Bira Valdez

Ex-jornalista da Rede Bandeirantes

No dia 23 de junho de 2005, morreu o jornalista Bira Valdez, vítima de infarto. Milton Neves, seu colega na Faculdade de Jornalismo, em 1972, assim escreveu, homenageando seu grande amigo:

"Na Faculdade de Jornalismo do Objetivo, em maio de 1972, ele era o Bira e eu o "Muzamba Caipira". Na Jovem Pan, em junho, ele virou "Ubirajara Valdez". "Bira é toco de cigarro ou nome de ponta-esquerda", dizia, aos berros, o saudoso Fernando Vieira de Mello, então diretor de jornalismo da Pan.

Fernando nos contratou a ambos. Fomos indicados por João Carlos Di Gênio e por Paulo Saab. Mais tarde, indiquei Sandra Guerra, João de Barro e Alfredo "Fefeu" Marcondes. Éramos 200, na primeira turma da SUPERO: Sociedade Paulista de Ensino Renovado Objetivo. Bira namorava Claudia Picazio. Ela acabou se casando com Luciano Ornellas, mineiro, Galo doente, nosso professor, irmão de Warley, ex-lateral do Galo mais lindo do mundo.

No dia do primeiro teste na Jovem Pan, eu cheguei na avenida Miruna, 713, Aeroporto, lá pelas seis da tarde. Bira, cabeludo, enorme bolsa de couro à tiracolo, já estava voltando com matéria-teste feita em um enorme gravador emprestado por Realy Júnior.

Ele chegou antes de mim, tinha carro, fui de ônibus, errei a linha, cheguei atrasado três horas. A "Hora da Verdade" estava no ar, nas vozes de Luis Mário Zanata e Marco Antonio Woitchumas, um gaúcho de voz linda, que já morreu. "Alô, Ubirajara Valdez, agora é a sua vez", disse o saudoso locutor, que morreu em seu Fusca, três dias depois de habilitado no Detran, em 1974.

Ali, Bira Valdez (nome que adotara ao trocar São Paulo por Porto Alegre) estava iniciando uma bela carreira no jornalismo. De repórter a diretor do Grupo Bandeirantes de Rádio e Televisão, foi um pulo.

Tudo terminou numa quinta-feira, dia 23 de junho de 2005, quando morreu fazendo aquilo que tanto preciso fazer: correndo na esteira da academia do Blue Tree, da Faria Lima com Juscelino Kubitscheck.

Foi a última vez de Bira na terra. Mas ele não sairá do ar nunca".
Milton Neves

MENSAGEM DE SUA FILHA, PAULA VALDEZ, QUE ELA PUBLICOU EM SEU INSTAGRAM NO DIA 23 DE JUNHO DE 2021

Carta aberta ao meu pai:

Há 16 anos, quando eu estava fazendo a minha vida normal de academia, trabalho e qualquer outra questão que a gente tem aos 26 anos, poderia imaginar tudo. Tudo! Tudo!!! Mas jamais que seria o dia de receber a pior notícia de todas. A vida não tinha esse direito. Você não tinha esse direito!

Foi um choque! Fiquei sem saber o que estava acontecendo, sei lá… foi de repente… As pessoas falavam, mas eu não ouvia nada. As pessoas me abraçavam, mas eu não sentia nada. E que medo fiquei eu de nunca mais sentir nada na vida. Logo eu, a mais emotiva de todas.

Senti raiva! De você. Da vida! De Deus! E que Deus? Parei de acreditar nele também! Não era possível que entre tantas pessoas, você iria embora tão cedo. Eu não tinha outra alternativa. Era eu e você. Você e eu. E quem veio chegando depois.

Nunca me senti tão perdida, tão sozinha na minha vida! Ainda me sinto, às vezes…

Só pensava como seria. Para quem eu iria ligar contando uma novidade? Como iria comemorar alguma conquista e você não ia participar disso? Para quem iria pedir ajuda? Conselho? Quem iria me falar as coisas certas com tanto amor? Porque… ninguém me amava como você! Como você pôde, pai, me deixar?

Eu sei que a culpa não foi sua, mas, confesso, que ainda te cobro às vezes.
16 anos passaram. Imagina o tanto de coisa que aconteceu e você não estava junto! Não acho justo! A minha história sempre teve você… até que… parou de ter…

Ainda me arrependo de não ter te abraçado mais, beijado mais, falado mais o quanto te amo. Sim, amo! Porque esse sentimento segue aqui comigo!

Ainda falo para as pessoas que elas não sabem o que é dor porque dor é o que eu senti naquele 23/06/2005.
Ainda falo ou faço tanta coisa errada. E não tem ninguém como você para me mostrar o caminho certo.
Ainda sonho que estamos juntos e que foi tudo um grande trote da vida. E me dá um alívio danado. Foi mesmo? Você vai aparecer?
Ah… pai… não é justo ter uma história sem você. Não é certo existir um mundo sem você!

Desculpa por te culpar, por ainda errar, sofrer… desculpa por não viajar mais, berrar tanto, por ainda não trabalhar menos. Desculpa por eu não ter falado mais do meu amor. Por não ter abraçado mais, beijado mais. Desculpa por te culpar, te xingar. Desculpa por ainda estar fazendo histórias sem você aqui.

Mas, acima de tudo, obrigada por ser meu pai. Se não te falei nunca, você salvou (e ainda salva) a minha vida!
Te amo do tamanho do céu, do mar, do infinito.
Da tua filha, Paula

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