O que não falta nestes dias, são amistosos de preparação para uma Copa do Mundo bem especial.
Na esteira da informação sem fim, com tanta coisa acontecendo nos quatro cantos do planeta e com a emoção da contagem regressiva para o início do torneio, nós aqui, vamos pisar no breque por alguns minutos.
Porque as verdadeiras estrelas desta leva de amistosos foram muito mais interessantes do que os resultados frios na informação que aparece nos noticiários.
A Copa ainda nem começou e já aparecem montanhas de notícias após estes jogos amistosos.
Favoritos tropeçando, seleções "pequenas" surpreendendo, e equipes desacreditadas mostrando personalidade.
E até adversários do Brasil mandando avisos que ninguém esperava receber.
A maior surpresa destes dias veio da França. A favoritíssima ao título da Copa, perdeu.
Ninguém imaginava que a seleção francesa perderia por 2 a 1 para a Costa do Marfim justamente quando o mundo do futebol começava a discutir quem chegava mais forte para o Mundial.
O resultado provocou uma pequena tempestade na imprensa francesa. Uns falaram em excesso de confiança da equipe treinada por Deschamps.
Outros apontaram falta de intensidade e de entrosamento.
Houve quem dissesse que a equipe ainda estava com foco na preparação física e não no resultado.
A verdade é que nenhuma explicação convenceu totalmente.
A França entrou em campo como uma das favoritas ao título e saiu derrotada por 2 a 1.
Como consequência, perdeu a liderança do ranking da FIFA e viu crescer uma dúvida que simplesmente não existia poucos dias antes.
O mais curioso é que a Costa do Marfim não venceu por acaso.
A seleção africana mostrou organização, velocidade e uma confiança que contrastou com a atuação francesa.
Foi uma derrota que ninguém conseguiu explicar completamente e talvez por isso mesmo tenha causado tanto barulho mundo afora.
E então, chegou a vez da Espanha viver uma tarde bem desconfortável.
Um empate por 1 a 1 diante do Iraque, que chamou atenção e acendeu alguns avisos de alerta.
Para muitos, o resultado parece estranho à primeira vista, mas existe um detalhe interessante: há muitos anos a seleção iraquiana mostra um bom futebol.
Esta seleção é chamada por parte da imprensa árabe de "Brasil do Oriente Médio", pela sua técnica e talento.
O apelido nasceu pela tradição de um jogo ofensivo e cadenciado do futebol iraquiano e pela forma criativa como várias gerações do país costumam jogar.
Ainda assim, ninguém imaginava que os espanhóis teriam tanta dificuldade contra o Iraque.
A Espanha continua sendo uma das seleções mais respeitadas do futebol mundial e possui uma geração talentosa.
Mesmo assim, não conseguiu superar o Iraque.
O empate por 1 a 1 acabou sendo recebido quase como uma derrota pelos espanhóis.
O Iraque mostrou organização, personalidade e conseguiu suportar a pressão sem perder o controle emocional.
Na Espanha, os comentários foram imediatos.
Analistas em Madrid elogiaram o adversário.
Outros criticaram a falta de intensidade e de ousadia dos espanhóis.
O resultado acabou servindo como alerta em um momento que deveria ser apenas de tranquilidade.
Mas ainda houve mais surpresas significantes!
A rodada de amistosos guardou outro resultado maluco, surpreendente e que chamou muito a atenção.
A Holanda resolveu entrar para a lista das seleções que tropeçaram dias antes do início da Copa.
A derrota por 1 a 0 para a Argélia provocou reações fortes no país. O técnico Ronald Koeman falou em "alerta sério".
Ex-jogadores da Holanda, como Gullit, pediram mais atenção defensiva.
A imprensa destacou a dificuldade da equipe em transformar posse de bola em oportunidades reais.
Do outro lado, a Argélia aproveitou praticamente tudo o que o jogo ofereceu.
Foi disciplinada, organizada e extremamente eficiente.
Enquanto muitos favoritos buscavam confiança, a Holanda, com uma equipe recheada de estrelas, terminava a noite tentando entender como havia perdido por 1 a 0 para uma seleção africana que ninguém achava que iria "incomodar" os grandes.
Outro resultado que passou quase escondido no meio de tantas notícias foi a vitória de Cabo Verde por 3 a 0 sobre a Sérvia.
Para quem acompanha apenas os grandes centros do futebol, pode parecer apenas mais um amistoso. Mas estamos falando de uma pequena nação africana que possui menos habitantes do que muitos bairros das grandes cidades brasileiras.
Cabo Verde disputará sua primeira Copa do Mundo de sua história, e depois de se classificar para o torneio, continua colecionando histórias surpreendentes.
Vencer a forte equipe da Sérvia por 3 a 0 poucos dias antes do Mundial não é algo comum.
Ainda mais quando o adversário também estava em fase final de preparação.
Foi uma vitória que reforçou a sensação de que várias seleções consideradas pequenas chegaram muito mais preparadas do que muita gente imaginava.
Mas talvez nenhum resultado tenha causado mais curiosidade para nós, brasileiros, do que o Haiti goleando a Nova Zelândia por 4 a 0.
