Roland Ratzenberger

Ex-piloto de Fórmula 1
por Marcos Júnior Micheletti
 
O piloto austríaco Roland Ratzenberger faleceu aos 33 anos, em 30 de abril de 1994, durante os treinos para GP de San Marino de Fórmula 1,  em Ímola, corrida em que Ayrton Senna perdeu sua vida no dia seguinte. Clique aqui e veja matéria publicada no Portal Terceiro Tempo nos 25 anos da morte de Ratzenberger.
 
Natural da cidade de Salzburgo, onde nasceu em 04 de julho de 1960, Ratzenberger, com passagens pelo automobilismo inglês e japonês, disputava seu terceiro GP na F1 pela modesta equipe Simtek-Ford, que também estava em seu ano de estreia na categoria.
 
Após perder a asa dianteira de seu carro, o austríaco bateu violentamente contra um muro, um pouco antes da curva Rivazza, a cerca de 300 km/h.
 
A imagem após o impacto é forte. A cabeça do piloto estava de lado e havia manchas de sangue no cockpit. Com sérias lesões cerebrais, os médicos tentaram massagem cardíaca e respiração artificial, mas ele chegou sem vida ao Hospital Maggiore, de Bolonha, o mesmo em que Senna foi declarado morto um dia depois.
 
Nesse aspecto, há uma dúvida. Alguns investigadores dizem que Ratzenberger já estava sem vida no autódromo, o que impossibilitaria a realização da corrida no dia seguinte, de acordo com a legislação italiana, até que os fatos fossem devidamente apurados, mas os organizadores da prova e a FIA alegaram que ele chegou com vida ao hospital italiano.
 
O jornalista Flavio Gomes, que fazia a cobertura do GP de San Marino em 1994, escreveu sobre a morte de Roland Ratzenberger na Folha de S.Paulo em 04 de maio de 1994. Abaixo, o texto na íntegra.
 
Dirigentes omitiram morte de Ratzenberger

FLAVIO GOMES
ENVIADO ESPECIAL DA FOLHA DE S.PAULO
 
Os dirigentes da Fórmula 1 omitiram deliberadamente a informação sobre o momento e local da morte do piloto austríaco Roland Ratzenberger, 31, ocorrida sábado nos treinos para o GP de San Marino, em Imola.
 
O resultado da autópsia realizada ontem no corpo do piloto não deixa dúvidas. Ratzenberger morreu com o impacto de seu carro no muro de concreto da curva Villeneuve, a mais de 300 km/h.
 
Segundo os médicos, em nenhum momento depois do choque Roland recobrou seus sinais vitais. As massagens cardíacas realizadas ainda na pista não tiveram efeito. Ratzenberger morreu no autódromo –clínica e legalmente, pela legislação italiana.
 
A FIA e a Foca omitiram essa informação. O corpo do piloto foi embarcado num helicóptero e transferido para o hospital Maggiore, de Bolonha.
 
O teatro incluiu massagens cardíacas no lado direito do peito de Roland. Oficialmente, ele morreu oito minutos depois de ser hospitalizado. Esse curto espaço de tempo, de certa forma, exime o hospital de uma suposta participação na farsa montada pelos dirigentes.
 
Oito minutos foi o tempo necessário para remover seu corpo do helicóptero, colocá-lo numa ambulância, levá-lo até a ala de traumatologia e subir de elevador até a unidade de reanimação.
 
Se fosse declarada sua morte no circuito, a Justiça Italiana interditaria imediatamente o autódromo para a abertura de inquérito.
 
A morte de Ratzenberger foi "transferida" para o hospital, livrando o GP da ameaça de suspensão. Se não tivesse sido enganada pela FIA e pela Foca, a Justiça da Itália poderia ter impedido a realização da prova que matou Ayrton Senna, 34, e feriu mais dez pessoas. Uma delas, um torcedor atingido por um pneu do carro de Pedro Lamy, está em coma.
(FG).
 
ABAIXO, CRÔNICA ESCRITA PELO JORNALISTA FLAVIO GOMES, PUBLICADA EM SEU BLOG, EM 25 DE AGOSTO DE 2015, UM TEXTO QUE SE COADUNA PERFEITAMENTE A TODOS OS PILOTOS QUE MORRERAM EM DECORRÊNCIA DE ACIDENTES NAS PISTAS

CARTA À MORTE

Dona Morte,

Não te regozijes. No fundo, és uma incompetente, fracassada. Espreita-nos há mais de um século, vestindo este costume ridículo e carregando uma foice burlesca.

A cada volta, tens ganas de nos levar contigo e crês que lograrás sucesso. Esconde-te após as curvas, coloca-te diante de nós nas retas, não nos importamos; passamos por ti como se não existisses, rimos na tua cara, rimos da tua cara. O tempo todo.

Dona Morte, és uma figura parva, tola, quase nula, despida de mínima aptidão para nos tocar.

Às vezes consegues, admitimos. Mas conta: quantos somos? Quantos fomos? Milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares, milhões, talvez.

E quantos de nós levaste graças à tua perfídia, à tua existência vulgar e desprezível? Poucos, Dona Morte. Pouquíssimos.

Por isso, não te regozijes por ter arrastado mais um de nós. Saberemos, como sempre fizemos, gargalhar de tua efígie chula na próxima curva, na próxima reta, mesmo sabendo que estarás por perto, e por ti passaremos velozes e indiferentes à tua ceifadeira inútil e picaresca. Desafiamos-te a todo instante, ignorando tua infeliz presença, ainda que penses que inspiras em nós algum temor.

Não nos inquietamos diante de tua inglória missão, antes desprezamo-la, e isso se nota quando, à tua expectativa, aceleramos mais e mais, de modo que, quando nos aproximamos de tua estampa lúgubre, tão rápido estamos que não tens a destreza necessária para interromper-nos, e ficas a brandir teu instrumento no vazio, como se fosses um fantoche apalermado, enquanto seguimos zombando de ti.

Para cada um de nós que, apesar de tua imperícia, carregas ao acaso, uma centena nascerá para troçar de tua inépcia.

Não temos medo de ti. E se morremos, é porque assim decidimos viver.

Subscrevemo-nos,

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