Fifa driblou o regulamento por pressão da CBD e marcou duelo semifinal para Guadalajara

Fifa driblou o regulamento por pressão da CBD e marcou duelo semifinal para Guadalajara

Fábio Piperno (twitter @piperno)

Brasileiros e uruguaios travavam uma guerra de bastidores sem tréguas há exatos 50 anos, na véspera da semifinal da Copa do Mundo de 1970. Nossos vizinhos continuavam inconformados com a mudança do local da partida, que deveria ocorrer na Cidade do México mas que, graças à inusual canetada do presidente da Fifa, Stanley Rous, foi marcada para Guadalajara, a sede brasileira na Copa.

O destemido presidente uruguaio, Jorge Pacheco Areco, ameaçou até mesmo chamar a seleção de volta ao país e abandonar o mundial. No Brasil, os jornais comemoravam os efeitos da pressão da CBD, que como contrapartida oferecia apoio a mais uma reeleição do britânico Rous à frente da entidade. “Decidido: Brasil x Uruguai será em Guadalajara”, era a manchete da Folha de São Pa ulo do d ia 16 de junho. No texto interno, o título soava quase que como provocação aos rivais: “Brasil continua “em casa” e o Uruguai protesta”. A reportagem informava que “o Brasil pediu, a Fifa atendeu e o Uruguai protestou, mas o jogo de amanhã entre os dois finalistas sul-americanos será mesmo em Guadalajara”.

Com a mudança do local para Guadalajara, o Uruguai jogaria na quarta cidade diferente desde a estreia. O Brasil disputaria a quinta partida consecutiva na hospitaleira capital do estado de Jalisco. Estava, sem dúvida, em casa.

Confirmada a sede da partida, uma suspeita digna dos clássicos do cinema noir entrou em campo na véspera da semifinal. E quem deu o alerta foi o célebre narrador Pedro Luís, à época na rádio Nacional de São Paulo. Na véspera do jogo, ele visitou o hotel onde os uruguaios se concentravam e lá observou a presença do espanhol José Maria Ortiz, árbitro escalado para o duelo sul-americano da semifinal. Ortiz conversava animadamente com o uruguaio Ramon Barreto, um dos árbitros mais conhecidos da América do Sul, com Diego de Leo, chefe da arbitragem na Copa do Mundo, e com dirigentes do Uruguai. Imediatamente, Pedro Luís fez a informação chegar a Antônio do Passo . O exec utivo da CBD não perdeu tempo e se dirigiu ao hotel a fim de convidar Diego de Leo para beber um uísque com os brasileiros. A bebida deve estar envelhecendo até hoje, porque o convidado jamais apareceu.

Distantes da guerra surda, os jogadores das duas seleções treinavam. Entre os uruguaios, foi ratificada a certeza de que Pedro Rocha de fato não teria condição de jogo. Para azar de seu país e do mundial, o refinado e talentoso meia esteve em campo no México por apenas oito minutos, no jogo de estreia. Substituído por conta de um problema muscular, não conseguiu voltar.

No Brasil, Zagalo confirmava o retorno do lateral esquerdo Everaldo. Com isso, a seleção teria apenas pela segunda vez a escalação que fez história: Felix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Pelé, Tostão e Rivellino.

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