Milton Peruzzi

Ex-cronista esportivo
por Milton Neves
Milton Peruzzi, o marcante cronista esportivo palmeirense, morreu no dia 21 de fevereiro de 2001, no Guarujá, litoral de São Paulo.

Longe do microfone, Milton Primo Pierini Peruzzo, o Milton Peruzzi, cantava e vibrava com o seu Palestra invencível. Ele estava morando na Pérola do Atlântico e faleceu vítima de câncer generalizado. O Palmeiras, em reconhecimento ao seu amor incondicional pelo clube, concedeu à sala de imprensa da Academia de Futebol em 2008 o nome de Milton Peruzzi.

Ele comandou por anos e anos, como ninguém, a nitroglicerínica "Mesa Redonda Futebol é com 11", na TV Gazeta de São Paulo e o programa esportivo radiofônico "Disparada no Esporte", na Rádio Gazeta da capital paulista. Seu auge aconteceu durante os anos 70 e 80.

Além disso, Peruzzi inventou a expressão "Tudo terminou em pizza", quando retratou um momento político conturbado do Palmeiras nas páginas de "A Gazeta Esportiva". É que o conflito político palmeirense terminou nas mesas de uma pizzaria próxima ao Parque Antártica.

Hoje, o jornalismo brasileiro, político, econômico ou esportivo, sempre registra a frase "patenteada" por Peruzzi quando quer definir que alguma situação polêmica não teve um final feliz, principalmente quando a opinião pública exige uma punição exemplar acabando por se decepcionar.

Acima, você confere o eclético Peruzzi entrevistando o palmeirense Jair Rosa Pinto, na tarde do dia 11 de setembro de 1954, no Pacaembu.
Naquele sábado, o Palmeiras goleou o Ypiranga por 4 a 0, em partida válida pelo primeiro turno do Campeonato Paulista de 1954.

A pizza é do Peruzzi
 
"O valerioduto delubiano pagador de pato grande ligou fortemente Belo Horizonte com Brasília, liberou geral todo o sistema de esgotos das duas capitais, mas agora está exalando forte cheiro de orégano. Pizzas de todos os tamanhos são montadas, tentadas, sonhadas, preparadas e lobizadas. Mesmo com dezoito cassações pedidas, será que todo esse imbróglio vai de novo terminar em pizza? Terminar em pizza? Mas por que essa expressão já tão enraizada na boca do povo, na literatura brasileira e em todas as editorias do jornalismo de nosso país? Por que quando uma punição tão esperada tem resultado frustrante logo dizem que "assaram uma pizza" ou que "tudo terminou em pizza"? Quem inventou isso e por quê? Eu explico, informo, faço justiça e peço que também trombeteiem em suas tribunas. Foi Milton Peruzzi, o saudoso Milton Primo Pierini Pieruzzo, morto no Guarujá-SP, no dia 21 de fevereiro de 2001, o inventor involuntário desse bordão que passou a ser de domínio público a partir de 1960. Peruzzi, à época, era setorista da também saudosa "A Gazeta Esportiva" lá no seu querido Palmeiras quando estourou violenta crise política envolvendo os cartolas alviverdes Delfino Facchina, Ferruccio Sandoli, Nicola Raccioppi, Arnaldo Tirone, Pascoal Walter Byron Giuliano, Nelson Duque, Brício Pompeu de Toledo, Francisco Hipólito, dentre outros. O pau quebrou dentro e fora do Parque Antártica enquanto os cardeais se engalfinhavam nas dependências do COF, o Conselho de Orientação e Fiscalização do clube. Cartolas graduados, baixo clero, aspones e sapos verdes, todos irados, falavam até em "Terceira Guerra Mundial", a partir da rua Turiassu. Depois de 14 horas de brigas e bravatas, com a fome apertando, alguém sugeriu que a reunião fosse transferida para a cantina Genovese, então na avenida Pompéia. Ali, bastaram duas rodadas de chopp Brahma, quinze garrafas de vinho Valpolicella, dez brotinhos e dezoito pizzas gigantes para que a paz fosse selada na então nitroglicerinica política do Palmeiras. Enquanto o batalhão de repórteres e fotógrafos se acotovelava à porta da pizzaria, Peruzzi ligou para a redação e ditou a manchete que seria capa do jornal no outro dia: "Crise do Palmeiras terminou em pizza". Daí em diante, deu no que deu. E num domingo pela manhã, dia 2 de maio de 1999, no Plantão de Domingo da Rádio Jovem Pan, Milton Peruzzi deu-me uma emocionante entrevista por telefone e pediu: "Milton Neves, estou com um câncer violento, vou morrer primeiro do que o governador Mário Covas, que tem o mesmo tipo de câncer, mas tratamento de primeiro mundo. Eu só te faço um pedido. Faça com que sempre lembrem de mim toda vez que escreverem que tal situação terminou em pizza. Não foi muito, mas fui eu quem inventou isso", frisou. Tá bom, Peruzzi, você falou tá falado, não precisa agradecer, porque não há de quê. Eu estarei sempre lembrando, viu?

