Zé Amaro

Ex-meia da Lusa, Ferroviária e Esportiva Sanjoanense
Um craque fora de série - por Antonio Carlos Nogueira de Oliveira (Leivinha)

Zé Amaro foi um exímio jogador de futebol, com lugar no hall da fama dos melhores de todos os tempos.

Natural de Campinas-SP, onde nasceu a 2 de junho de 1927, Aristides Bernardes, conhecido no futebol como Zé Amaro, mudou-se com os pais, José e Rosa da Cunha Bernardes, para a capital paulista com dois anos de idade.
 
Desde garoto desfilava seu refinado futebol pelos inúmeros campos de várzea paulistanos, integrando com extrema habilidade, nos tempos do amadorismo, times de tradição como o Ítalo-Lusitano (do bairro Pinheiros) e o Senador Futebol Clube.

Com 21 anos, em 1948, foi observado em uma partida na capital pelo sanjoanense José Amaro da Cruz, gerente de banco e diretor da Sociedade Esportiva Sanjoanense, que o convidou para atuar em São João da Boa Vista.
 
Aceitou de pronto o convite e, esbanjando categoria, virou ídolo na cidade. No inicio, no entanto, a exigente torcida da rubro-negra, que não sabia direito seu nome, começou a chamá-lo por Zé Amaro, alusão ao dirigente que o trouxe para atuar em São João, apelido que virou marca registrada em sua passagem pelo futebol.

Gostou tanto da hospitalidade e dos Crepúsculos Maravilhosos que fincou raízes na cidade, onde se casou com Lais Todescato Bernardes, com quem teve três filhos - Rosa, Tereza Maria e Aristides Filho. São seus netos Marilia, Marcela, José Roberto, José Guilherme e Júlia, como também a bisneta Maisa.
 
Sequência da carreira

Zé Amaro atuou pela Sociedade Esportiva Sanjoanense entre 1948, sua estreia foi na vitória da rubro-negra sobre o América de Rio Preto por 2 a 1, ambos os gols de sua autoria, e 1951, quando se transferiu para a Ferroviária de Araraquara por uma pequena fortuna na época, 80 mil cruzeiros, onde sagrou-se por duas vezes consecutivas vice-campeão do interior, em 1952 e 1953.
 
A seguir, a grande fase na Portuguesa de Desportos atuando ao lado de supercraques como Djalma Santos, Brandãozinho e Julinho Botelho, atuando na Lusa por cinco anos e vencendo o Torneio Rio-São Paulo de 1955.
 
Com 32 anos ingressou no Corinthians de Presidente Prudente, sendo peça fundamental na conquista do título de acesso daquela equipe à Divisão Especial do futebol paulista, em 1960. Naquela altura, já era ídolo não apenas na região da alta-sorocabana como em todo o território nacional.

Ao deixar Presidente Prudente mudou-se de vez para São João da Boa Vista, aos 35 anos, não mais como profissional da bola. Pela identificação com a Sociedade Esportiva Sanjoanense, disputou alguns campeonatos amadores locais pela rubro-negra, equipe onde havia começado a carreira profissional.

Para surpresa de todos, em 1964, com 37 anos, fez parte do elenco profissional do Palmeiras Futebol Clube na campanha do Campeonato Paulista da 2ª Divisão, atuando ao lado de craques que despontavam, como o goleiro Donah e o jovem atacante Aloísio Mulato. Era a grande atração dos torcedores que compareciam à Vila Manoel Cecílio, pois ainda jogava muita bola e ditava o ritmo do time.

Em 1965 parou de vez com o futebol, realizando apenas alguns amistosos pelos Veteranos Sanjoanenses e times amadores da Esportiva. O ex-craque, de futebol refinado, cabeça erguida e toques mágicos, faleceu em São João da Boa Vista no dia 19 de março de 1990, estando sepultado no Cemitério São João Batista da cidade.

Merecida homenagem

No dia 14 de setembro de 1990, Presidente Prudente prestou singela homenagem àquele que, na esmagadora opinião dos moradores e cronistas esportivos locais, foi o melhor jogador de futebol que passou pela cidade.
 
Exatamente às 16 horas daquela sexta-feira, foi descerrada a placa de inauguração do Estádio "Zé Amaro", situado num conjunto esportivo de 5.400 m2 cuja obra custou CR$ 4.000.000, 00 (quatro milhões de cruzeiros).
 
Na ocasião, se pronunciaram os radialistas Flávio Araújo (Rádio Bandeirantes) e Sérgio Jorge que, em nome da imprensa, ressaltaram o que significou o jogador e o homem Zé Amaro para Prudente e toda uma região.

Em São João da Boa Vista - onde começou e encerrou sua brilhante carreira, criou raízes familiares e sempre considerou sua cidade adotiva, além de estar sepultado -, nunca foi reconhecido ao menos com a perpetuação de seu nome como denominação de uma das vias públicas, iniciativa que caberia a vereadores ao longo dos anos, mas passou despercebida pela falta de memória ou ignorância da história local.
 
Nem mesmo os clubes que defendeu com tanta dedicação na cidade, Esportiva e Palmeiras, dedicaram a Zé Amaro - craque e pessoa da mais alta estima -, a mais simples das homenagens.       
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