Nenhuma equipe no mundo gastou tanto no mercado de transferências quanto o Real Madrid nos últimos dois anos.
E aqui está, diante de vocês, o maior time do mundo... Em crise.
Passaram-se alguns dias desde a surpreendente demissão do treinador do Real Madrid. O choque foi tão grande, que agora, olhando bem em torno desse mega-evento futebolístico, pode-se ver que as coisas são muito mais graves que simplesmente ter-se mandado embora um técnico.
Hoje, menos de 15 dias depois do evento que sacudiu Madrid, pode-se ver que ter mandado embora Xabi Alonso, não parece ter ajudado em nada, em reduzir a tensão no clube espanhol.
Ao contrário: vaias a jogadores, coros contra os dirigentes, críticas ao novo treinador, e muita coisa ainda por acontecer.
Pode-se dizer que este é o momento mais tenso que o clube da capital espanhola passa nos últimos anos.
Dias atrás, Vinicius Junior foi vaiado pela própria torcida. E já considera deixar o clube.
Mas o mais grave são as faixas dentro do próprio estádio Bernabeu, pedindo a cabeça do presidente do clube.
Mais e mais comentaristas espanhóis indicam que esse pode ser o início do fim do reinado de Florentino Pérez, diante do Real Madrid. Isso depois de quase 25 anos na presidência do clube.
Mesmo com a cadência de presidente existir para ele até 2029, Florentino Perez está no olho do furacão e no centro da raiva do torcedor Merengue.
Um momento histórico. Uma vergonha histórica para seus torcedores, um ano que começa para uma temporada que, quase certamente, já se anuncia vazia de títulos mais uma vez.
Todos falam da polêmica demissão de Xabi Alonso do Real Madrid como se fosse uma questão de resultados.
Mas quem só olha para a tabela não entende nada do que realmente acontece dentro do clube.
Os bastidores do time mais poderoso do mundo hoje são assustadores.
Declarações oficiais falam de um acordo mútuo, tranquilo até, entre o clube e o treinador, mas a realidade é outra.
Mas a verdade é que Xabi Alonso foi mandado embora no avião que trazia a equipe de volta da Arábia Saudita, onde disputaram as semifinais e a final da Supercopa da Espanha. Onde o clube foi eliminado pelo arquirrival, Barcelona
E por trás de sua demissão, não é que haja uma única partida ou um resultado específico que justifique essa decisão inesperada do presidente do Real Madrid.
Mas sim uma luta de poder que durou meses.
Silenciosa, contínua, composta por reuniões fechadas, telefonemas privados e relações agora deterioradas entre as partes.
Xabi Alonso não tinha mais química nenhuma com o clube no qual ele jogou e virou lenda como atleta.
Não tinha o apoio da diretoria, não tinha o apoio da torcida, não era apoiado pela imprensa... E, acima de tudo, não era realmente querido pelos jogadores.
Mas Florentino Pérez sabia disso antes mesmo de contratá-lo.
E mesmo assim, Pérez escolheu pessoalmente Xabi Alonso após ele ter sido protagonista em uma das temporadas mais dominantes e perfeitas realizadas por um treinador na Alemanha nos últimos anos.
Alonso chegou ao Madrid vindo do Bayer Leverkusen onde conquistou tudo como técnico: venceu a Bundesliga, com folga. E sem perder uma partida!
Conquistou também a Copa da Alemanha. E construiu uma equipe que se tornou um modelo europeu.
Ordem, intensidade, controle total: eram as marcas registradas no Bayer de Alonso.
E Pérez queria isso no seu Real Madrid.
O Presidente Pérez, então, sem um técnico de peso para substituir Carlo Ancelotti, lembrou que o garoto que ganhou tudo na Alemanha tinha jogado no Real Madrid: ele não recusaria uma proposta.
Basta de treinadores estrangeiros: Florentino Pérez achava que um espanhol e ainda ex-atleta do clube, seria a solução para a crise na qual o clube se meteu até o adeus de Ancellotti para vir treinar a Seleção brasileira.
E o presidente Pérez, que parece saber como ganhar muito dinheiro, mas claramente tem um certo problema na sua gestão com seus treinadores... mas, ele achava que o método alemão poderia levar o Real Madrid de volta ao topo.
Isso, depois de ter forçado a saída de Carlo Ancelotti seis meses antes, em uma despedida que nunca foi realmente explicada em seus bastidores, mas que certamente foi estranha e muito desagradável para todos os envolvidos.
