Baiano

Ex-lateral do Palmeiras, Santos e Boca
por Tufano Silva
 
Conhecido por ser uma perigosa arma nas bolas paradas, Dermirval de Almeida Lima, o Baiano, lateral-direito com boas passagens pelo Santos, pelo Palmeiras e até pelo Boca Juniors, em 2013 seguia sua carreira de jogador profissional, desta vez defendendo o Brasiliense.
 
Nascido na cidade de Capim Grosso-BA em 28 de junho de 1978, Baiano iniciou sua carreira no Santos, em 1996. Jogou por quatro temporadas nesta primeira passagem pela Vila Belmiro, sendo emprestado ao Matonense-SP em 1999.
 
Neste mesmo ano, disputou o Campeonato Brasileiro pelo Vitória, sendo um dos destaques da boa campanha da equipe baiana, que foi eliminada apenas nas semifinais do torneio, pelo Atlético-MG, que acabou ficando com o segundo lugar do Nacional.
 
Em 2000, retornou ao Santos, mas logo foi vendido ao modesto Lãs Palmas-ESP. Baiano não se adaptou ao futebol espanhol, e em 2002 foi emprestado ao Atlético-MG.
 
A boa temporada pelo Galo fez com que o Palmeiras, recém-rebaixado à Série B, corresse atrás do jogador, que foi fundamental para a equipe que reconduziu o Verdão à elite do futebol nacional.
 
Vivendo um dos principais momentos de sua carreira, Baiano foi contratado pelo Boca Juniors, da Argentina, em 2005, chegando a garantir por lá a vaga de titular. No entanto, o lateral sofreu muito com o preconceito pelo fato de ser negro e brasileiro, e em 2006 retornou ao Palmeiras, não conseguindo repetir o bom desempenho de sua primeira passagem pelo Palestra Itália.
 
Do Palmeiras, Baiano rodou, sem sucesso, por Rubin Kazan-RUS, Náutico, Santos, Fortaleza, Vasco, Atlético Nacional-COL, Paulista, Guarani, Red Bull Brasil e Brasiliense, onde está desde 2012.

Em janeiro de 2014, o portal UOL divulgou a seguinte noticia sobre o ex-jogador Baiano:
 
"Baiano, ex-Santos e seleção, conta tudo. Até sobre quando tentou se matar

Vida pobre como um camelô que vendia meias, cuecas, laranja e capim e tentava se virar com bicos até se tornar um jogador profissional. Até aí, a história não tem nada de diferente das de vários outros atletas do Brasil que passaram dificuldades antes de ser tornar estrela. Mas a do lateral Baiano, hoje com 35 anos e no Brasiliense-DF, tem uma boa dose de drama.

O ex-jogador da seleção brasileira, Palmeiras e Santos, entre outros, chegou a pensar em se matar mediante a penúria financeira que vivia antes de engatar de vez, no início da década de 90, quando estava nas categorias de base do clube da Baixada.

A pobreza, em si, era combatida com muito esforço. Mas a morte do pai e da mãe em menos de três meses e um despejo o fizeram perder a cabeça de vez e ter fortes momentos de desespero. Decidiu se jogar na frente de um ônibus, mas o plano falhou.

"Eles eram separados desde os meus sete anos. Aí, em 95, perdi meu pai e depois a minha mãe. Me joguei na frente de um ônibus e tentei suicídio. Foi na época que eu estava como juvenil do Santos. Acabei sendo até despejado de onde eu morava. Foi um baque muito grande, eu era o caçula de seis irmãos e foi muito duro pra mim", se recordou, em entrevista ao UOL Esporte.

A pane psicológica veio no momento conjunto: no mesmo tempo que os pais morreram, os irmãos não conseguiam arcar com uma dívida de três meses de aluguel de um cortiço em Santos, onde moravam. O dinheiro, segundo Baiano, teve que ser usado no período em que a mãe estava doente. Não aguentou ao ser despejado.

