Caio Cambalhota

Ex-atacante do Botafogo, Flamengo e Galo
Por Rogério Micheletti / colaborou: Severino Filho
 
A família Lemos tem tradição no futebol. Dela saíram três grandes artilheiros para o futebol brasileiro: César, o César Maluco, Luizinho e Caio Cambalhota, o José Carlos da Silva Lemos.
 
Nascido em Niterói no dia 11 de setembro de 1949, Caio começou a carreira nas categorias de base do Botafogo. De 1966 a 1969, jogou ao lado de outros jogadores famosos, entre eles Nilson Dias, o ponta-direita Rogério e Chiquinho. "Saí do Botafogo porque fui indicado ao Flamengo pelo Zagallo?, conta Caio, que hoje é técnico de futebol, mora em Niterói, Rio de Janeiro, divorciado, pai de quatro filhos e avô de quatro netos.

Em 1970, então, o atacante se transferiu para o Flamengo. No mesmo ano, foi emprestado para a Ponte Preta. "Era muito jovem e fui repassado para a Ponte. Era um timaço o da Ponte. Tinha o Dicá, o Manfrini, o Nelsinho (Nelsinho Baptista), o Wilson Quiqueto, o Waldir Peres, entre outros?, lembra o ex-atacante. Caio também jogou por empréstimo pelo América do Rio, em 1971 e 1973. No alvi-rubro atuou ao lado do irmão Luizinho, do volante Ivo (Ivo Wortmann), de Badeco, Flecha, Bráulio e companhia.

Um dos melhores anos da carreira de Caio foi o de 1972. Foi nessa época que surgiu a cambalhota nas comemorações de gols, uma marca registrada do atacante. "Depois surgiram o Romeu, o Cafu, o Alessandro, mas quem inventou mesmo a cambalhota como forma para comemorar gols fui eu?, garante Caio. Ele conta ainda que a maneira de vibrar depois do gol aconteceu de forma acidental.

"Eu tinha um treinador de boxe, o Manoel, na Academia da PM, que me ensinou a dar cambalhota para a defesa pessoal. Não pensava em utilizá-la no futebol. Certa vez, eu brinquei com um fotógrafo do jornal ?O Dia?. Disse que iria pular em cima dele se fizesse um gol pelo Flamengo. Eu fiz o gol e ele estava próximo da trave. Para não cair em cima do fotógrafo, eu dei uma cambalhota. Este fotógrafo achou a comemoração muito legal e falou que eu tinha de continuar?, revela Caio.

E quem foi várias vezes "vítima? das cambalhotas de Caio foi o Fluminense, no dia 23 de abril de 1972, no Maracanã. "Cada gol que eu marcava, dava uma cambalhota. Fiz três?, diz Caio. O rubro-negro venceu aquele "Fla-Flu?, válido pelo Campeonato Carioca, por 5 a 2.
Em 1973 defendeu o Tiradentes do Piauí, marcando muitos gols pela equipe, inclusive um que considera um dos mais lindos de sua carreira. Foi contra o Coritiba, pelo Brasileirão daquele ano. Caio driblou o goleiro Jairo (que depois defendeu o Corinthians) e chutou de letra, na vitória do Tiradentes por 2 a 1 contra o Coxa. O jogo foi realizado no Estádio Albertão.
 
Pelo rubro-negro, conforme informa o "Almanaque do Flamengo?, Caio realizou 134 jogos (69 vitórias, 45 empates e 20 derrotas) e marcou 48 gols. O atacante participou de várias conquistas importantes, entre elas o Campeonato Carioca, Torneio de Verão (competição disputada por times como Benfica e Santos) e Torneio do Povo, que reunia as equipes consideradas com maior número de torcedores: Flamengo, Corinthians, Atlético Mineiro, Internacional, Bahia, entre outras. "E fui artilheiro várias vezes jogando pelo Flamengo. Só não fomos muito bem no Campeonato Brasileiro?, fala.

O ex-atacante se orgulha de ter feito parte de três "eras? do Mengão. "Na primeira, eu joguei ao lado Buião (ponta-direita), do Nei (atacante), do Caldeira (ponta-esquerda), do Fio Maravilha, do Domingues e outras feras. Na segunda, eu tive como companheiros o Renato (goleiro), o Chiquinho, o Reyes, o Luxemburgo, o Júnior, entre outros. Na terceira, eu atuei ao lado do Zico, do Luizinho (meu irmão) e tantos outros grandes jogadores?