E a torcida, sem entender nada, ficava à mercê dos desejos de Florentino Pérez.
Em menos de um ano, o grande Real Madrid, que busca a estabilidade...teve dois treinadores.
E agora, vê o terceiro técnico, nesse período, dirigir a equipe.
Treinadores vencedores, famosos, importantes, que saem do clube, deixando dúvidas em uma equipe formada por estrelas: receita para o fracasso.
Um grande acontecimento, em um clube gigante, e que, por falta de coragem para confrontar o presidente, é quase ignorado nas ruas de Madri, nos corredores do Bernabéu.
O presidente do clube estava irritadíssimo com a saída de Ancellotti. Então, Alonso chega a Madri com a ideia de liderar o time, ordem clara decidida e comunicada ao novo técnico, pessoalmente pelo presidente Pérez.
Mas então vêm os treinos difíceis, puxados. As proibições de celulares no vestiário, os horários novos...
Longas análises em vídeo. Instruções e orientações constantes em campo. Reclamações públicas contra a equipe e os jogadores.
Bem diferente do que Ancelotti costumava fazer.
Mas o Real Madrid não é o Bayer Leverkusen.
Xabi quis mudar hábitos. E diante de craques super estrelas como Mbappe, Vini Jr., Bellingham e outros....se deu mal.
Na capital espanhola, o poder do maior clube do mundo não vem apenas do banco de reservas.
Vem dos jogadores que importam, dos contratos, da imagem global, dos líderes do vestiário.
E Alonso, acreditando ser o chefe, esqueceu quem realmente mandava.
Os três brasileiros da equipe são uma das bases que desmoronou sob os pés de Alonso.
O principal problema, na chegada de Xabi Alonso, imediatamente se torna Vinícius Júnior.
A relação entre os dois se deteriora rapidamente. E isso, diante das câmeras do mundo todo...
Alonso pede a Vinícius mais disciplina tática, mais trabalho sem a bola, menos liberdade instintiva.
O brasileiro, acostumado a ser a estrela e com um estilo de jogo tranquilo... não reagiu bem às novas ordens do técnico recém-chegado.
Durante a passagem de Alonso como técnico, Vinícius foi substituído 11 vezes em 24 jogos oficiais!!
E muitas vezes antes da metade do segundo tempo. Nada irritou o brasileiro do que essa situação.
Sob o comando de Ancelotti, na temporada anterior, foram quatro substituições de Vini Jr., em mais de 30 jogos. E, quase sempre, por problemas físicos. Nunca táticos como fez Xabi Alonso
E esse fato circulou dentro do clube, entre dirigentes e empresários.
Não passou despercebido.
Imagens de televisão mostraram apenas algumas reações, mas o verdadeiro problema surgiu nos treinos e reuniões táticas.
Vinícius se sentia limitado, controlado, exposto. E infeliz.
E Florentino não queria seu maior goleador infeliz.
Após o El Clásico em outubro, quando Vini Jr. foi substituído e reagiu com raiva diante de todo o estádio, indo direto para o vestiário, com o jogo ainda em andamento, a situação explodiu.
O brasileiro se reuniu com Florentino Pérez, pediu desculpas pelo gesto, mas nunca se desculpou com o técnico.
A partir daí, foi tudo ladeira abaixo. Menos gols, o brasileiro já não falava com o treinador. E sua renovação de contrato ficou paralisada, deixando todo o Real Madrid desesperado com os boatos de que o Chelsea preparava uma oferta milionária para levar o brasileiro.
O clube decidiu não multar Vini Jr., pelo seu comportamento.
Um forte sinal interno. A favor do jogador e contra o treinador. Alonso não gostou nem um pouco.
Naquele momento, Alonso percebeu que não tinha mais apoio total.
Rodrygo, o segundo brasileiro nesta lista, passa por uma situação semelhante, mas em silêncio.
Ele é obrigado a mudar de função diversas vezes, sob o comando de Alonso, mas aceita tudo em silêncio.
Rodrygo perde a continuidade e sente que não é mais peça central do projeto do Real Madrid.
Mais um descontente no time.
Junto com Vini, Rodrygo começa a se tornar um nome em potencial no mercado de transferências europeu de março-abril.
Ninguém está feliz no Real Madrid.
Os resultados são ruins, o ambiente, pior. E na presidência, o limite foi estabelecido: Supercopa da Espanha. Se o Madrid não vencer, Xabi seria demitido.
Dito e feito.