"Eu vi as minhas mercadorias de camelô, como alho, cuecas e meias; todos jogados pela rua. Junto com minhas bermudas, calças, kichute e um chinelo. Aí bateu um desespero. E como eu era moleque, senti minha vida indo embora junto com a minha mãe, entendeu?", falou Baiano.

"O proprietário tinha razão. A gente não estava pagando e nós tínhamos que ser despejados mesmo. Perdi a estrutura familiar. E a ideia de se jogar na frente do ônibus foi a primeira coisa que veio à minha cabeça. Aí me joguei, caí de barriga e me machuquei. O motorista do ônibus brecou, mas ainda assim me choquei. Só que cortei a cabeça, quebrei um dente e quebrei o cotovelo. Aí quando saí do ônibus, vi as pessoas correndo. Fiquei um mês cuspindo sangue, e hoje graças a Deus eu fiquei vivo", explicou.

Depois do plano mal sucedido, Baiano diz que conversou com os irmãos, tentou pôr a cabeça no lugar e foi até a praia vender alguns alimentos. Até que com a ajuda dos ex-jogadores  Coutinho e Manoel Maria, passou a morar em um alojamento na Vila Belmiro e as coisas melhoraram. No ano seguinte, em 1996, foi chamado pelo então técnico Candinho para integrar o elenco profissional.

"Eles sabiam de tudo o que eu estava passando e conseguiram um alojamento pra mim na Vila Belmiro. Fui morar debaixo da arquibancada. Depois, o Candinho me viu jogar e gostou de mim. Depois disso me firmei no futebol. Hoje sou um pai de família, tenho três filhos e graças a Deus tenho uma vida estabilizada. Meus irmãos vivem em santos e estão bem", falou.

Baiano foi um dos destaques do Palmeiras na Série B do Brasileiro em 2003. Antes, havia vencido o Torneio Rio-São Paulo de 1997 Copa Conmebol de 1998 com o Santos. Seus bons jogos o levaram a disputar os Jogos Olímpicos de 2000, em Sidney, com a seleção brasileira.

A seleção naufragou e foi eliminada por Camarões, nas quartas de final, ao ser derrotada na prorrogação quando tinha dois jogadores a mais em campo. Baiano diz que a falta de foco do time depois de vencer o Pré-Olímpico no Brasil atrapalhou depois na Olimpíada.

"Nós não corríamos como no Pré-Olímpico. A imaturidade prevaleceu, e o ego também. Porque as conversas eram outras. Um falava que andava de Ferrari na Itália, outro dizia que na Espanha fazia outra coisa. As conversas não eram mais as mesmas. Isso eu posso falar: o Brasil perdeu pra ele mesmo aquela Olimpíada."

O veterano jogador renovou contrato com o Brasiliense até o final deste ano e diz que ainda não sabe quando vai voltar a jogar, mas tem uma leve ideia. "Fomos campeões ano passado; foi um ano maravilhoso pra mim. Vamos ver até onde o meu corpo aguenta jogar. Ano passado fui quem mais jogou no campeonato local e atuei todos os jogos 90 minutos. Ainda me sinto muito feliz. Pretendo jogar até os 38 anos, mas se sentir que tenho que parar após o final desse ano, estarei preparado."

Ele diz ter um plano para encerrar a carreira, apesar de admitir a dificuldade para concretizá-lo. "Tenho um sonho, que é muito difícil, que é o de encerrar a carreira no Santos, cidade em que vivo há mais de 25 anos. Mas vou vivendo a cada momento. Santos e Palmeiras são os dois clubes pelo qual tenho carinho imenso. Se Deus me permitir encerrar lá, tudo bem, se não, não tem problema não."
 
Abaixo, leia a entrevista com Baiano publicada pelo Portal UOL em 22 de outubro de 2018: 
 
Ex-Palmeiras foi bem no Boca, mas sofreu com argentinos por "caso Grafite"
 
Gustavo Setti e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

Palmeiras e Boca Juniors se enfrentam na semifinal da Libertadores a partir de quarta-feira (24), e o ex-lateral-direito Baiano sabe bem o que é defender as duas camisas. Ele foi campeão brasileiro da Série B pelo clube alviverde em 2003, se manteve na equipe na temporada seguinte e acabou negociado com o Boca na sequência. Na Argentina, porém, o jogador sofreu dentro de campo por ser negro e logo retornou ao time paulista.

