Ranulfo Ranal

Ex-quarto-zagueiro do Nacional-SP
por Marcos Júnior / colaboração de Ricardo Andrade Ranal, filho de Ranulfo

Ranulfo Ranal nasceu na cidade paulista de Pirajuí, distante 400 quilômetros da capital, em 27 de maio de 1948.

Começou sua carreira futebolística pelo Nacional Atlético Clube, equipe da capital paulista em 1969, onde permaneceu por quatro anos.

Foi contratado pelo Dom Bosco, de Cuiabá-MT, onde permaneceu por seis meses até sofrer uma contusão grave no joelho, retornando a São Paulo.

Quando recuperou-se da lesão, um empresário famoso convidou Ranulfo e outros jogadores para uma excursão para jogarem na Europa, que segundo ele renderia milhares de cruzeiros aos atletas. Essa excursão acabou transformando-se em uma aventura cheia de problemas, que está bem descrita na página seguinte.

Após encerrar sua carreira esportiva, Ranulfo começou a trabalhar na empresa Caterpillar (tratores e máquinas) em diversas funções, entre elas o tratamento térmico de peças. Na empresa, Ranulfo era um dos destaques do time de futebol de campo, que participava de diversos torneios.

A Caterpillar transferiu-se para a cidade de Piracicaba-SP e Ranulfo preferiu ficar na capital, passando a trabalhar na MWM International Motores, a mesma em que seu filho Ricardo atualmente trabalha como engenheiro eletrônico.

Ranulfo está aposentado, bem como sua esposa Alda, que foi professora de história. O casal, que reside no bairro São Luis, zona sul de São Paulo, teve três filhos: o engenheiro Ricardo, que é casado com Karlla (professora), Mônica (cooredenadora de eventos de uma empresa farmacêutica) e Taíse (professora).

Não bastasse a alegria proporcionada pelos três filhos, o casal é vovô da querída Júlia, filha de Ricardo e Karlla.
Na próxima página veja a história da excursão de que Ranulfo participou pela Europa
 
 

 


Leia abaixo a reportagem adaptada do Jornal da Caterpillar na década de 80, empresa em que Ranulfo trabalhou, sobre a excursão pela Europa:

Em Tenerife, a delegação fez seu primeiro jogo com o time local, conseguindo um empate 1 x 1. No jogo seguinte, em Las Palmas, o time de Ranal perdeu por 2 x 1. Foi a primeira de uma série de sucessivas derrotas em todos os demais jogos do combinado no exterior. Os "comerciantes? ficaram alojados em Loreto, cidade turística da Espanha, perto de Barcelona. Lá residia o outro empresário dos jogadores.

Em jornadaheróica, viajando milhares de quilômetros numa perua Kombi, a delegação começou a percorrer a Europa a procura da prometida fortuna e de novos adversários. Jogaram em Lisboa com o Sporting. Após o jogo armou-se grande confusão. Os empresários tinham anunciado um grande time brasileiro e a presença de conhecidos jogadores. Diante do fracasso do combinado, a torcida brasileira que foi ao campo ficou indignada e pôs a turma a correr. E lá se foi o Ranulfo com seu grupo, de Kombi, para Strasbourg (França) e Neuchtel, Suíça, onde jogaram uma semana antes da chegada da seleção brasileira (1974). 

Com a boa renda desses jogos, o empresário que acompanhava os moços desapareceu. A situação que já não era boa, pelas viagens cansativas, falta de boa alimentação, de acomodações, de preparo físico, tornou-se totalmente caótica. Ninguém sabia mais o que fazer. O jeito foi voltar a Loreto e lá permanecer sob a custódia do outro empresário (proprietário do hotel onde estavam hospedado), e tentar retornar ao Brasil, o mais depressa possível. Os jogadores passaram os maiores apuros, até fome. Somente com a ajuda do Consulado Brasileiro em Barcelona, e de outras pessoas ligadas ao futebol, e que conseguiram, depois de quase seis meses de estada forcada na Europa, retornar ao Brasil sãos e salvos.

Três meses apos uma atribulada excursão pela Europa, o quarto zagueiro Ranulfo Ranal pendurou as chuteiras e foi trabalhar no Departamento de Distribuição de Peças da Caterpillar do Brasil, passando a fazer parte o time da empresa. Ali permaneceu durante 15 anos.

