Futebol tem alguns exemplos da necessidade do perdão

Futebol tem alguns exemplos da necessidade do perdão

Natal é amor e amor é perdão. Impossível dizer que se ama o próximo e cultivar um coração duro, inflexível, incapaz de perdoar. O futebol está repleto de casos de heróis que se tornaram vilões por uma falha, por um erro que custou uma partida ou mesmo um campeonato.

Gabigol é apenas o último exemplo. O pênalti decisivo perdido contra o Corinthians, na semifinal da Copa Brasil, com um chute fraco, mal colocado, não foi perdoado pela torcida cruzeirense e arrefeceu o interesse de outros clubes – entre eles o Santos – pelo futebol do menino que aprendeu a ser artilheiro na Vila Famosa.

Todo ano a lista de imperdoáveis aumenta, mas ninguém sofreu tanto com a crueldade do torcedor do que o goleiro Barbosa, que defendia a meta brasileira na Copa de 1950 e no fim do jogo sofreu um gol estranho que deu a vitória e o título ao Uruguai, no jogo em que um empate já tornaria o Brasil campeão mundial.

O chute de Ghiggia, de bico, entrou rasteirinho, raspando a trave, no canto esquerdo de Barbosa, até então tido como um dos maiores goleiros da história do nosso futebol. Faltavam 11 minutos para terminar o jogo quando as 200 mil pessoas que estavam no Maracanã se calaram, e nada conseguiu alterar o placar de 2 a 1 para os uruguaios.

Por muitos anos Barbosa foi apontado nas ruas como “o homem que fez o Brasil chorar”. Numa entrevista, décadas depois, ele disse que no Brasil a maior pena para um crime era de 30 anos, mas ele já estava pagando a sua havia muito mais tempo. Barbosa morreu em abril de 2000, aos 79 anos. Morava em Praia Grande com uma filha adotiva. Passava necessidades e era ajudado por amigos.

Talvez, às vezes, tenhamos de nos perguntar se não estamos sendo injustos ou mesmo cruéis com alguém. E o Natal é a melhor época para essa reflexão. Hoje mesmo, quando artistas que ganharam fama e fortuna cantando o amor e a fraternidade, puxam o coro, em seus shows, contra a liberdade a pessoas que protestavam contra um governo que presumiam prejudicial ao Brasil, a necessidade do perdão parece crucial para pacificar os corações e fazer a vida correr livremente.

Para quem não sabe, não custa informar que este País já anistiou terroristas, ladrões de banco e assassinos que pegaram em armas contra o governo. Hoje se nega a anistia, a plenos pulmões, a pessoas desarmadas, boa parte delas idosas, que temiam que o governo atual implantasse novamente um sistema corrupto no País, o que se confirma com o desfalque nas contas dos aposentados e a falência dos Correios, entre outros escândalos.

Bem, mas Natal é tempo de se praticar bondade, generosidade, gratidão e, principalmente, tempo de perdoar. Que não construamos, com nosso rancor, novos Barbosas no futebol. E que não se grite mais “sem anistia” a quem recebeu penas vingativas e desproporcionais por não concordar com o sistema. Afinal, “sem anistia” é um grito de ódio que não combina com o Natal.

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