Baiano atribui a intolerância na época principalmente ao caso envolvendo o atacante Grafite, então do São Paulo, e o argentino Desábato, zagueiro do Quilmes. O defensor foi detido ainda no gramado do Morumbi por ato racista durante o duelo da Libertadores de 2005.

O ex-lateral-direito não gosta de lembrar do episódio, prefere guardar as boas lembranças dos tempos de Boca, mas a cor da pele foi o principal fator para que ele pagasse do próprio bolso a multa rescisória antes de voltar ao Palmeiras.

"Eu já vivi muitas coisas quando eu estava lá e prefiro lembrar das coisas boas, como os apelidos de Bombom e Café e o carinho da torcida. Este episódio (Grafite e Desábato) foi um fato que, infelizmente, não teve nada a ver comigo, mas indiretamente acabou me afetando", disse em entrevista ao UOL Esporte.

Baiano conta que o problema estava dentro de campo e não nas arquibancadas. Ele era hostilizado com ofensas racistas por jogadores de outros clubes.

"A minha coisa foi com os jogadores argentinos e não com a população da Argentina. Foi um caso envolvendo esta questão do Grafite, e eu tive que pagar para sair do Boca Juniors. Por isso que eu não gosto nem de lembrar disso", declarou.

Rixa com Tévez

No retorno ao Brasil, o lateral voltou a ter problema semelhante durante clássico entre Palmeiras e Corinthians. Baiano chegou a ser expulso após dar uma bolada em Carlitos Tévez na derrota por 3 a 1 contra o rival alvinegro.

"O Tévez tinha seus amigos argentinos, então ele me provocou com o que os atletas argentinos fizeram comigo quando eu jogava no Boca. Enquanto o Palmeiras estava ganhando de 1 a 0, estava tudo bem. Depois que o Corinthians virou, o Tévez conseguiu me desestabilizar naquele momento, e eu prefiro não comentar o que ele falou para mim. Quem sabe sou e a minha família. Só nós sabemos o que nós passamos naquele momento lá na Argentina, foi um momento de muita tristeza e então eu prefiro lembrar das coisas boas que o Boca Juniors me proporcionou", contou.

Baiano afirma que se entendeu com o atacante argentino mais tarde e chegou até a pedir desculpas para ele pela bolada. "Já está perdoado desde aquele momento. Eu até pedi perdão para ele", afirmou.

Carinho pelo Boca, mas torcida pelo Palmeiras

Foram apenas oito meses com a camisa do Boca em 2005, mas o ex-jogador mostra gratidão por ter jogado no clube. "Eu estou na galeria do Boca Juniors. Só tenho agradecimento por este clube. Foi uma parte inesquecível da minha vida, com o privilégio de conviver com Maradona, e eu tive o prazer de ser um dos poucos brasileiros a fazer gol pelo Boca na Libertadores em La Bombonera. Naquele momento, o Boca era o melhor clube do mundo, acima de Real Madrid e Barcelona", relembrou.

Um dos destaques do time argentino na época era Guillermo Barros Schelotto, atual treinador do clube. Baiano conta que o atacante era fechado e introspectivo, mas que mudava quando a bola rolava. "Ele era um cara muito na dele. Se você ver hoje no banco de reservas, ele é um cara frio, mas, dentro de campo, sabia como provocar. Normalmente, o marcador dele era expulso, porque ele irritava, principalmente nos grandes jogos", explicou.

Mas, apesar das lembranças e do carinho, para quem estará a torcida na semifinal da Libertadores? "Eu apostaria no Palmeiras. Eu acho que não vai ser fácil, estou torcendo para o Palmeiras e penso que o Palmeiras passa", falou Baiano.

 

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