Elzo

Ex-volante do Atlético Mineiro
Elzo, o Elzo Aloísio Coelho, ex-volante do Clube Atlético Mineiro, Internacional de Limeira, Palmeiras, Benfica de Portugal e titular absoluto da Seleção Brasileira, dirigida por Mestre Telê Santana, na Copa do México de 86, mantém residência em Machado, Sul de Minas Gerais.
 
Aliás, falando em Machado-MG, em 3 de agosto de 2018 recebemos fotos da construção de uma estátua de Elzo (em construção). CLIQUE AQUI E VEJA a matéria sobre a obra.

Lá, é técnico de futebol, revela jovens craques, continua com o mesmo peso de seu tempo de jogador, é empresário, dono de um restaurante, de uma loja de materiais esportivos chamada "Elzo Sports" e de 25% da distribuidora Brahma daquela região do Sul de Minas.

Em janeiro de 2005, exercendo a atividade de técnico de futebol, ele teve passagem pelo Mixto de Cuiabá-MT. Antes, Elzo já havia dirigido o Rio Branco de Andradas (MG). "Ele era meu companheiro na TV em Minas. Eu sempre achei que o Elzo podia ser um grande técnico e à época eu o indiquei ao presidente do Rio Branco", conta o jornalista Rodrigo Viana.

Elzo nasceu no dia 22 de janeiro de 1961, na cidade de Serrânia-MG (lá nasceu também o jornalista Ney Gonçalves Dias), próxima de Machado e Alfenas, e ele se chama Elzo porque tem uma irmã gêmea chamada Elza. Ele começou a jogar no Ginásio Pinhalense (SP) no final dos anos 70.

No Galo Mineiro, clube que brilhantemente defendeu de 1983 a 1987, projetou-se e ganhou sua maior oportunidade ao jogar pela Seleção Brasileira, com o técnico Telê Santana, no Mundial do México de 1986.

Foi considerado no México o melhor preparo físico da Copa, ousou deixar Falcão na reserva, disputou todos os jogos, salvou um gol de Tiganá no final da prorrogação entre Brasil e França e foi apontado por Telê Santana como o melhor jogador do Brasil na competição. Ele ia cobrar o pênalti que não foi convertido por Júlio César. Telê mudou em cima da hora, infelizmente.

Elzo chegou a ter também ótima passagem pelo Benfica de Portugal e ganhou uma nota 7 jogando pelo Palmeiras. No Verdão, teve mais uma vez Telê como técnico. Encerrou a carreira de jogador de futebol precocemente, no começo dos anos 90. Tinha só 30 anos.

Dor pelo filho

O ex-volante é casado com Regina e perdeu o mais velho de seus dois filhos em um acidente de carro na cidade de Machado (MG), no dia 21 de março de 2009. Elzo Túlio Bressane tinha apenas 15 anos, pegou o carro escondido da família e capotou o veículo no trevo que dava acesso ao cemitério da Saudade.
Elzo, que é irmão gêmeo de Elza, ainda joga bola com veteranos da região ou com seus colegas, também de Seleção Brasileira, conforme você confere abaixo, em um flyer da Seleção Brasileira de Masters.

Na segundona do Paulistão

Pouca gente sabe, mas Elzo também defendeu uma equipe da Segunda Divisão de São Paulo no começo de carreira. "Ele jogou seis meses pelo Amparo Atlético Clube, da cidade de Amparo (SP). Eu era o presidente do clube e me lembro muito bem do Elzo, que já era um bom jogador", conta o empresário Juca Amaral.

por Rogério Micheletti
 
Abaixo, a entrevista de Elzo ao portal UOL, publicada em 3 de junho de 2014, quando o ex-jogador falou sobre a sua relação com Telê Santana
 
"Patinho feio" do Brasil em 86 diz que foi humilhado por Telê no vestiário

José Ricardo Leite e Vanderlei Lima
Do UOL, em São Paulo

Uma dura inesquecível e que gerou choro, revolta e incompreensão por alguns dias. Essa é uma das lembranças do ex-volante Elzo, titular da seleção brasileira na Copa de 1986, quando fala da preparação do time. Ele revela ter ouvido fortes palavras do técnico Telê Santana no vestiário, só os dois, e que se sentiu humilhado.

