O que se vê no Brasil é organização, claro, e previsibilidade, especialmente para atacar

O que se vê no Brasil é organização, claro, e previsibilidade, especialmente para atacar

A eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo de 2018, diante da Bélgica, deixou cicatrizes na seleção brasileira. Após a queda em solo russo, Tite admitiu que cometeu erros na preparação e na campanha de sua equipe no mundial e, destacando suas falhas, ressaltou o aprendizado para competições futuras.  Chegou o momento da primeira disputa oficial pós-Copa e o treinador verde e amarelo, pelo menos no início da competição, segue cometendo boa parte dos erros que o levaram ao fracasso em 2018.

Na Copa da Rússia, Tite não foi capaz – ou talvez tenha sido uma opção – de propor novos modelos de jogo para dar opções de variações táticas ao time. O treinador confiou que o modelo que o levou até ali seria suficiente para avançar e, quem sabe, conquistar o título mundial. Nos momentos em que precisou de alternativas para modificar cenário o comandante brasileiro dependeu do talento individual – que, é óbvio, nem sempre funciona.

Em 2018, a falta de variação de jogo ficou clara logo na convocação. Em 2019, também. A diferença é que para a Copa da Rússia, Tite estava às vésperas de completar dois anos no comando da seleção. Hoje, o treinador já completou três anos de trabalho – é natural que o nível de exigência aumente com o passar do tempo, certo?

Desde a eliminação diante dos belgas, em 2018, foram 12 partidas da seleção brasileira. Dez amistosos e dois jogos oficiais pela Copa América. O que se vê na seleção é organização, claro, e previsibilidade. Ficou evidente na última dúzia de jogos da equipe canarinho, especialmente diante de Bolívia e Venezuela, que Tite tem um modelo muito bem definido, mas falta variação e flexibilidade.

É especialmente no momento ofensivo que a limitação fica mais evidente. Diante das retrancas enfrentadas até aqui na Copa América, o time inflexível de Tite sofreu para encontrar o caminho do gol. Diante dos venezuelanos o gol sequer saiu e a seleção brasileira finalizou certo apenas uma vez ao longo dos 90 minutos (excluindo, claro, os gols anulados pela arbitragem).

Tite é um conservador, sua história no futebol se construiu assim e os dois principais títulos de sua carreira, no Corinthians, foram conquistados de forma conservadora. Ainda assim, o treinador já mostrou repertório para oferecer mais no comando na seleção. O conservadorismo tático do treinador impede que o time suba um degrau necessário, especialmente diante de rivais que jogam fechados. Quando tira um volante de marcação e coloca outro com a mesma característica, por exemplo, num jogo em que o adversário se limita a defender e praticamente abdica do ataque, o treinador deixa claro que tem uma estratégia definida e que não pretende modifica-la, adaptando-se àquilo que o jogo pede – embora a entrada de Fernandinho no lugar de Casemiro tenha melhorado a equipe, já que o jogador do Manchester City melhorou o passe no meio de campo e foi opção de triangulações especialmente com os laterais.

Diante dos venezuelanos, assim como na Copa do Mundo de 2018, ou nos últimos onze jogos pós-mundial, Tite jogou preso ao modelo de jogo já definido e abraçado aos seus jogadores, mesmo que em maus momentos. O 4-2-3-1 (com um volante posicional a frente da defesa, laterais que avançam e jogam por dentro em muitos momentos ofensivos, dois atacantes bem abertos pelas pontas e um meia que encosta no centroavante) dificilmente se modifica independente do adversário.

Arriscar, tentar ganhar o jogo a qualquer custo, se lançar ao ataque e amassar o adversário são ideias que dificilmente fazem parte da estratégica brasileira. A questão é que em algum momento tudo isso pode se fazer necessário. Não é nenhum absurdo dizer que o time precisa aprender a jogar sem o volante posicional, ou a jogar com um meia (no caso, Coutinho) mais recuado auxiliando Arthur na condução do jogo. Tite terá que encontrar saídas para seus problemas ao longo do torneio, seja no posicionamento de alguns jogadores dentro do esquema já estabelecido, ou variando a tática dependendo do adversário. Capacidade o treinador tem de sobra e é justamente por isso que a cobrança é alta. Falta um pingo a mais de ousadia.

 

Foto: Lucas Figueiredo/CBF

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