Caio permaneceu na Gávea até 1976, ano em que teve seu passe comprado pelo Atlético Mineiro. Chegou ao Galo para ser reserva de Reinaldo, o outro centroavante. Mas o técnico Barbatana optou por colocá-lo como ponta-direita. "Eu joguei improvisado nesta função. Os dois pontas autênticos eram o Marcinho e o Marinho (que depois se destacou no Bangu). Mas foi ótimo ter atuado ao lado do Reinaldo, um dos melhores jogadores que eu vi?, elogia Caio.

Com a camisa atleticana, Caio fez parte da equipe vice-campeã brasileira de 1977. "Uma injustiça o Atlético ter sido o vice-campeão naquele ano. A nossa campanha foi bem melhor do que a do São Paulo. Fizemos quase 30 pontos a mais do que o São Paulo, que venceu a final nos pênaltis e ficou com o título nacional?, lamenta.

Depois do Galo, Caio defendeu por empréstimo o América Mineiro, em 1978, e no mesmo ano seguiu para o futebol português, onde permaneceu até 1989. "Fui para Portugal por indicação do Jeremias, ex-jogador do Fluminense. Não tive problemas de adaptação em lugar algum?, diz Caio, que depios jogou pelo Tunsing, de Hong Kong (em 1989) e pelo Al Tadamon, do Catar (em 1990).

Em 1991, ele retornou ao Brasil. Defendeu a Caldense (MG), o Rio Branco de Andradas (MG), o Tupi (MG), o Tiradentes (DF), a Votuporanguense (SP) e a Portuguesa Carioca, seu último clube. "Encerrei a carreira com 43 anos. Antes, eu fiz parte da equipe da Portuguesa campeã carioca da segunda divisão?, revela.

Elogios para Reinaldo
Segundo Caio, Reinaldo era melhor até do que Romário e poderia ter superado Zico. "O Reinaldo fazia gols inacreditáveis. Era um jogador completo. Sabia jogar atrás e na frente. Acho que ele foi melhor do que o Romário e se tivesse jogado no Rio poderia ter sido mais famoso até do que o Zico?, diz o ex-atacante.

"Eu vi de perto dois gols maravilhosos do Reinaldo, sendo que um deles lhe valeu até uma placa no Mineirão. Esse aconteceu contra o América de Natal. Também teve um contra o Remo, em Belém, que ele com um drilbe de corpo derrubou os zagueiros, o goleiro e até eu mesmo cai. Era realmente genial, mas pena que tinha sérios problemas no joelho?, lamenta Caio.

Teimosia do Velho Lobo
O ex-centroavante tem um carinho muito grande pelo técnico Zagallo, afinal foi o Velho Lobo quem o indicou para defender o Flamengo. Caio lembra que a teimosia de Zagallo era a marca registrada do treinador nos anos 70. "Existia uma pressão muito grande para que eu saísse do time titular do Flamengo. Eu estava há quatro jogos sem marcar e muita gente pedia pelo Dionísio, que cabeceava muito bem. O Zagallo falou que ele mandava no time e ponto final. Não me tirou. Aí, eu comecei a marcar gols e permaneci entre os titulares?, conta.

 Chances na seleção
Caio não teve chance de defender a seleção brasileira principal, mas chegou a ser convocado pelo técnico Antoninho para a seleção sub-20, em 1970. Também faziam parte do selecionado jogadores como Falcão, Terezo (lateral), Cláudio Adão, entre outros.

O jogador Vanderlei Luxemburgo
Caio defende com unhas e dentes o ex-lateral Vanderlei, que hoje é o técnico Vanderlei Luxemburgo. "O Vanderlei era um excelente jogador. O Júnior foi jogar como lateral-direito porque o Vanderlei era mesmo um ótimo lateral. Hoje é um excelente treinador?, comenta o ex-atacante, que como técnico já trabalhou na categoria juniores do América do Rio e como profissional do Goytacaz (RJ), Rio Branco de Andradas (MG), Caldense (MG), Rio Branco (ES) e Flamengo (PI).
/ colaborou: Severino Filho
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Pelo Flamengo:

Atuou em 134 jogos, sendo69 vitórias, 45 empates e 20 derrotas. Marcou 48 gols.
Fonte: Almanaque do Flamengo, de Roberto Assaf e Clóvis Martins.

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