O meio-campista foi uma das apostas do treinador para o time. Elzo deixou no banco o badalado e histórico volante Falcão. Logo quando foi pré-convocado na lista de 30 jogadores, dos quais oito seriam excluídos, foi contestado por muitos na época por seu estilo defensivo. Virou uma espécie de "patinho feio" da equipe. "Havia uma desconfiança muito grande porque eu fui a surpresa da lista", lembrou ele em entrevista ao UOL Esporte.

Na disputa para se manter entre os convocados da lista final para a Copa do México, Elzo lembra que adotava o estilo operário e abusava do esforço, sua marca registrada como jogador. Era o primeiro a entrar dos treinos e o último a sair. Eis que depois de um dos treinamentos na Toca da Raposa, local de preparação do time, Telê o chamou para uma conversa a sós. E, sem cerimônia, passou a disparar críticas ao jogador.

"Quando ele entrou no vestiário e me viu, fechou a porta...eu não consigo esquecer as palavras dele. Ele me falou: ´Olha Elzo, eu vou dizer uma coisa pra você: craques aqui são Zico, Falcão, Sócrates, Júnior, Éder, Oscar...você não é nada aqui, sabia? Você é, inclusive, o primeiro da minha lista para ser cortado. Você pensa que está me enganando ficando até mais tarde no campo e sendo o primeiro a chegar? Você não me engana não, cara. E vou dizer mais: vou sair daqui do vestiário agora porque minha vontade é de te pegar e te agredir. Você merece isso. Não é papel de homem o que você está fazendo, isso é papel de moleque´. E depois ele bateu a porta do vestiário e saiu andando", recordou Elzo, perplexo com a atitude do técnico e sem entendê-la. Ouviu tudo calado e não conseguia ter nenhuma reação.

"Aí eu entrei debaixo do chuveiro, tomei um banho e comecei a chorar. Fui para o meu quarto, arrumei minha mala e pensei: `Quer saber? Eu vou é embora amanhã e quando as pessoal acordarem ninguém vai mais me achar por aqui´", continuou.

Ele conta que a transe psicológica e a baixa autoestima duraram mais alguns minutos. Até que tirou forças de onde não tinha para superar a dura levada e a quase iminente dispensa da equipe que iria para o México. Pensou, refletiu e entendeu que tinha que cumprir seu papel de maneira correta até que lhe fosse anunciada a exclusão.

"Lembrei que eu tinha sido por três anos consecutivos o melhor jogador de Minas Gerais. Aí o cara vem e fala que não tenho qualidade? Pensei, quer saber de uma coisa, ao invés de 7h estarei no campo 6h30 no dia seguinte. Chegava antes do roupeiro e dava mais piques do que dava antes", recordou.

Apesar do que havia ouvido do técnico, Elzo não fez parte da lista de oito dispensados e foi com a equipe até o final, sendo titular absoluto, mesmo com contestações de parte da torcida. Foi bancado por Telê e não tiveram nenhum contato ou conversa mais íntima durante todo o torneio. Mesmo após a eliminação para a França, nas quartas de final, voltaram para o Brasil sem conversar.

O mineiro voltou encucado com tudo aquilo e sem saber quando teria a chance de tirar aquela história a limpo. Mas a sua agonia durou pouco tempo. Elzo foi um dia almoçar em uma churrascaria em Belo Horizonte e cruzou com o técnico bem na porta. Não teve reação e apenas esperou o que o ex-comandante faria. Eis que Telê novamente o chama para conversar. O ex-jogador lembra até hoje de todas as palavras.

