Roberto Silva, o Olho Vivo

Ex-repórter esportivo
O famoso repórter esportivo do rádio nos anos 70, Roberto Silva, que na verdade se chamava Gonçalo Leme da Silva, viveu em Mauá (SP), onde trabalhou na Rádio Visual apresentando o programa "Show do Meio-Dia", especializado em notícias policiais, esportivas e políticas, pouco antes de morrer no ano de 2003.

"Gonçalo Leme da Silva virou Roberto Silva porque o primeiro diretor artístico, que era Sebastião Leporassi, achou que Gonçalo não ficava bem e eu escolhi o Roberto", contava o cronista. Roberto iniciou a carreira na Rádio Cultura da cidade Poços de Caldas (MG), que era uma das mais potentes do Brasil na época.

Futuramente a Cultura seria comprada pela Bandeirantes, que trouxe para São Paulo o transmissor de 31 metros. Hoje, a Cultura tem como dono o ex-repórter Chico de Assis. Roberto Silva ficou trabalhando em Poços de Caldas até 1962, quando fui convidado pela Rádio Itatiaia, na qual ficou um ano, trabalhando como locutor comercial.

O esporte só apareceu na carreira do Olho Vivo quando surgiu a Rádio Difusora, inaugurada por Carlos Cherman. Na Difusora, Roberto foi responsável pela formação da equipe esportiva, que transmitia os jogos da Caldense. A partir daí começaram a surgir os convites para trabalhar na Rádio Bandeirantes. "Não queria vir para São Paulo, mas em 1965 a oferta foi boa. Era quase o dobro do que ganhava", dizia Roberto Silva.

O antigo repórter conta que sua ficou ameaçado depois que Jorge Rodrigues Mello, o Mellinho, que era o chefe da equipe da Bandeirantes, um dia o escalou para narrar uma partida entre Flamengo e Portuguesa, no Maracanã. "Fui para lá com o Barbosa Filho, comentarista, Chico de Assis e Alexandre Santos.
Foi um desastre a transmissão. Não fui bem, a rádio saiu do ar e pensei que ia ser mandado embora na volta", lembrava Olho Vivo, que se tornou repórter anos mais tarde. "Em 1966, o Murilo Leite, diretor da rádio, encontrou-me no corredor da rádio, falou que eu estava indo bem como repórter e que estaria na próxima Copa do Mundo."


Roberto Silva inovou também quando começou a usar no campo a publicidade. "Era um repórter que fazia propaganda. Usava a marca Wallita. Era uma roupa horrorosa, diga-se de passagem", brincava Olho Vivo, que chamou atenção ao fazer um novo tipo de reportagem. "Pegava o torcedor na arquibancada, dava informações sobre a cidade natal dos jogadores e isso era diferente."
O apelido Olho Vivo surgiu de uma brincadeira do narrador Ênnio Rodrigues. "Eu entrevistava alguma personalidade nas numeradas e falava do lance, quando era chamado pelo narrador (Ênnio ou Fiori Giglioti), como se estivesse atrás do gol. O Ênnio brincava: Ele tem olho vivo. Consegue pegar tudo", falava Roberto, que trabalhou nas Copas de 70, 74 e 78.


Ele, que também teve uma passagem pela Rádio Capital, não esteve na Copa do Mundo de 1982 porque estava fazendo cobertura do então presidente João Baptista Figueiredo pela Rádio Excelsior. Em 1983, ele retornou para a Bandeirantes, onde ficou até 1986. Depois da Copa do Mundo, ele recebeu uma proposta da Record. Roberto Silva ficou na emissora até 1990 e depois foi para Mauá para montar sua própria rádio. "Estava meio cansado das viagens e resolvi montar a Rádio Mauá, que hoje pertence a Cidade das Crianças, em Santo André", contava Roberto Silva. "A Rádio Mauá estava muito bem, mas os donos acabaram vendendo a rádio", lamentava o Olho Vivo, que era casado e deixou cinco filhos.

por Rogério Micheletti
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