A imprensa, a diretoria, muito menos os jogadores, mas acima de tudo, os torcedores estavam e estão muito insatisfeitos: os resultados estão deixando todos furiosos.
O Real Madrid, que liderava a tabela no começo da temporada, começa a perder pontos, segue piorando e hoje vê o Barcelona 4 a 5 pontos na frente, liderando o campeonato.
E então surge o caso Endrick.
O jovem atacante brasileiro, visto com cara de triste em todos os jogos, sentado no banco do início ao fim, torna-se o caso político mais sério do clube nesta temporada.
Alonso decide seguir sem dar uma chance ao jovem que custou dezenas de milhões de euros ao clube.
Estas dezenas de milhões de euros gastos para pagar o jovem brasileiro, com Alonso não valiam nada.
O técnico prefere usar o jovem espanhol Gonzalo. E Endrick às vezes sequer é relacionado.
Mas Gonzalo não marca gols, não causa impacto e não ganha partidas.
Endrick se torna em um caso simbólico.
Ninguém entende como o atacante que deveria se tornar a estrela do Real Madrid, de repente, está indo para o Olympique Lyonnais, certamente não o melhor time da França... em um campeonato que definitivamente não está no nível dos campeonatos espanhol, inglês ou italiano.
Enquanto na França, Endrick se torna imediatamente um protagonista, Xabi Alonso afunda no Real Madrid.
Endrick marca gol em sua estreia, se torna titular absoluto, vira ídolo instantâneo e tem toda confiança do técnico do Olympique Lyonnais.
Essa alegria na França causa furor na Espanha: "como assim ? ", perguntam os analistas do futebol espanhol.
Como o Real Madrid pode ter errado tão feio, trazendo Endrick, para não jogar?
Alguns dentro do Real Madrid começam a falar abertamente sobre um erro estratégico. De quem? De Xabi Alonso.
Mas a culpa vai para Florentino Pérez, que trouxe Alonso.
Teria o presidente errado em trazer Endrick e Alonso ao Madrid?
Porque faltam gols no Real Madrid.
E Endrick é pago para marcar. Mas agora ele está marcando gols na França. Com metade de seu salário sendo pago pelo Real Madrid!
E enquanto isso, outros jovens, as apostas milionárias de Florentino Pérez, também estão entrando em uma zona cinzenta, com apresentações medíocres.
Arda Güler está com dificuldades para encontrar espaço.
Mastantuono não está conseguindo ser o jogador dominante que era em Buenos Aires.
As expectativas eram enormes, mas o campo conta uma história diferente. A preocupação cresce dentro do clube.
Endrick, Güler e Mastantuono eram considerados o futuro do Real Madrid, mas nenhum deles está rendendo como esperado.
Culpa de Florentino Pérez, diz a torcida e a imprensa.
Erros de escolha de jogadores e de treinadores.
A questão agora se torna política; muitos começam a culpar direta e publicamente a Florentino Pérez.
O problema não é mais o técnico.
Chegaram as pesadas derrotas: O Real Madrid é derrotado pelo Liverpool na Liga dos Campeões.
Perde para o PSG no Mundial de Clubes da FIFA.
E perde para o Atlético de Madrid no campeonato espanhol.
Os dirigentes do Real Madrid conversam com os jogadores.
Sem Xabi Alonso presente.
Eles ouvem. Entendem que as coisas não vão bem no vestiário do clube.
Alonso tenta aliviar a pressão, se dá conta que a situação está crítica. Ele então reduz as reuniões por vídeo que obrigava os jogadores a assistir em seus momentos de folga.
E começa a dar mais dias de férias aos jogadores. Mas o estrago já está feito.
Ninguém no clube apoia Xabi Alonso.
Mas para aqueles que pensavam que o motivo da saída de Xabi Alonso eram os jogadores brasileiros, eis uma surpresa: um francês parece ser a causa final da demissão do treinador.
A cena que parece ter definido a decisão do Presidente de demitir Alonso, aconteceu na Arábia Saudita, após a derrota na final da Supercopa da Espanha para o Barcelona.
Uma cena de filme:
Alonso pede ao time que permaneça em campo para a cerimônia de premiação dos adversários.
Kylian Mbappé, porém, furioso com a arbitragem e com a violência dos jogadores do Barcelona( De Jong foi expulso com vermelho direto ao entrar forte nas pernas de Mbappè), diz aos seus companheiros para saírem imediatamente.
Mas os jogadores seguem Mbappé e ignoram o treinador.