Fome e humilhações:

Depois da fuga do empresário com o dinheiro dos jogos, a seleção de Ranulfo entrou em pânico ao ver-se abandonada no hotel do outro empresário sócio, que também sentiu-se lesado e desobrigado de hospedar os atletas, passando então, a racionar a alimentação e outros "privilégios de atletas". Essa situação gerou nervosismo e desespero nos jogadores, os quais, não resistindo mais a fome, passaram a "visitar" a cozinha do hotel durante a noite e levar para os quartos, peças inteiras de mortadela, queijo, pão e coca-cola, escondendo as sobras para o dia seguinte.

Alguém notou o desfalque na cozinha e esta passou a ficar fechada durante a noite. Curiosa foi a maneira como conseguiram entrar pela segunda vez: Domingos, o menor e mais franzino, foi levantado pelos colegas até o passa-pratos ( janela, por onde são entregues os pratos aos garçons). Ai ficou entalado por alguns segundos, mas conseguiu passar com dificuldade retornando com o jantar garantido. Foi a última vez. Todos os lugares que davam acesso ao local foram trancados com cadeados. Por essa razão, após serem interrogados pelo proprietário, confessaram o "crime" alegando fome. Foi aí que resolveram "melhorar" o cardápio dos rapazes.

Ranulfo, temendo a situação, decidiu procurar o Consulado Brasileiro e expor o problema. Para isso, convidou seu colega, Osnei para ir até lá. Todos temiam falar com o cônsul. Este após tomar conhecimento do fato e oferecer um cafezinho brasileiro, apos um alerta sobre "contos do vigário", entrou em contato com o proprietário do hotel e exigiu bom tratamento para os jogadores ate que ele solucionasse o problema. Essa atitude levou o proprietário do hotel a fazer uma reunião com os indesejados hóspedes a fim de saber quem havia feito a denúncia. Ranulfo revelou tudo, deixando o "chefe" bem esclarecido.

Com o tempo, o proprietário passou a admirar a coragem e honestidade de Ranulfo, melhorando bastante o entendimento entre eles. Depois de seis meses de estadia na Europa e negociações do Consulado com o Brasil, chegaram as tão desejadas passagens aéreas de volta. Antes de embarcar o dono do hotel pediu o terno (uniforme) dos jogadores para leiloar e assim, recuperar parte do prejuízo que também tivera nessa historia. Os jogadores que não queriam mais saber de seleção, não fizeram nenhuma objeção e doaram seus uniformes, se livrando definitivamente da enroscada em que se meteram.
 
A esposa de Ranulfo, a senhora Alda, criou um site onde conta as histórias do ex-jogador, além de muitíssimo bem ilustrado com maravilhosas fotos.
CLIQUE AQUI PARA CONHECER O SITE DE RANULFO
 
Leia abaixo uma declaração de Ranulfo e em seguida o comentário de sua esposa e filhos:

"O meu sonho, era ver o jogo da decisao do Campeonato da 1ª Divisao de 1970 ? transmitido pela TV - entre o Nacional e Noroeste do qual participei, assim como de todos os outros desse campeonato". Essa e a frase que Ranulfo sempre repete com os olhos marejados e a razão que me levou a homenageá-lo com este singelo site, onde ele podera comtemplar e partilhar com seus amigos e demais interessados, seus momentos memoraveis e inesqueciveis.

Quando bate a saudade, Ranulfo pega seu album de fotografias e o envelope com cartoes postais dos paises e cidades por onde passou, le as reportagens dos jornais sobre os jogos dos quais participou e fica mais orgulhoso quando os amigos fazem comentarios sobre os seus melhores momentos.

Apesar das dificuldades, decepcoes, desafios e fracassos nas lutas pela realizacao do seu sonho, Ranulfo ainda e fiel ao seu esporte favorito. Se assim nao fosse, nao guardaria as lembranças e tampouco deixaria de assistir e acompanhar tudo sobre futebol, principalmente nas horas vagas.

Com muito amor e carinho, dedico este trabalho ao meu amado e companheiro de todos os momentos, que ainda sonha. Pois tudo que a vida lhe proporcionou e ainda proporciona, sao oportunidades de aprender, crescer, viver e partilhar.

Sua esposa e filhos
Alda, Ricardo, Monica e Taíse

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