O presidente Maurício Galiotte joga para a torcida quando chama o estadual de Paulistinha e não permite entrevistas após a perda do título. Se quiser mesmo se posicionar contra um campeonato que ele considera manchado, que faça então como o Atlético Paranaense e inscreva em 2019 um time sub-23, reforçado por reservas.
Aí sim o Palmeiras estaria fazendo oposição de verdade a um torneio que o clube considera viciado e, de quebra, ainda testaria jovens que estão escanteados em um time repleto de estrelas cadentes. Apenas boicotar festa de encerramento não resolve nada. Pode parecer um show de bola, mas não passa de um gol contra a razão.
Se não fizer algo concreto, tudo o que o presidente insinuou ontem não passará de bravatas pós-derrota. É óbvio que por conta do fragor da batalha o dirigente se exaltou e, por conta dessa exasperação, tenha feito afirmações que possam lhe provocar arrependimento algumas horas depois. Se foi assim, que reconsidere o boicote à festa que, afinal, penalizará alguns de seus jogadores que merecidamente serão premiados.
É fato também que com a bola fora do pós-jogo, Galiotte impediu que o técnico do Palmeiras falasse sobre decisões questionáveis tomadas durante o jogo. O time que sofreu um gol logo a um minuto praticamente não criou, o badalado platinado Lucas Lima não tem inspiração, a única chance que Borja teve para finalizar a gol foi em uma cobrança de lateral e a entrada de Thiago Santos perto do final foi uma decisão para lá de questionável.
Dos 6 minutos iniciais do primeiro jogo, quando marcou seu gol, até o encerramento da partida final, o milionário Palmeiras quase não criou e Cássio não precisou fazer qualquer defesa digna de DVD. O que falar sobre isso?
Roger Machado deveria, enfim, ter muito a dizer e os repórteres vários temas a perguntar.
Galiotte não permitiu que isso acontecesse. Tirou o time de campo e deixou o frustrado palmeirense sem várias respostas.
Foto: Cesar Greco/Ag.Palmeiras