"Já pensei ´minha nossa, vou levar outra dura...mas ele falou:  Elzo, que bom que te encontrei. Queria conversar com você de novo depois daquela dura. Lembra daquela vez que eu falei que aqueles jogadores eram melhores que você?", indagou o treinador. "Respondi que sim, claro, que jamais esqueceria daquilo que você fez comigo. E ele então prosseguiu ´Sabe porque foi aquilo? Pra você ser o titular e o melhor jogador do Brasil na Copa. E vou te dizer uma coisa...você chorou aquele dia? E agora quem chora sou eu´", contou.

Elzo conta que Telê então passou a chorar e deu um abraço no jogador. Entendeu que o treinador quis fazer com ele no vestiário um teste psicológico para saber se suportaria a pressão de ser o titular de uma badalada seleção com vários craques e sendo contestado não só pela torcida, como pelo próprio treinador. Passou na fogueira e não guardou mágoa nenhuma. Foi considerado um dos melhores jogadores do Brasil no Mundial.

"Ele queria ver se eu era firme mesmo. Depois até conversei sobre isso com o filho dele, o Renê. Ele mexeu comigo psicologicamente, e se eu fosse fraco, teria arrumado minha mala e ido embora. Mas coloquei aquilo como um desafio, uma motivação final. Faço até hoje palestras motivacionais para superação."

O ex-preparador de goleiros Valdir Joaquim de Moraes era da comissão técnica de Telê na Copa e um dos homens de sua confiança. Diz que o treinador não avisou os demais integrantes do episódio com Elzo. Mas ressaltou que essas atitudes aconteciam de sua própria cabeça com frequência e que não eram mal vistas pelos atletas.

"Não, ele não comentou comigo que faria isso. O Telê tinha essas coisas assim, saía da cabeça dele. Tem vários casos assim, mas não sabia que ele tinha feito isso. O Telê tinha cara de bravo, mas na verdade não era. Ele era um cara sério, muito correto. E que queria que os jogadores se entregassem de corpo e alma."

Telê e sua psicologia

A fama que Telê Santana sempre carregou foi de um extremo perfeccionista e que dava fortes broncas em jogadores quando cometiam erros que não aceitava. Mas ainda assim sempre foi querido pela grande maioria dos seus comandados.

Não se cansava de repetir fundamentos e estimulava que os atletas corrigissem seus defeitos com repetições e orientações. Não se limitava à profissão e dava conselhos pessoais, como orientar para que os atletas não gastassem dinheiro com mulheres e carros caros. Em crise financeira nos últimos anos, o ex-atacante Macedo recorda que foi avisado pelo comandante quando estava "se perdendo".

"O Telê falava: ´toma cuidado com as meninas, elas não vão dar nada pra você, vai investir em terra e imóveis. Vocês acham que são bonitos? Elas só querem seu dinheiro", recorda o ex-são-paulino.

Citado por Elzo, Renê Santana, filho de Telê, preferiu não entrar em detalhes sobre a história do volante. Mas disse que Telê era como pai da mesma forma que como profissional, um cara exigente e que fazia cobranças e tinha estratégias sempre visando que as pessoas melhorassem.

"Eu sei que houve isso, como se deu o Elzo é que tem autoridade pra contar, ele colocou uma situação que era para testá-lo. Mas ele sabia lidar muito com a psicologia. Fazia as coisas com quem ele conhecia e sabia que ia responder. Às vezes como uma palavra ou uma atitude. Era método que ele tinha para tirar o máximo dos atletas. Ele exigia de quem tinha que exigir e às vezes uma bronca era em busca de um talento a mais", falou.

"Ele procurava orientar atletas mesmo sabendo que seria ignorado. Sentia que era obrigação dele de falar algumas coisas. Ele achava que tinha que preservar um jogador que passava a ter uma bolada nas mãos. Na questão familiar, sempre fez isso na formação dos filhos, assim como fazia com jogadores."
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Principais títulos:

Campeão Mineiro em 1983, 84, 85 e 86. Campeão Nacional de Portugal em 1987, 88 e 89. Vice-campeão da Europa em 1988. Campeão do Torneio Tereza Herrera, da Espanha, em 1987 e 88. Campeão do Torneio de Amsterdan em 1984 e 85. Campeão do Torneio de Genebra, na Suíça, em 1986.

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