Eder Jofre

Pugilista bicampeão mundial
Com certeza o maior nome do pugilismo do Brasil e talvez do mundo de todos os tempos, o "Pelé do boxe", Eder Jofre, nascido em 26 de março de 1936, tem sua história intimamente ligada ao São Paulo Futebol Clube.
 
Fez um tratamento médico por conta de uma doença crônica, a Encefalopatia Traumática Crônica, antigamente chamada de demência pugilística. Antes, após os primeiros sintomas, chegou a ser erroneamente  diagnosticado com Mal de Alzheimer. Eder melhorou e se recuperou do problema
 
Viúvo de Maria Aparecida, a Cidinha, que faleceu em 10 de maio de 2013, Eder mora com sua filha Andraa e tem mais um filho, Marcel.
 
Em 16 de dezembro de 2014 foi homenageado em Las Vegas, em evento do Conselho Mundial de Boxe (WBC). Segundo enquete feita pela entidade, Eder Jofre é o maior peso galo de todos os tempos.

Além de ter defendido o Tricolor do Morumbi (sim, antigamente os esportes amadores eram tão importantes quanto o futebol), Jofre também é bicampeão mundial.

Em 1960, bateu o mexicano Eloy Sanchez para conquistar o título de peso galo, categoria na qual vivenciou seus melhores momentos. Em 1973, após anos defendendo o título no galo, obteve o cinturão como peso-pena.

Em 1976, o pugilista pendura as luvas com um cartel absolutamente irrepreensível: dois títulos mundiais, 81 vitórias e quatro empates. De quebra, o reconhecimento de diversos órgãos especializados internacionais que o apontam com um dos maiores boxeadores de todos os tempos, com direito a integrar o "Hall da Fama" do esporte.

Sempre foi um atleta exemplar, cuidando muito de sua preparação física e alimentação. Em 1956 tornou-se vegetariano.

Nascido em 26 de março de 1936, em São Paulo-SP, Eder Jofre, filho do também lendário Kid Jofre, cumpriu três mandatos como vereador por São Paulo. A política, porém, cansou o ex-pugilista, que hoje prefere dedicar seu tempo livre à família e a assistir seu clube do coração, indo ao Morumbi.

Fã norte-americano:

Em 9 de julho de 2011, durante a Flip (Fersta Literária Internacional de Paraty), o escritor norte-americano James Elroy, autor de livros adaptados para o cinema, como "Cidade Proibida" e "Dália Negra", confessou sua admiração pelo ex-boxeador brasileiro Eder Jofre.

"Foi o lutador mais perfeito que vi na vida. Ele se tornou político, é verdade? Foi prefeito de São Paulo? É um bom político?", perguntou Elroy ao mediador do evento na cidade histórica do Rio de Janeiro.

"Espero que alguém possa falar para Eder Jofre que sou fã dele, que fiquei uma semana aqui falando bem sobre ele", finalizou o escritor, que também disse admirar outro brasileiro, o maestro e compositor Heitor Villa-Lobos.
 
Em 28 de março de 2014 recebeu uma homenagem do São Paulo Futebol Clube, seu clube de coração, que batizou sua sala de boxe com o nome de Eder Jofre.
 
Em 29 e março de 2014, Eder Jofre recebeu amigos e familiares para comemorar seus 78 anos. Clique aqui e veja a cobertura completa do aniverário de Eder Jofre.
 
Em maio de 2016 foram iniciadas as gravações do filme "10 Segundos", sobre a vida de Eder Jofre. O ator Daniel de Oliveira no papel de Eder e Osmar Prado como Kid Jofre, pai de Eder.
 
Em 16 de junho de 2016, a a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara aprovou o projeto de Lei 2071/15 do deputado Marcelo Matos (PDT-RJ), instituindo para o dia 26 de março o "Dia Nacional do Boxe", data que coincide com o aniversário de Eder Jofre.
 
Em 10 de setembro de 2018 aconteceu em São Paulo, no Cinépolis do Shopping JK, a pré-estreia de "10 Segundos para Vencer", filme que retrata a trajetória de Eder Jofre. Clique aqui e veja a cobertura completa feita pelo jornalista Marcos Júnior Micheletti no Portal Terceiro Tempo.
 
FICHA TÉCNICA

APELIDO: Galinho de Ouro.
NASCIMENTO: 26 de março de 1936.
LOCAL: São Paulo (SP).