O Haiti será adversário do Brasil e entrou no radar de muita gente depois dessa atuação.
O resultado chamou atenção não apenas pelos quatro gols marcados, mas também pelo contexto.
O futebol haitiano convive há anos com enormes dificuldades.
Os jogadores atuam espalhados por vários países.
O país atravessa uma situação interna extremamente complicada, guerra civil, pobreza radical e corrupção generalizada.
Mas, mesmo assim, a seleção conseguiu mostrar organização, velocidade e eficiência.
É verdade que a Nova Zelândia não está entre as grandes forças do futebol mundial.
Mas, ver o Haiti vencer de goleada, por 4 a 0 poucos dias antes da Copa não é algo que passa despercebido.
De repente, um adversário que parecia simples começou a receber muito mais atenção.
Em vários programas esportivos internacionais o resultado apareceu como um dos mais surpreendentes da semana.
Afinal, muita gente esperava uma partida equilibrada e viu o Haiti dominar praticamente do início ao fim.
Para um time que enfrentou tantas dificuldades fora de campo, a mensagem enviada ao restante do grupo foi clara.
Ninguém deve olhar para o Haiti apenas como só mais um participante da Copa.
E quando parecia que nada mais poderia surpreender, apareceu o empate por 0 a 0 entre Dinamarca e República Democrática do Congo.
Talvez tenha sido um dos resultados mais estranhos desta sequência de amistosos.
A Dinamarca costuma ser elogiada pela organização, pela disciplina tática e pela capacidade de criar oportunidades.
A República Democrática do Congo, por sua vez, chegou ao jogo sem nenhum status internacional.
Ainda assim, os congoleses conseguiram neutralizar completamente os dinamarqueses.
O resultado virou assunto justamente porque quase ninguém imaginava uma Dinamarca incapaz de marcar um único gol.
Em vários momentos da partida, a equipe europeia pareceu sem soluções.
Foi o Congo que quase saiu vencedor.
O Congo saiu de campo com a sensação de dever cumprido.
A Dinamarca saiu com mais perguntas do que respostas depois daquele 0 a 0.
E assim, enquanto França, Espanha e Holanda tropeçavam, o Brasil também recebeu um alerta importante.
A seleção sofreu dois gols do Panamá e isso gerou comentários e críticas fortes em vários países.
Existe uma curiosidade ainda mais interessante: parte dos jogadores panamenhos que participaram da partida nem sequer estará na Copa do Mundo.
Mesmo assim, os panamenhos encontraram espaço para marcar duas vezes contra uma das seleções mais fortes do planeta.
Ninguém está dizendo que isso transforma o Panamá em favorito a nada, mas que mostram uma falha na defesa do Brasil, isso, sim!
Enfim, o amistoso com o Panamá que marcou dois gols contra o Brasil, serviu para mostrar algo que esta sequência de amistosos vem se repetindo diariamente.
As diferenças entre as seleções continuam existindo, mas elas parecem menores do que muitos imaginavam.
E talvez essa seja a principal mensagem destes últimos dias.
Os amistosos estão revelando um cenário mais equilibrado, a cada dia, no mundo do futebol.
França, derrotada por 2 a 1 pela Costa do Marfim. Espanha, parada em um empate por 1 a 1 contra o Iraque. Holanda, superada por 1 a 0 pela Argélia. Dinamarca, incapaz de sair de um 0 a 0 diante da República Democrática do Congo. Brasil, sofrendo dois gols do Panamá.
Ao mesmo tempo, Costa do Marfim, Iraque, Argélia, Cabo Verde, Haiti e República Democrática do Congo aproveitaram a oportunidade para mostrar que chegaram muito mais preparados do que a maioria imaginava.
Se havia quem acreditasse que os amistosos não serviam para nada, os últimos dias mostraram exatamente o contrário.
As camisas continuam pesadas.
A tradição continua existindo.
Os favoritos continuam sendo favoritos.
Mas os resultados recentes mostraram que ninguém poderá entrar em campo esperando vencer apenas pelo nome ou pela tradição.
Os próximos dias ainda trarão uma verdadeira chuva de amistosos. Novas opiniões vão surgir.
Outras vão desaparecer.
Algumas certezas talvez não sobrevivam até a abertura do torneio. Muita coisa ainda pode mudar.
Mas vale lembrar um detalhe importante: amistoso continua sendo amistoso.
Muitos jogadores evitam atuar em seu mais alto limite físico.
Quase ninguém quer correr riscos desnecessários depois de uma temporada desgastante pelos clubes.
A preocupação com lesões aumenta a cada treino.
E cada partida amistosa é um verdadeiro perigo: uma armadilha para os jogadores, que tentam fugir de lesões.
Em muitos casos, os atletas preferem guardar energia para aquilo que realmente importa: a Copa do Mundo.
Mas os amistosos, dizem os treinadores, servem para preparar a equipe para as dificuldades que chegam com a Copa.
Ou quem sabe a França, a Holanda e a Espanha....estão escondendo o jogo ??