O maratonista paranaense Vanderlei Cordeiro de Lima, nascido na cidade de Cruzeiro do Oeste no dia 4 de julho de 1969, vencedor da medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, coroou sua carreira no dia 5 de agosto de 2016, dia em que acendeu a pira olímpica na abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no Maracanã.
História (informações do site oficial de Vanderlei)
Um dos maiores corredores da história do atletismo brasileiro, Vanderlei Cordeiro de Lima chegou longe com suas próprias pernas. Na adolescência, seu sonho era conhecer as cidades do interior do Paraná. Na época, trabalhava na roça, em Tapira, e ia correndo dos plantios e colheitas de café e cana-de-açúcar até a escola. Uma diversão que depois se tornaria profissão e o levaria a figurar entre os principais maratonistas do Mundo.
Ainda na infância, aos 12 anos, a prática diária despertou a atenção de um treinador de escola que o convocou para o atletismo. Tiro certo! Logo Vanderlei se destacou e aos 16 foi convidado a levar a sério as corridas. Não demorou e em 1988 já estava treinando em São Paulo, pela equipe Eletropaulo. Dois anos depois, passou a treinar pela União Esportiva Funilense, em Campinas.
Quando o técnico Asdrúbal faleceu em 1992, Ricardo D´Angelo assumiu a função, numa parceria vitoriosa. Naquele mesmo ano, ganhou destaque nacional ao ser o quarto colocado na São Silvestre e em 94 surgiu o maratonista. A primeira prova e, de quebra, primeira vitória não estava programada. Contratado para ser “coelho” até o vigésimo quilômetro na Maratona de Reims, na França, se sentiu bem e acabou vencendo a prova.
A partir daí os resultados apareceram, com marcas que até hoje são destaques. Conquistas importantes como a vitória na Maratona de Tóquio, em 96, e depois o vice em 98, o terceiro na Maratona de Fukuoka, em 99, o ouro na maratona dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no mesmo ano e o título e recorde da Maratona de São Paulo, em 2002. Também em outras distâncias se destacava como a vitória e recorde com a incrível marca de 28min01s nos 10 KM Tribuna FM, em 97.
Mas foi nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, que ele se tornou um ícone, não só do atletismo, mas do esporte mundial, um verdadeiro herói olímpico. Treinado e preparado para correr pela vitória na prova mais nobre dos Jogos Olímpicos, justamente na cidade que criou os Jogos, ele viu uma oportunidade de abrir vantagem durante a disputa e, quando liderava isolado, houve o famoso episódio com o manifestante irlandês que o agarrou.
Era o km 35, restavam apenas sete para a linha de chegada. O empurrão o tirou do eixo, de sua extrema concentração, mas ele não se entregou e voltou a correr após ser ajudado por alguns espectadores. Ainda assim, manteve a liderança por aproximadamente mais dez minutos e depois acabou sendo ultrapassado por dois atletas. Isso não o impediu deentrar no Estádio Olímpico de Panathinaikosfazendo o famoso aviãozinho e comemorando a sua maior vitória, a tão sonhada medalha olímpica.
Sua nobre atitude garantiu outra medalha pelo Comitê Olímpico Internacional. Essa muito mais seleta, a Pierre de Coubertin, enaltecendo seu grau de esportividade e espírito olímpico.
"Na verdade, naquele ano havia um sonho que eu sempre alimentei um dia, que era o de conquistar uma medalha olímpica. Não importava a cor. Então, quando cheguei ao término da prova no Estádio Panathinaikos e senti que já tinha ganhado o bronze, esqueci daquilo que tinha ocorrido no quilômetro 35. A minha conquista foi maior que a decepção de não ter ficado com o ouro. Para falar a verdade, eu nem estava mais preocupado com aquilo que o cara tinha feito. Nunca vou reclamar da vida. Eu só tenho que agradecer a Deus por tê-la me dado", destacou Vanderlei.
Depois de Atenas, Vanderlei se manteve como um dos maiores maratonistas do mundo. Em 2008 se destacou com outra grandiosa conquista: a criação do Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima, em Campinas. A generosa e digna proposta é usar o atletismo, que tanto lhe deu alegrias, para garantir um futuro melhor para crianças e jovens. Servir de exemplo para a formação de futuros atletas e, acima de tudo, cidadãos.
“Quando eu comecei, não tinha nem um gato para puxar o rabo, como diz o ditado.Mas eu tinha um sonho. Muita gana, determinação e, principalmente, vontade de vencer. Fui mais longe do que imaginava. Só tenho a agradecer”, completa Vanderlei, que já não corre mais profissionalmente, mas continua inspirando muita gente com seu trabalho no IVCL e em palestras e evento, sempre motivando a todos.
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