi lá, no time das Alterosas, que o centroavante viveu seu melhor momento na carreira. No Brasileirão daquele ano, Guilherme foi artilheiro, bateu recorde que pertencia ao maior ídolo atleticano, Reinaldo, e conduziu o time à final do campeonato. O Atlético Mineiro foi vice-campeão. O título ficou com o Corinthians.

O mesmo Corinthians que Guilherme defenderia em 2002. Emprestado pelo Galo, o atacante chegou ao clube do Parque São Jorge para a disputa do Brasileirão. Logo em sua estréia, em jogo contra o Internacional, no Pacaembu, Guilherme provou que continuava com faro de gol. Ele marcou dois contra o Colorado na vitória corintiana por 3 a 2.

No entanto, a passagem de Guilherme pelo Corinthians não ficou marcada apenas por gols. Em outubro, o jogador se envolveu em grave acidente automobilístico que resultou na morte de duas pessoas. A tragédia ocorreu próximo à cidade de Marília. Psicologicamente abalado, Guilherme não voltou a jogar o mesmo futebol no Corinthians, que acabou sendo vice-campeão brasileiro daquele ano. O Santos, de Robinho, Diego, Léo, Fábio Costa e companhia, ficou com a taça.

Guilherme foi devolvido pelo Corinthians ao Atlético e pouco tempo depois deixou o país para defender o Al Itthihad, da Arábia. Em 2004, ele foi contratado pelo maior rival do Galo, o Cruzeiro. No mesmo ano, Guilherme foi campeão mineiro pelo time celeste. A passagem pela Toca da Raposa foi curta e no ano seguinte o atacante foi defender o Botafogo, seu último clube.
 
Em 2007, o ex-goleador começou a trabalhar no Marília, clube que o revelou, como auxiliar técnico de Jorge Rauli, ex-lateral-direito. Em junho de 2012, assumiu o comando técnico do MAC. "Dirigir o Marília para mim é muito especial, pois cheguei aqui aos sete anos e foi onde tudo começou na minha carreira", disse em sua primeira entrevista como técnico do clube.
 
Após isso, foi auxiliar técnico no Atlético-MG em 2010. Assumiu o Ipatinga-MG em 2011, retornou ao Marília em 2012 e desde 2013 estava à frente do Novorizontino. No dia 14 de junho de 2016, assinou contrato com o Vila Nova-GO para comandar o time na Série B do Campeonato Brasileiro.
 
Em novembro de 2016, foi anunciado como novo técnico do Linense. No entanto, a equipe não começou bem o Paulista de 2017, e o ex-atacante acabou demitido em 20 de fevereiro.
 
Em 22 de fevereiro de 2017 foi anunciado como novo treinador da Portuguesa de Desportos, para comandar a equipe do Canindé na Série A-2 do Campeonato Paulista de 2018. No mesmo ano teve passagem pelo Paysandu.
 
Abaixo, ouça a entrevista que Guilherme concedeu a Milton Neves no programa Domingo Esportivo no dia 27 de março de 2016:

 
 
No dia 29 de maio de 2016, o Portal UOL publicou a seguinte entrevista com o ex-centroavante Alex:

Queda de técnico ofuscou feito de Guilherme contra o Real no Bernabéu

Marcello De Vico e Vanderlei Lima

Do UOL, em Santos e São Paulo

Velho conhecido das torcidas do Corinthians e do Atlético-MG, o ex-atacante Guilherme, hoje treinador, não esconde que o clube mineiro foi a menina dos seus olhos na sua carreira. Jogando por lá ele chegou a disputar uma Copa América (2001) e as eliminatórias da Copa do Mundo de 2002 pela seleção brasileira – é ainda o sétimo maior artilheiro da história do Galo. Segundo palavras do próprio, foram quatro anos excepcionais que fizeram do Atlético-MG o clube mais importante dentre todos que passou. Mas um momento em especial, longe de Belo Horizonte, não sai da cabeça de Guilherme e ainda é apontado pelo atacante como um dos mais memoráveis de sua carreira: dois gols na vitória de 2 a 1 sobre o Real Madrid, em pleno Santiago Bernabéu, no ano de 1996, pelo Campeonato Espanhol.

Guilherme defendia o Rayo Vallecano, e proporcionou a única vitória de sua equipe sobre o gigante Real dentro do Bernabéu. Algo histórico mas que, infelizmente (para Guilherme), não acabou tendo a repercussão que se imaginava. Isso porque a derrota merengue resultou na demissão do então técnico do Real Madrid, o argentino Jorge Valdano. E foi este o assunto mais comentado do momento, deixando os gols históricos de Guilherme em segundo plano.

"Foi a última vez que o Rayo Vallecano ganhou lá dentro do estádio do Real Madrid. Ganhamos de 2 a 1 e eu fiz os dois gols. E o Valdano caiu naquela tarde... Eu tinha 20 anos e me lembro muito bem deste jogo, estava chovendo bastante em Madri. Infelizmente, para mim, como o Valdano caiu, eles [imprensa] deram muito mais ênfase à saída dele do que a nossa vitória, mas logicamente são coisas que ninguém esquece porque, desde aquele ano, toda vez que o Rayo Vallecano vai jogar no Bernabéu o pessoal da imprensa espanhola me liga, porque foi a última vez que o Rayo ganhou lá dentro", recorda em entrevista ao UOL Esporte.

