Negri

Ex-goleiro do Juventude, Santos e Colorado-PR

por Gustavo Grohmann

Aribaldo de Negri, o Negri, goleiro do Juventude nos anos 70, morreu em 15 de junho de 2022, aos 78 anos. A causa da morte não foi revelada, e as cerimonias fúnebres foram realizadas no Memorial Crematório São José, em Caxias do Sul-RS.

Ele reisidi em em Caxias do Sul (RS), onde estava aposentado após 23 anos como supervisor técnico do próprio EC Juventude. "Passo a maior parte do tempo curtindo a minha família, entre Caxias e um sítio que tenho no município de Picada Café, na chamada ´Rota Romântica´, na Serra Gaúcha, pertinho de Gramado", revelou o ex-goleiro em entrevista.

Negri começou a carreira em 1961, nos juvenis do EC Floriano, da cidade de Novo Hamburgo (RS), passou pelo Grêmio Esportivo Flamengo de Caxias do Sul (atual SR Caxias) e de 1964 a 1970 defendeu a meta do Juventude, conquistando os títulos de tricampeão da Taça Cidade de Caxias do Sul e tricampeão do interior do estado pelo campeonato gaúcho.

Nesse primeiro período como goleiro do Alviverde de Caxias do Sul, ele também conseguiu o vice-campeonato estadual de 1965, quando o time base do Juventude era formado por: Negri, Everaldo, Mauro, Almir e Bugre; Nezito, Bira e Hermes; Babá, Luiz César e Parobé. "O lateral Everaldo foi um dos grandes amigos que tive no futebol. Ele veio para o Juventude emprestado pelo Grêmio, mas logo voltou para Porto Alegre e em 1970 foi tricampeão do mundo pelo Brasil, na Copa do México?, recorda o ex-goleiro.
Negri teve uma rápida passagem pelo Santos FC, por empréstimo, em 1969. "O Juventude me emprestou por indicação do Calvet (ex-zagueiro do Santos). Eu disputei o Torneio Início do campeonato paulista de 69, mas como não houve acerto financeiro entre os dois clubes, acabei voltando para o sul?, conta o ex-jogador.

Em dezembro de 1970, o Juventude negociou Negri com o Ferroviário de Curitiba (PR) e lá ele foi vice-campeão estadual e escolhido como o melhor goleiro da competição. Em 1972 foi negociado com o Colorado EC (um dos fundadores do atual Paraná Clube) e novamente conseguiu o vice-campeonato paranaense. No ano seguinte, emprestado ao Caxias, atuou atrás de um zagueiro que não brincava em serviço: Luis Felipe Scolari, o Felipão (técnico do Brasil no pentacampeonato de 2002).

Em 1974, voltou ao Colorado, foi mais uma vez vice-campeão paranaense e conquistou o título da Taça Cidade de Curitiba. No ano seguinte voltou ao gol do Juventude e, em 1977, ainda em atividade como goleiro profissional, foi chamado para trabalhar com a diretoria alviverde.

"Fui convidado pelo então presidente do EC Juventude, Sr. Carlitos Chies, a assumir a supervisão geral do clube, que foi convidado para disputar o campeonato nacional", comentou na ocasião.

Mas em 1978, após as contusões dos dois guarda-metas do Juventude, Negri foi surpreendido por um convite de Enio Andrade, então técnico do Alviverde de Caxias do Sul. "Na pré-temporada, ainda como supervisor, vi o Roberto e o Wandir se lesionaram. Então, o Enio fez-me um convite para voltar a jogar, apenas naquela emergência. Eu prontamente aceitei e após 15 dias de treinos intensivos fiz minha reestréia jogando um amistoso internacional contra a seleção de Obera, na Argentina. Acabei participando de todos os jogos da primeira fase do campeonato gaúcho daquele ano e quando os goleiros se recuperaram voltei às minhas atividades como supervisor", revelou Negri.

E não é quem em 1979 a peculiar situação voltou a acontecer? Novamente por problemas de lesões, Negri foi convocado para voltar ao posto de guarda-metas do Juventude, dessa vez comandado pelo técnico Márcio Eugênio. Atuou em algumas partidas, mas no final do ano encerrou definitivamente a carreira como jogador: "Continuei como supervisor do Juventude até 2001, quando me aposentei após 23 anos com o funcionário do clube e nove anos como atleta profissional?.

Aribaldo de Negri era casado com Marisa Martins de Negri, com quem teve dois filhos (James e Elizabeth) e dois netos (Vitória,  filha de James, e Diana,  filha de Elizabeth).

O primeiro goleiro a usar luvas

Negri afirmava ter sido o primeiro goleiro do Brasil a usar luvas durante os jogos. Tudo porque, em 1965, machucou uma das mãos e seu treinador queria que ele jogasse mesmo não estando 100%. "Sofri um acidente no dedo indicador da mão direita, mas o Sr. João José Batista Grossi, o popular Pastelão (à época seu treinador), queria que eu voltasse a jogar de qualquer maneira. Falei que só poderia voltar para o campo com as mãos protegidas por luvas especiais para o futebol, que eram utilizadas apenas na Europa", contava o saudoso ex-goleiro.

As luvas foram estreadas no campeonato gaúcho daquele ano, na partida contra o Brasil de Pelotas, no estádio Alfredo Jaconi, quando o Juventude venceu por 2 a 1. "Com dificuldades consegui comprar um par de luvas em uma loja de esportes, a Couro Esportes, de Porto Alegre, sendo que já estavam a mais de seis meses em exposição na vitrine. Estreei o novo acessório em uma vitória e a partir daquele momento me tornei o primeiro goleiro profissional do Brasil a usar luvas regularmente", lembrava, orgulhoso, Negri.

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