E-mail:
Ainda sobre Peruzzi no dia 31 de agosto de 2008, o site Terceiro Tempo recebeu de Mário Lopomo (mlopomo@uol.com.br) o seguinte e-mail:

"Milton Peruzzi quando estamos próximos a mais uma eleição para prefeito e vereadores na cidade de São Paulo voltei minha mente para 1959, quando tivemos eleição somente para vereadores. A eleição para prefeito se deu dois anos antes com a vitória de Ademar de Barros sobre Oscar Pedroso Horta que era presidente da CMTC, (Companhia Municipal de Transportes Coletivos). Não me lembro de nenhum candidato do Itaim e Vila Olímpia. Mas na Vila Olímpia tinha os irmãos Rivetti (Hugo e Flavio) dois palmeirenses roxos que estavam trabalhando para um candidato. Fui convidado por eles a trabalhar na campanha de um outro palmeirense, esse mais roxo do que os irmãos juntos. Era Milton Peruzzi, candidato pelo PSP, partido de Ademar de Barros que quando ia a televisão fazia questão de dizer que Peruzzi era candidato. Milton Peruzzi trabalhava na radio e TV Tupi como locutor e comentarista esportivo, e escrevia no jornal A Gazeta Esportiva. Sua coluna chamava-se Periscópio. Integrei-me a campanha Vila Olímpia começou a conhecer o candidato que por ser palmeirense declarado era ignorado e até trabalhavam contra. Isso partia de corinthianos e são paulinos, que também nos chamavam de aproveitadores, e sempre tínhamos que dizer que não estávamos ganhando nada e muito menos pedindo emprego publico. Não é fácil trabalhar numa campanha política, mesmo que só por ideologia. Os panfletos dele alem de sua foto quando não tinha o periquito, tinha o distintivo do Palmeiras. A eleição foi no dia 4 de outubro, e no dia anterior um sábado a noite, enquanto fazíamos a separação de cédulas para levar as cabines de votação estávamos de olho na TV. O palmeiras jogava na Vila Belmiro contra o Santos, jogo em que tomou um pau de 7x 3. Hugo e Flavio, não cabiam de raiva, xingavam a dona Celeste de todos os nomes. Eu então fanático não ia dormir aquele fatídico sábado depois de uma goleada. Mas chegamos a um acordo que o negocio era trabalhar pelo nosso candidato. No dia seguinte cada um a foi para um lado. Vila Olímpia Itaim e Vila Nova Conceição, tinha panfletos, "santinhos? e cédulas de Milton Peruzzi. Meu local de votação era no Brooklin, escola estadual Mário de Andrade, Rua Joaquim Nabuco. Já que estava na cabine indevassável, enchi de cédulas do nosso candidato. Em outros locais de votação eu pedia licença para colocar cédulas dentro da cabine, sempre com autorização do chefe da seção. Alguns diziam: -Ah. É do Milton Peruzzi, pode colocar sim, ele é meu amigo. Na verdade era amigo coisa nenhuma. Eram pessoas que o conheciam pelo radio e TV, e também como leitor de A gazeta Esportiva jornal que todo mundo lia. Na segunda feira estávamos eu e os irmãos Rivetti, no Ibirapuera, fiscalizando a apuração. Estava tudo indo muito bem. Nenhuma roubalheira. Porem o que não ia bem era a votação que nosso candidato estava tendo. Numa eleição me lembro que Amauri Passos, jogador de Bola ao Cesto, também candidato me disse que estava contente porque estava tendo 6% de votos por urna. Pensei sertã que Milton tem essa porcentagem? Perguntamos ao repórter Tico Tico, da TV Tupi. Ele mal respondeu porque seu filho estava enchendo o saco, querendo fazer xixi. Bem quando todos os votos foram contados Milton Peruzzi não foi eleito. O vereador mais votado era um que não estava na lista oficial do TER. Um tal de CACARÉCO, que uma semana antes apareceu com seu nome pichado em muros e no asfalto. O candidato oficial mais votado foi, Manoel de Figueiredo Ferraz, com pouco mais de 10 mil votos, contra 110 mil do CACARÉCO. Um verdadeiro tapa na cara dos políticos da época."
 
Abaixo, ouça a emocionante entrevista de Milton Peruzzi a Milton Neves em 1997. O áudio foi garimpado pelo internauta Maurício Pedroso, de São Roque-SP:

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