Cafu

Ex-lateral do São Paulo, Roma e Seleção
por Rogério Micheletti
 
A paixão pelo futebol sempre falou mais alto na vida de Marcos Evangelista de Moraes, paulistano nascido em 7 de junho de 1970.
 
Criado no bairro Jardim Irene, zona sul da capital paulista, o menino humilde chegou a participar de nove peneiras. Pensou até em desistir. Mas conseguiu ingressar no São Paulo Futebol Clube.
 
Em 05 de setembro de 2019, uma terrível notícia para Cafu e sua esposa Regina, pela morte do filho mais velho do casal, Danilo, que sofreu um infarto enquanto jogava bola com amigos na casa da família, aos 30 anos.
 
Homenagem ao ponta
 
Ganhou o apelido de Cafu por ter estilo de jogo parecido com o do velho ponta-direita que fez sucesso no Atlético Mineiro. "O Cafuringa jogava na seleção de masters. E eu também jogava como ponta. Então, recebi o apelido de Cafuringa, depois abreviado para Cafu", conta Marcos Evangelista. E valeu a pena tanto esforço. Cafu coleciona em sua vitoriosa carreira vários títulos. Os principais deles são os das Copas de 1994 (como reserva) e de 2002 (como titular e capitão da equipe).
 
E Cafu não demorou muito tempo para se destacar. A versatilidade e o bom preparo físico fizeram com que ele ganhasse rapidamente espaço no time profissional do São Paulo. Embora preferisse atuar como volante, Cafu foi deslocado para a lateral-direita pelo técnico Telê Santana. Chegou a colocar no banco de reserva o experiente Zé Teodoro.
 
Telê foi extremamente importante para o sucesso de Cafu. O treinador obrigava o lateral a melhorar os cruzamentos e os arremates a gol. "O Telê era chato, no bom sentido. Sempre procurava corrigir as falhas. Foi muito importante, não só para mim", conta Cafu, que sob o comando do Mestre ajudou o São Paulo a conquistar o bi da Libertadores e o bi Mundial, ambos em 1992 e 1993.
 
Em 1994, Cafu deixou o Tricolor paulista. Foi negociado com o Zaragoza, da Espanha. Uma cláusula no contrato de venda do passe do jogador impedia que ele retornasse imediatamente para um grande time paulista. O São Paulo estava preocupado com a Parmalat, empresa italiana que investia no Palmeiras e já tinha contratado o zagueiro Antônio Carlos, outro atleta revelado pelo São Paulo.
 
Mas o Palmeiras e Parmalat conseguiram "driblar" os dirigentes tricolores. Cafu ficou pouco tempo no Zaragoza, voltou ao Brasil e assinou com o Juventude de Caxias, outro time patrocinado pela empresa. O lateral teve passagem ainda mais meteórica pelo time gaúcho. E logo desembarcou no Palestra Itália, em 1995.
 
Pelo Alviverde, Cafu foi campeão paulista de 1996. A equipe, então comandada por Vanderlei Luxemburgo, ficou famosa por ter feito mais de 100 gols naquele estadual. Além de Cafu e Luxemburgo, outras estrelas palmeirenses eram o goleiro Velloso, o lateral-esquerdo Júnior, o zagueiro Cléber, os meias Rivaldo e Djalminha e os atacantes Muller e Luizão.
 
Em 1997, ele voltou ao Velho Continente. Mas desta vez sua ida para a Roma não teve objetivo principal "uma ponte? com um grande time do Brasil. Cafu viveu grande momento com a camisa do time italiano. Tornou-se ídolo no ex-time de Paulo Roberto Falcão e depois seguiu para o Milan, onde também realizou boas partidas.
 
Em 2008, depois do fim do contrato com o Milan, ele retornou ao país e recusou propostas de times brasileiros para voltar a jogar. Casado, pai de três filhos, Cafu mora em uma mansão no bairro nobre de Alphaville, que fica entre Barueri e Santana de Parnaíba, cidades da Grande São Paulo. É dono de vários negócios. Chegou até a ter uma empresa de guinchos, a Cafu Guinchos. E ele garante que ainda tem bom preparo físico, como nas Mundiais de 1994 e 2002.
 
Amor ao Jardim Irene
 
Hoje, Cafu mora em Alphaville. Mas nunca se esqueceu de sua origem. E a maior homenagem feita ao seu bairro de infância foi na hora de receber a taça da Copa do Mundo de 2002. Cafu exibiu uma camisa escrita "Jardim Irene".
 
No player abaixo, ouça as participações de Cafu e de Roberto Carlos no “Domingo Esportivo”, da Rádio Bandeirantes, no dia 1º de abril de 2018:

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Pelo São Paulo:

Com a camisa do São Paulo, entre os anos de 1989 e 1994, Cafu disputou 271 partidas (143 vitórias, 71 empates e 57 derrotas) e marcou 39 gols, segundo números do "Almanaque do São Paulo", de Alexandre da Costa.

Pelo Palmeiras:
Pelo Palmeiras, entre 1995 e 1997, o lateral disputou 99 partidas (64 vitórias, 19 empates e 16 derrotas) e marcou 13 gols, informações que constam no "Almanaque do Palmeiras", de Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

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