Jogo entre Santos e Ponte Preta foi marcado e desmarcado quatro vezes pela FPF. Foto: Ivan Storti/Santos FC

Jogo entre Santos e Ponte Preta foi marcado e desmarcado quatro vezes pela FPF. Foto: Ivan Storti/Santos FC

Vergonha! Foi o que senti durante toda a terça-feira, 23 de março, ao acompanhar o vai e vem do marca e desmarca, confirma e cancela, do jogo entre Santos e Ponte Preta, pelo Paulistão/2021, que a FPF insiste em fazer seguir em frente.

Vergonha alheia.

Os sites que têm sessões de notícias de esporte ficaram ensandecidos, loucos, para usar uma linguagem mais direta e menos rebuscada, requintada.

Primeiro, o jogo seria em Volta Redonda, no Estádio da Cidadania, local usado para que Corinthians e Mirassol fizessem uma partida modorrenta na noite desta mesma terça-feira (23).

Depois, passou para São Januário, estádio do Vasco, clube que já foi do boquirroto Eurico Miranda e hoje anda à deriva, atolado em dívidas e amargando o quarto rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro.

No final da noite, nada do que foi dito valeu e Santos e Ponte Preta foram avisados que o jogo não seria em lugar nenhum.

Por enquanto, é bom que se diga.

Pois, a qualquer momento, os dois clubes podem ser avisados para arrumarem as malas, pegarem um ônibus, um avião, ou outro meio de transporte qualquer, para se enfrentarem em qualquer parte do país, ou até mesmo fora do território nacional.

Tudo é possível.

Nada mais vergonhoso.

Nada mais constrangedor.

Os campeonatos estaduais que, nos últimos anos, sofrem com o processo de desvalorização e descrédito – a maior prova disso é que a maioria das equipes usa a competição para dar chances aos seus jogadores em formação -, têm a marca exposta de forma ainda mais negativa.

Não há dúvida de que o Paulistão, considerado o mais competitivo entre os estaduais do país, está sendo exposto de forma negativa nestes últimos dias, com a insistência do presidente da FPF em lutar contra as evidências e teimar em dar continuidade aos jogos, mesmo com as autoridades sanitárias do estado pregando bom senso.

Na terça-feira, 23 de março, o estado de São Paulo registrou 1.021 mortes por causa da Covid.

Número alarmante, estarrecedor.

Convenhamos, momento inadequado, impróprio, para que dirigentes de clubes, federações e CBF fiquem em suas salas forçando a barra para que a bola volte a rolar.

Imagino o que deve estar sentindo o Ariel Holan, técnico argentino que assumiu o comando do Santos no início do ano.

Imagino o que devem estar sentindo os jogadores de Santos e Ponte Preta, reféns de tanta insensibilidade.

Reféns de quem dá mais valor aos contratos e aos compromissos financeiros do que à vida.

Lamentável constatar que o Paulistão virou motivo de piada nacional.

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