TÍTULOS: Campeão da Forja de Campeões (1953), brasileiro dos galos (1958), sul-americano dos galos (1960), mundial dos galos pela Associação Mundial de Boxe (1960), unificado dos galos (1962) e mundial dos penas pelo CMB (1973).
HOMENAGENS: Melhor peso galo do mundo (1963), ingresso no Hall da Fama do Boxe (1992), e eleito pelo "The Ring" o nono melhor pugilista dos últimos 50 anos (2002).
CARTEL: 81 lutas, 77 vitórias (58 por nocaute) e 2 empates.


Em 27 de maio de 2013, Sidnei Dal Rovere contou porque Benedito Ruy Barbosa apelidou Eder Jofre, como "Galo de Ouro"


Quem apelidou Eder Jofre de Galo de Ouro? Por Sidnei Dal Rovere

Antes do brasileiro Eder Jofre conquistar o título mundial dos pesos galo em 18 de novembro de 1960 nocauteando o mexicano Eloy Sanchez no Olympic Auditorium de Los Angeles, EUA, realizou uma luta eliminatória que foi decisiva para a disputa do título mundial.

A eliminatória foi contra outro mexicano, Joe Medel, e foi a luta mais difícil na carreira do "Galo de Ouro" até então. Eder Jofre esteve nos calcanhares, prestes a cair e seus socos potentes foram decisivos para conquistar a vitória frente ao experimentado e ótimo boxeador Joe Medel.

Em 1962 Eder Jofre concedeu a revanche para Joe Medel, mas valendo o título mundial que pertencia ao brasileiro, a luta foi realizada no Ginásio Ibirapuera em São Paulo, o público lotou o ginásio, muitos ficaram do lado de fora porque não havia mais ingressos a venda.

Esse evento foi recorde de bilheteria em eventos esportivos no Estado de São Paulo, somente dois anos depois em um jogo entre o S.C.Corinthians Pta. vs S.E.Palmeiras no estádio do Pacaembu é que foi batido o recorde de bilheteria desta luta.
A revanche entre o campeão mundial Eder Jofre e o desafiante Joe Medel fez o público presente ao espetáculo vibrar com o Galo que mandou Medel definitivamente para a lona no sexto round.

Os presentes ao evento puderam assistir o "Galo de Ouro" manter seu título mundial de forma marcante e a outros excelentes boxeadores brasileiros, na primeira luta do programa a vitória do meio-médio Jorge Sacoman frente Rodolfo Moyano, na segunda luta do programa a vitória do peso médio Abraão de Souza sobre  Miguel Aguero, na terceira luta desse programa o peso pena Oripes dos Santos conquistou o título sul-americano do argentino Ricardo Gonzales e na luta semi final tivemos outra conquista de título sul-americano, na categoria de peso leve, Sebastião Nascimento arrebatou o título do argentino Jaime Giné. O Brasil fez barba, cabelo e bigode no boxe.

O boxe brasileiro brilhava no cenário mundial com Eder Jofre, brilhava no cenário sul-americano, brilhava com as programações e com tantos boxeadores disputando uma ascensão no profissionalismo. Tínhamos revistas de boxe mensais como, a "Nocaute", está anexado a capa da primeira edição dessa revista e a página central que destaca a luta de Eder Jofre vs Joe Medel e a programação do evento.
Esta página central foi comentada, está assinada, por Benedito Ruy Barbosa, isso mesmo, o autor de novelas, Benedito Ruy Barbosa.

Eder Jofre o "Galo de Ouro", quem é que colocou "Galo de Ouro" ao melhor peso galo da história do boxe mundial de todos os tempos?
Resposta: Benedito Ruy Barbosa.
Estaremos contando fatos e histórias do boxe brasileiro sem ordem cronológica, mas de momentos e pessoas importantes da nossa história.

Imagem: @CowboySL
 
ABAIXO O DOCUMENTÁRIO "QUEBRANDO A CARA", DE UGO GIORGETTI

 

Em 13 de agosto de 2014, o portal UOL publicou o vídeo abaixo, com o volta de Eder Jofre aos treinos, aos 78 anos

Festa surpresa para Eder Jofre no dia em que completou 80 anos (26 de março de 2016). O encontro, no Hotel Mendes Plaza, em Santos, foi promovido por Pepe Altstut, que foi seu empresário. Reportagem do `Diário do Litoral´

ABAIXO, OUÇA EDER JOFRE E ELIA JÚNIOR NO DOMINGO ESPORTIVO DA RÁDIO BANDEIRANTES EM 24 DE JULHO DE 2016

ABAIXO, ENTREVISTA DE EDER JOFRE A BRUNA LOMBARDI NO PROGRAMA "GENTE DE EXPRESSÃO", NA DÉCADA DE 1990

 

