Germana, a Gêgê

Primeira jornalista esportiva mulher
por Túlio Nassif

Nascia no dia 26 de dezembro de 1927, em São Paulo capital, uma grande mulher. Germana Garilli, filha de Armando Garilli e Nila Puccineli Garilli, ela se tornaria futuramente uma guerreira no mundo esportivo, dentre ótimos jornalistas que atuaram no início da década de 60, até os dias de hoje.
 
Dona Germana Garilli, a famosa Gêgê, conhecida assim, pelos fãs e amigos do rádio brasileiro. Contudo, quando chamada de “Titta”, é que se sente à vontade, uma vez que, o apelido tem origem familiar.
 
Atualmente, pratica Lian Gong e Tai Chi, exercícios corporais orientais. Está aposentada pela Secretaria da Saúde, onde trabalhou no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, mas dá aulas de recuperação atendendo como voluntária de fisioterapia para pessoas da terceira idade. Hoje, reside no Campo Belo, São Paulo.

Gêgê, antes de ingressar profissionalmente no jornalismo, foi atleta. Entretanto, conciliou a vida esportiva, com o começo no jornalismo. Teve três colunas, cada uma em diferentes meios de comunicação. Escreveu, em 1962, para a Tribuna Ituana; em 1968, para a Tribuna de Franca e em 1972, para a Gazeta de Santo Amaro no famoso espaço conhecido como: “A Bola é Dela”.

Arriscou ser árbitra de atletismo em 1969, pela CBDU, nos jogos universitários realizados em goiano e Brasília, integrante da equipe Professor Clóvis Nascimento.

No Clube Atlético Indiano, foi jogadora da equipe feminina do futebol de campo e ministrou aulas de ginástica, entre 1970 e 1982. Durante esse tempo, precisamente dois anos, de 1970 a 1972, atuava como redatora da Associação Cristã de Moços, da qual era sócia-participante desde 1963, das equipes de ginástica e vôlei.

Foi adepta por alguns anos, de Judô, sob a orientação de Mário Ono.

Posteriormente, foi atleta militante do São Paulo, em tempos idos, cujo técnico era Dietrich Gerner. No Tricolor Paulista, ajudou o ex-presidente Laudo Natel, na campanha da construção do estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi.

Participou do grupo de ginástica do Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, onde fazia apresentações.

Depois de todo o período como atleta, Gêgê iniciou sua carreira como locutora da Rádio Mulher (antiga Rádio Difusora Hora Certa), em uma equipe onde somente mulheres faziam parte. Ao seu lado, estavam Claudete Troiano, Jurema Lara e Leilah Silveira. E foi a grande Jurema, quem criou o bordão: “Fala daí Gêgê!”. Isso porque, quando ela não sabia de algo, estava em dúvida ou com algum receio, para não fazer feio, rebatia diretamente a Gêgê com perguntas. Foram cinco anos de sucesso.

Passou a ser noticiarista (um redator de notícias), programadora musical e repórter esportivo de radiações ao vivo das partidas de futebol.

Possui a honra, de ser reconhecida, oficialmente pela FPF (Federação Paulista de Futebol), como a primeira repórter feminina profissional a fazer cobertura do futebol, no campo.

A própria diz, que sempre fora tratada com extremo respeito pelos colegas de trabalho, dirigentes e jogadores, exceto um, o ex-goleiro Leão.

Certa vez, ela foi encarregada de entrevistar o grande goleiro e, ao se aproximar disse: “Senhor Leão, posso falar com você?”. E o mesmo rebateu: “Lugar de mulher não é no campo!”.

Ela entrou no ar e pediu desculpas aos ouvintes, disse que Leão não quis conceder entrevista para a rádio. A partir desse dia, Gêgê jurou nunca mais entrevistá-lo. Juramento que cumpriu.

Todavia, a mulher que carregava um microfone em punho, sem medo e com extrema astúcia, fez diversas amizades. E que amizades!

Laudo Natel, Álvaro Paes Leme, José Ermírio de Moraes, Milton Galdão, Osvaldo Teixeira Duarte, Zé Italiano, Rubens Pecce, Darcy Reis, Roberto Silva, o “Olho Vivo”, Alexandre Santos, Fiori Gigliotti, Mauro Pinheiro, Lucas Neto, Flávio Iazzetti, Fernando Solera, Dante Borgghi Júnior, Rivellino, Jairzinho, Guaraci (ex-Portuguesa), Basílio, Wladimir, Miguel (ex-goleiro da Portuguesa), Vaguinho, Everaldo (ex-Grêmio), Sucupira, Teodoro, os juízes Armando Marques e Pedro Inácio Silva, etc.

São-paulina doente, Gêgê é defensora de duas causas: a prática do bom futebol e principalmente, do futebol feminino.

No dia 30 de novembro de 2012, Germana foi agraciada pela ACEESP, com o prêmio Ford ACEESP, sendo esta, a "Homenagem Especial à 1ª Equipe Feminina do Jornalismo Esportivo.
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