Cilinho

Ex-técnico do São Paulo
por Rogério Micheletti
 
Mesmo sendo considerado um dos melhores técnicos do país nos anos 80, Otacílio Pires de Camargo, o Cilinho nunca comandou a Seleção Brasileira. O treinador chegou a ser convidado para o cargo, mas não aceitou algumas exigências da confederação.
 
Cilinho morreu no dia 28 de novembro de 2019, aos 80 anos, em Campinas. O ex-técnico estava se recuperando de um quadro de AVC, sofrido em abril de 2018. 
 
De personalidade forte, homem conhecedor do futebol, Cilinho fez fama no São Paulo nos anos 80. Em novembro de 2007, ele assinou contrato com o Corinthians para ser coordenador das categorias de base do clube. Em março de 2008, ele foi demitido pela diretoria corintiana. "O Cilinho foi importante no curto período em que esteve aqui. Mas agora já temos uma outra etapa", falou à época o presidente corintiano Andrés Sanchez. 
 
Elogios de Careca

Antes de aceitar o convite corintiano, Cilinho morava em sua chácara na cidade de Campinas (SP), onde vive o ex-goleador Careca, fã do treinador. "O Cilinho era bastante criativo e dava liberdade para o jogador dentro de campo. Gostei muito de ter trabalhado com ele no São Paulo", resume Careca, que sob o comando de Cilinho foi campeão paulista pelo São Paulo em 1985.

Revelações, títulos...

Cilinho foi o principal responsável pela reformulação do elenco tricolor a partir de 1984. Jogadores experientes como Waldir Peres, Serginho Chulapa, Zé Sérgio, Humberto, Almir, Paulo César Capeta, Getúlio e Heriberto deixaram o clube do Morumbi. A substituição não foi por "medalhões", mas sim por jogadores mais jovens.

Silas, Muller, Sidney, Márcio Araújo e Nelsinho ganharam oportunidades ou se firmaram como titulares. O fato mais curioso aconteceu quando Paulo Roberto Falcão foi contratado. Apesar de ter o status de ser o "Rei de Roma", o meio-campista revelado pelo Internacional não conseguiu ter regalias com Cilinho, que chegou a colocá-lo no banco de reservas de Márcio Araújo.

Além de dar chances a jogadores criados dentro do próprio clube, Cilinho era um bom observador. Vários jogadores indicados pelo treinador também fizeram sucesso no Tricolor, entre eles o volante Bernardo (ex-Marília), o lateral-direito Zé Teodoro (ex-Goiás) e o ponta-direita Mário Tilico (ex-Náutico).

Cilinho também foi o técnico do time do São Paulo que venceu o Paulistão de 87. A equipe base tricolor, que bateu o Corinthians na final, era: Gilmar Rinaldi; Zé Teodoro, Adilson, Darío Pereyra e Nelsinho; Bernardo, Silas e Pita; Muller, Lê e Edivaldo.

Além do São Paulo, onde mais se destacou, Cilinho dirigiu outras importantes equipes do futebol brasileiro, entre elas a Ponte Preta, o Guarani (equipe onde chegou a atuar como jogador nos juvenis), o Corinthians, a Portuguesa e o América de São José do Rio Preto (SP).

Como técnico profissional do Corinthians, Cilinho teve uma rápida passagem em 1991. O time alvinegro ficou com o vice-campeonato paulista (perdeu justamente para o ex-time de Cilinho, o São Paulo, a final). O desentendimento com o presidente Vicente Matheus e os meio-campistas Márcio e Neto pesaram para a sua saída do Parque São Jorge.

Números pelo São Paulo e Timão

Cilinho comandou o time principal são-paulino em 243 jogos (108 vitórias, 85 empates e 50 derrotas), segundo números do "Almanaque do São Paulo" - Alexandre da Costa. Como técnico do Corinthians, no Paulistão de 91, Cilinho trabalhou em 36 partidas. Foram 16 vitórias, 16 empates e apenas quatro derrotas (números do "Almanaque do Corinthians", de Celso Unzelte). 
 
Em 2011, já como um treinador experiente, Cilinho assumiu o desafio de treinar a equipe do Rio Branco, de Americana, que figurava na Série C do Campeonato Paulista.

Cilinho, que tinha quatro filhos e seis netos, foi internado no Hospital da PUC de Campinas em 15 de abril de 2018, com um quadro de AVC (Acidente Vascular Cerebral). Recebeu alta hospitalar em 20 de julho de 2018, com sequelas (paralisia do lado esquerdo), para continuar o tratamento em casa. Morreu mais de um ano depois, em 28 de novembro de 2019, em Campinas-SP. 
 
HOMENAGEM
 
O jornalista Flavio Gomes, torcedor da Portuguesa de Desportos, postou um texto em seu Facebook no dia da morte de Cilinho, 28 de novembro de 2019, que segue abaixo, na íntegra:
 
Morreu hoje Cilinho, que sempre considerei o melhor técnico da história no Brasil. Ele via futebol de outro jeito. Dava livros para seus jogadores. Recusou a seleção. A Portuguesa foi o primeiro grande a lhe abrir as portas em 1972. Tinha 33 anos e fizera ótimo trabalho na Ponte. Estreou com vitória sobre o Corinthians, 1 a 0. Foi demitido já em 1973 depois de um empate com a Ferroviária no Canindé. Assumiu Oto Glória e a Lusa foi campeã. Voltou 20 anos depois, em 1993. E foi também a Portuguesa o último grande que dirigiu. Cilinho não teve o reconhecimento que merecia. Todo nosso respeito a ele.
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o Números pelo São Paulo e Timão

Cilinho comandou o time principal são-paulino em 243 jogos (108 vitórias, 85 empates e 50 derrotas), segundo números do "Almanaque do São Paulo" - Alexandre da Costa. Como técnico do Corinthians, no Paulistão de 91, Cilinho trabalhou em 36 partidas. Foram 16 vitórias, 16 empates e apenas quatro derrotas (números do "Almanaque do Corinthians", de Celso Unzelte).

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