Abaixo, confira a matéria publicada pelo UOL Esportes no dia 26 de março de 2019:

Éder Jofre faz 83 anos com homenagem à carreira da qual lembra muito pouco

 

Felipe Pereira
Do UOL, em São Paulo

Felipe Lages se move no ringue tipo passarinho, aos pulinhos e numa velocidade frenética que faz imaginar o quanto pulou corda para aguentar o ritmo. O menino de 14 anos luta de olhos arregalados enquanto mira a cabeça do adversário na final até 42 quilos do Campeonato Paulista Infantil de boxe, ocorrido ontem (24) no Centro Olímpico de São Paulo. Na luta seguinte, a caixa de som dá fim ao frenesi.

"Comunico a chegada do nosso eterno campeão Éder Jofre", homenageado por completar 83 anos hoje, 25 de março.

A comoção é tão grande que interrompe o campeonato. Até o locutor, a presidente da Federação Paulista e a mulher que cuida do cronômetro deserdam de seus postos na mesa da organização. Correm para receber a maior lenda do boxe nacional.

Éder Jofre não tem mais a mobilidade de passarinho. Caminha na mesma velocidade de quem usa andador. Logo arranjam uma cadeira e ele é cercado de mimos e flashes. O ex-bicampeão do mundo é só sorrisos. É uma pena que no dia seguinte, ele não vai lembrar de nada.

Andrea Jofre, 50 anos, a filha que abriga o pai em sua casa há alguns anos, explica que Éder Jofre levou tantas pancadas na cabeça que não tem mais memória recente. A doença foi vilã ao ponto de apagar quase por completo as lembranças de sua carreira.

Mas ser ovacionado em um campeonato em que competem moleques de 13 e 14 anos prova que os outros não esqueceram. É o brilho eterno de um campeão sem lembranças.

 

Felipe Pereira
 
Imagem: Felipe Pereira

 

Jofre é sinônimo de supercampeão

Andrea prefere dizer que atualmente o pai vive o presente. Ela revela que conversavam que hoje é aniversário de 83 anos e houve surpresa por parte de Éder Jofre em saber que está com idade tão avançada. "Eu tenho tudo isso? Como?", questionou. Na cabeça do ex-bicampeão mundial, seria algo em torno dos 50 anos de idade.

Sobre a carreira, ela fala que ficaram fragmentos. Perguntar sobre um adversário, uma luta ou título é pedir para ficar no vácuo. Éder Jofre não lembra de nada. Andrea diz que a conversa só funciona quando começam a contar as histórias. Nestas ocasiões, o ex-pugilista tem lampejos e faz comentários complementando o relato.

E histórias não faltam. Éder Jofre foi campeão mundial em duas categorias diferentes e eleito o melhor peso galo de todos os tempos. O prestígio é tão grande que pugilistas que defendem o título dos galos por cinco vezes consecutivas recebem o cinturão de supercampeão denominado Éder Jofre.

Ele é o único brasileiro no Hall da Fama do boxe, sediado nos Estados Unidos. Também foi incluído na lista dos 10 melhores lutadores de todos os tempos, elaborada pela revista especializada "The Ring", em escolha ocorrida no ano de 2002.

A mesma publicação colocou Éder Jofre como o melhor lutador da década de 1960, quando Muhammad Ali também lutava. Na carreira, foram 81 lutas, com 75 vitórias, sendo 50 por nocaute, além de quatro empates e apenas duas derrotas. Ele nunca foi nocauteado.

A carreira é digna de homenagens nos maiores palcos de boxe do mundo, mas no domingo o local era muito mais raiz. Embaixo da arquibancada do campo do Centro Olímpico não há alojamento para jogadores juniores de futebol, como é costume nos centros de treinamento. Há o ringue de boxe da academia que leva o nome do pai de Éder Jofre - José Aristides Jofre. O ambiente não tem ar-condicionado ou qualquer tipo de luxo.

As frases fixadas no quadro revelam os valores da academia. "O sofrimento do corpo fortalece o espírito". "Deus perdoa, o adversário não". "Aqui nascem os campeões da vida. Os covardes desistem da vitória". As fotos de campeões enfeitam as paredes. Dez delas são de Éder Jofre.