Alonso permanece sozinho em campo.
É uma imagem forte, que pesa muito sobre o clube até hoje.
Naquele momento, todos no clube sabiam: perder para o Barça, daquele jeito, com o drama de Mbappé... já estava claro: a aventura de Alonso no Real Madrid havia chegado ao fim.
Na mesma semana, o técnico do Manchester United também foi demitido. Mas o mundo só olhava para o Real Madrid.
Todos falavam de Vinícius Júnior. Todos se perguntavam se ele era o responsável pela queda de Alonso.
A verdade é que Vinícius se tornou o símbolo de uma crise maior envolvendo Mbappé, Rodrygo, Endrick e uma comissão técnica que lutava para encontrar o equilíbrio.
Antes do anúncio oficial, Florentino Pérez buscava o caminho que almejava há anos.
Zinedine Zidane era o alvo do presidente. O homem que trouxe nada menos que 3 Champions League consecutivas ao clube espanhol.
Os contatos começaram antes mesmo da renúncia de Alonso.
Zidane, por sua vez, estava no Marrocos para a Copa Africana de Nações.
Ele estava lá para acompanhar seu filho, Luca Zidane, goleiro da seleção argelina.
Ele vivencia o torneio como um pai, observando, ouvindo.
Mas diz não ao clube onde conquistou as 3 Ligas dos Campeões e o coração dos torcedores.
Zidane não quer este time do Real do jeito que ele está formado.
Este elenco não é o dele.
Muitos jogadores não são aqueles que ele escolheria para construir seu modelo.
Além disso, o Real Madrid não pode fazer grandes contratações durante a temporada.
Não há margem para erros.
Zidane sabe que aceitar agora significa trabalhar com um time construído por outros.
E significa também fechar a porta para a possibilidade de se tornar o técnico da seleção francesa após a Copa do Mundo da FIFA.
Ele prefere esperar.
Assim como Xabi Alonso, Zidane entende que a saída de Modric do Real Madrid deixou o meio-campo sem liderança. Outra decisão absurda de Florentino Pérez...
O Real Madrid então aposta em Álvaro Arbeloa.
Arbeloa, ex-jogador do Real Madrid, não chega pela janela de transferências, como treinador contratado do mercado internacional.
Ele é funcionário do clube: treina o Castilla FC, o time B do Real Madrid.
Uma solução improvisada e temporária.
Um banco de reservas que precisa ser mantido "aquecido" até a chegada de um grande nome.
E Arbeloa sabe disso.
Mas agora, em sua primeira entrevista, ele envia imediatamente uma mensagem clara ao vestiário e, principalmente, à estrela do clube, Vinícius Junior.
Ele diz que ficará feliz em "ver Vinícius Junior dançando e se divertindo em campo!"
É uma declaração muito forte. Diz tudo sobre a diferente filosofia de Xabi Alonso.
É o oposto da postura de Alonso.
O vestiário entende imediatamente que o clima já está mudando. Ninguém acha que Arbeloa ficará por muito tempo, mas todos estão aliviados.
E qualquer um que entenda de futebol sabe que o vestiário pode derrubar qualquer treinador.
E também pode mantê-lo no cargo.
Arbeloa está confortável: para a comissão técnica e para os jogadores. Ele fica até quando disserem para ele ficar. E então volta para o time B do Real Madrid.
Mas o quadro final é duro.
No fim das contas, são dois grandes treinadores queimados em seis meses no Real Madrid.
Ancelotti saiu sem uma explicação clara até hoje.
E agora Xabi Alonso foi demitido abruptamente, depois de ter sido escolhido como símbolo da nova direção que a equipe declarou querer seguir.
Jovens jogadores de grande talento de todo o mundo, contratados pelo Real Madrid, que não estão se desenvolvendo como esperado.
Estrelas que comandam a equipe e o vestiário.
Rumores da saída de Vini Jr. do Chelsea...
Uma gestão que toma decisões e se contradiz.
E, ao longe, um Barcelona que vence consistentemente na Espanha, lidera o campeonato, coleciona títulos.
Enquanto o Real Madrid parece frágil, nervoso, sem uma direção clara.
Hoje, o Real Madrid não está apenas passando por uma crise técnica.
Está passando por uma crise, histórica, de poder, gestão e identidade.
E desta vez, trocar de treinador não é mais suficiente para esconder tudo isso.
Basta perguntar a Zidane, que recusou dezenas de milhões de euros em salário para treinar o Real Madrid atual.