Sergio Echigo

Ex-ponta do Corinthians
por Rogério Micheletti
O drible elástico de Rivellino foi imortalizado por Rivellino. Mas quem foi o real inventor do belo e objetivo lance? Sergio Echigo, um japonês que atuou no Corinthians ao lado do magistral meia-esquerda teria sido o primeiro a fazer a jogada.

"Ele não gosta muito de falar que inventou a jogada, mas fica feliz ao ouvir das pessoas isso. É um reconhecimento", conta Maurício Echigo, filho de Sergio, que atualmente é famoso comentarista esportivo no Japão.

Nascido no dia 28 de julho de 1945, Sergio Echigo passou rapidamente pelo Corinthians. Atuou ao lado do Reizinho do Parque entre 1964 e 1965. Com a camisa alvinegro, Sergio, que era um hábil ponta-direita, fez apenas 11 jogos pelo time principal: sete vitórias, quatro empates e nenhuma derrota. E também segundo informações do "Almanaque do Corinthians", de Celso Unzelte, Echigo não marcou nenhum gol pelo time corintiano.

Entre 1967 e 1968, o habilidoso jogador nipônico morou em Três Pontas, cidade de Minas Gerais, onde defendeu o tradicional clube da região que leva o nome do município.

Depois do Corinthians, o ponta-direita chegou a atuar no Bragantino e em 1971 decidiu ir para o Japão. "Ele recebeu apoio financeiro da Coca Cola e da Adidas. Foi para lá para promover eventos de futebol. Hoje, também é manager de um time de hóquei no gelo", conta Maurício, que vive no Brasil e é um dos quatro filhos de Sergio. "Eu e o Sérgio Miguel somos do primeiro casamento. Do segundo casamento, meu pai tem mais dois filhos: meu irmão Motoki e minha irmã Yui.

Além de ajudar muito a promover o futebol na Terra do Sol Nascente com shows e eventos, Sergio Echigo atuou como jogador por lá. Ele defendeu o Touwa Fudosan, que depois ganhou o nome de Shonan Bellmare.

Em 25 de março de 2009, recebemos o e-mail do grande escritor e jornalista Raul Drewnick, sobre o famoso "elástico", o drible que notabilizou Rivellino.

Raul Drewnick escreveu uma crônica com a versão que conhece sobre o famoso drible.
Notem que Raul Drewnick escreve o nome de Sergio como Etigo, que foi assim que ele se habituou a chamar o craque, ao invés de Echigo.

Três craques e um drible (por Raul Drewnick)          
                                                                
Tive grandes ídolos na infância. Nenhum foi maior que Luizinho, o Pequeno Polegar. Ele era a alegria incomparável dos meus domingos. A paixão que tenho até hoje pelo futebol nasceu dele, dos pés dele, da sua magia. O que Charles Chaplin, o Carlitos, fazia no cinema, Luizinho repetia no Pacaembu. Arte pura, divina molecagem. O que devo a Carlitos jamais conseguirei pagar, mas a lembrança que trago agora à tona talvez possa diminuir minha dívida com Luizinho. É, mais que uma homenagem, uma obrigação que imagino ter, como jornalista.

Quando eu era um menino no meu querido bairro do Jardim da Saúde, meu sonho - e o de quase todos os outros garotos que jogavam bola na rua - era ser Luizinho. Eu me esforçava para imitá-lo em tudo, principalmente num drible que só ele sabia dar, e que a imprensa esportiva chamava de desconcertante. Tínhamos treze, catorze, quinze anos e nos achávamos craques. Mas o craque, mesmo, era um menino três ou quatro anos mais novo que nós, um japonesinho chamado Sérgio Etigo. Também fã de Luizinho, ele tentava, como nós, dar o drible que só Luizinho dava.
 
O mundo e a vida me levaram para longe do Jardim da Saúde. Nunca mais vi Sérgio Etigo. Soube, depois, que ele fez carreira no futebol, foi jogar no Corinthians e teve a glória de ensinar ao grande Rivelino um drible ao qual o Garoto do Parque viria a acrescentar um toque de genialidade.
 
E que drible era esse que Sérgio Etigo ensinou a Rivelino? Digo, como humilde testemunha da história, que foi o drible que Sérgio aprendeu com Luizinho. Digo e sinto o mesmo arrepio que sentia todo domingo, na década de 50, sentado na geral do Pacaembu. Obrigado, Luizinho. Obrigado, Sérgio. Obrigado, Rivelino. Eu agradeço. O futebol agradece. 

Em 29 de outubro de 2012, o jornalista Raul Drewnick, que escreveu o texto acima, nos remeteu e-mail de Arika Yoshima, que enviou fotos e informações de Sergio Echigo.

From: Akira Yoshima
Sent: Monday, October 29, 2012 5:13 PM
To: drewnick@sti.com.br
 
Prezado Sr. Raul.
Lendo seu artigo sobre o Sergio Echigo, gostaria de acrescer mais algumas
fotos de quando tivemos oportunidade de jogar  juntos no GR Paullistano  do
Jardim da Saude.

Foi uma epoca maravilhosa para nós. Todas as tarde jogavamos no campinho
do jardim. Realmente o Sergio dava dribles desconcertantes, e muitas vezes
alguem levava uma *entortada*"e caia sentado nos espinhos da coroa de
Cristo que cercava o campinho.

Estou enviando-lhe algumas fotos para matar a saudades. Hoje ele vive no
Japão.
Atenciosamente
Akira Yoshima

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