 

Felipe Pereira
 
Imagem: Felipe Pereira

 

A vida derrubou o campeão

A doença que faz Éder Jofre esquecer suas glórias é a encefalopatia traumática crônica, antes chamada de demência pugilística. O ex-atleta sofre com esquecimentos e confusões desde a década de 1990, mas nada que fosse considerado grave. O quadro piorou de maneira severa em 2013 com a morte de Cidinha, sua mulher.

A perda levou à depressão e Jofre foi tratado contra mal de Alzheimer. A situação esteve tão feia, que pessoas próximas acreditaram que não haveria volta. Andrea teve medo do pai ter desistido de viver depois da perda de Cidinha.

"Foi o único nocaute que levou na vida. Ele ia dormir chorando e acordava chorando".

A doença fez a imagem da mulher ficar no ostracismo da memória junto com as lembranças dos pais. Ajuda a não sofrer no dia a dia, mas tem um lado ruim. Quando pergunta sobre os parentes, Éder Jofre fica sabendo que morreram e sofre de novo. Andrea sofre duas vezes: por ver o pai triste e pela confusão mental.

 

Maurício Dehò/UOL Esporte
 
Imagem: Maurício Dehò/UOL Esporte

 

O corpo não apresenta falhas

Tirando este problema, Éder Jofre vai muito bem. Andrea conta que nos próximos meses o inverno vai deixar todos em casa com a cabeça zureta e o nariz escorrendo típico dos resfriados. Isso nunca acontece com o pai dela. Doenças crônicas como hipertensão e diabetes também não apareceram. Com exceção do problema na memória, tudo funciona no organismo dele.

Mas tem coisas que nem a doença apagou. Éder Jofre é vegetariano desde o século passado. Um dia, a filha ofereceu carne imaginando que comeria sem contestar. Deu ruim. A paixão pelo São Paulo também permanece, e o ex-campeão reclama cada vez que os jogadores ficam tocando a bola de lado. "O gol é para frente", reclama como qualquer torcedor.

A mente ainda guarda carinho pelo boxe e qualquer luta desperta a atenção. Éder Jofre assiste aos combates televisionados e gravações de suas lutas e outros nomes consagrados. Um dos mais vistos é Mike Tyson, que falou várias vezes ter moldado seu jeito de lutar a partir do estilo do brasileiro.

 

José Guertzenstein/Divulgação
 
Imagem: José Guertzenstein/Divulgação

 

Filme aumentou popularidade

No ano passado, os cinemas e a Rede Globo exibiram "10 Segundos para Vencer", filme que conta a história do bicampeão mundial. O perfil de Éder Jofre nas redes sociais foi inundado por pedidos de fãs que queriam ir à casa do ex-lutador fazer fotos e pegar autógrafos. Seria tanta gente que atrapalharia a rotina da família - Andrea diz que o pai gosta de uma soneca.

Para atender ao público, uma academia de boxe ofereceu o espaço para uma tarde de autógrafos. A data ainda está em definição. Manter-se no meio do esporte faz muito bem ao ex-pugilista. Questionado se queria ir embora depois da homenagem no domingo, foi categórico em falar não.

O ambiente de onomatopeias do boxe o agrada, e muito. Éder Jofre fez cara de muito interessado quando um técnico passou orientações ao pupilo. "Joga para trás e plow, plow, plow", dizia o treinador dando soco no ar, enquanto caminhava como Michael Jackson fazendo "moonwalk". O conselho final ao lutador vem no mesmo estilo de imitar sons de socos. "Quando entrar, é jab, direto: pá, pá, pá".

Éder Jofre ficou até o último combate. O assédio e carinho de lutadores e técnicos também faziam brotar sorrisos que atestavam que domingo foi um dia feliz. Na segunda, tudo foi apagado. Mas não tem problema. Éder Jofre vive o hoje e contou que adora bolo de aniversário. Nesta terça é dia.

 

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APELIDO: Galinho de Ouro.

NASCIMENTO: 26 de março de 1936.

LOCAL: São Paulo (SP).

TÍTULOS: Campeão da Forja de Campeões (1953), brasileiro dos galos (1958), sul-americano dos galos (1960), mundial dos galos pela Associação Mundial de Boxe (1960), unificado dos galos (1962) e mundial dos penas pelo CMB (1973).

HOMENAGENS: Melhor peso galo do mundo (1963), ingresso no Hall da Fama do Boxe (1992), e eleito pelo "The Ring" o nono melhor pugilista dos últimos 50 anos (2002).

CARTEL: 81 lutas, 77 vitórias (58 por nocaute) e 2 empates.

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