Como o Valdano caiu, eles [imprensa] deram muito mais ênfase à saída dele do que a nossa vitória, mas logicamente são coisas que ninguém esquece"

Guilherme chegou ao Rayo cedo (apenas 20 anos), após uma breve passagem pelo São Paulo, segundo clube de sua carreira – depois do Marília. "Para mim foi muito importante essa minha ida, ainda mais jovem... Logicamente a adaptação sem os pais é um pouco complicada, porém a língua não é tão diferente da nossa, você aprende muito mais fácil do que outra língua... Alimentação, este tipo de problema, eu não tive, mas se adaptar à maneira do europeu de como lidar com o futebol foi o mais importante: esquema tático, obediência, tudo o que envolve realmente ser um atleta profissional. Foram três anos excelentes", disse.

Além da passagem marcante pelo Rayo, clube pelo qual marcou 39 gols em três anos, Guilherme conversou com o UOL Esporte sobre outros assuntos como seleção brasileira, Atlético-MG e seu atual momento na carreira. Confira:

Carreira de técnico
"Agora acabou o contrato, a gente vai começar a negociar agora, eu já tive convite para dirigir equipes da série C, mas a preferência é renovar com o Novorizontino".

"Eu tinha certeza que tinha condições para ser as três coisas: empresário, comentarista ou treinador. Logicamente eu tinha que me preparar pra isso, mas sempre soube que seria treinador. Aí fiquei me preparando por cinco anos... Em 2007 fui fazer um estágio e o Jorge Rauli [ex-jogador] assumiu o Marilia e me chamou para ser o auxiliar técnico dele – hoje ele é meu auxiliar – e eu aceitei. Fui auxiliar no Marilia um ano e meio, depois fui tirar o CREFI e comecei a fazer os estágios, me preparar para a reta final. Logicamente, dos treinadores com quem eu trabalhei, você tira algumas coisas deles. Eu trabalhei em times grandes e peguei os melhores treinadores do país, aí você guarda as coisas boas como eu guardei do Telê Santana de 93/94, você acaba aplicando no dia a dia, mas cada um tem a sua maneira de trabalhar".

Atlético-MG
"Foi onde tudo aconteceu de melhor na minha carreira como jogador. Eu cheguei na seleção brasileira, então para mim o Atlético-MG é tudo. Foram quatro anos, artilharia do Brasileiro [1999, pelo Atlético-MG, com 28 gols], depois entrei entre os 10 maiores artilheiros na história do Atlético-MG, cheguei a sétimo maior artilheiro do clube [139 gols], disputei uma Copa América com a seleção brasileira [em 2001], joguei eliminatórias para a Copa de 2002, tudo jogando pelo Atlético-MG, então não tem como dizer que, para mim, o mais importante na minha vida como jogador foi o Atlético-MG".

Seleção brasileira
"Sempre há discussão se aquele jogador foi importante ou se não foi, esse é o mérito da questão, isso aí a gente não entra, mas tem algumas coisas que são fatos e fatos e números você não tem como argumentar. Então eu fui convocado pelo Felipão para uma Copa América dentro de um espaço de tempo e fui importante pra ele no grupo da seleção brasileira para disputar a Copa América... Isso é um fato, para mim é muito importante e fica no currículo, isso ninguém tira".

[derrota para Honduras na Copa América de 2001, por 2 a 0]

"Talvez tenha sido a derrota mais amarga que eu tenha tido na minha carreira, sem dúvida alguma. Foi aquela derrota doída... Mas a diferença técnica, peso de camisa, ou seja, com tudo isso que você sabe o que eu estou falando, não poderia ter acontecido aquilo. São coisas assim... Como é que o Mazembe ganha do Internacional no Mundial de Clubes? Como o Leicester é campeão da Inglaterra? São coisas que vão acontecer de 100 em 100 anos. Sabe quando Honduras vai ganhar do Brasil novamente? Daqui a 100 anos. Isso só acontece no futebol".
ver mais notícias

Números de Guilherme pela seleção, Galo e Corinthians

Guilherme chegou a ser convocado algumas vezes para defender a seleção brasileira. Isto aconteceu quando ele defendia o Atlético Mineiro. Guilherme fez apenas seis partidas pela seleção. Foram duas vitórias, um empate, três derrotas e um gol marcado (no dia 15 de julho de 2001, contra o Peru), segundo números do livro "Seleção Brasileira 90 anos?, de Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Pelo Atlético Mineiro, entre 1999 e 2003, Guilherme fez 139 gols (como informa o leitor e colaborador Carlos Diniz). E pelo Corinthians, apenas em 2002 (segundo semestre), o atacante jogou 19 partidas (11 vitórias, três empates e cinco derrotas) e marcou 13 gols, como informa o "Almanaque do Corinthians?, de Celso Unzelte.

Selecione a letra para o filtro

  • Tabela

  • BRASILEIRÃO 2019

  • Classificação
    Pontos
  • 1 Fla
    90
  • 2 San
    71
  • 3 Pal
    71
  • 4 Grê
    65
  • 5 Ath
    63
  • Veja tabela completa

ÚLTIMOS CRAQUES