O Divino é o recordista de jogos com a camisa do Palmeiras. Foto: Marcos Júnior Micheletti/Portal TT

O Divino é o recordista de jogos com a camisa do Palmeiras. Foto: Marcos Júnior Micheletti/Portal TT

Ademir da Guia, o Divino, completa 79 anos neste sábado (3).

Recordista de atuações com a camisa do Palmeiras, com 901 jogos, é o terceiro maior artilheiro da história alviverde, com 153 gols, atrás apenas de Heitor (284) e César Maluco (180).

Os números de Ademir da Guia ainda são mais expressivos quando levamos em consideração o fato de que era um meia-esquerda, enquanto Heitor e César eram autênticos centroavantes.

Filho de outro grande nome do futebol brasileiro, o zagueiro Domingos da Guia (1912-2000), o carioca Ademir da Guia começou no Bangu, onde atuou entre 1961 e 1962, e desembarcou no Palestra Itália em 1962, onde manteve-se até o final de sua carreira, em 1977.

Para muitos, Ademir foi o maior nome da história do Palmeiras, superando inclusive o goleiro Marcos, ídolo maior das gerações palestrinas mais recentes.

Milton Neves costuma dizer que o jeito calado do "Divino" dificultou voos mais altos no futebol. 

"Ele foi melhor que Cruyff (1947-2016), mas esqueceu de avisar", avalia Milton.

Falando em Cruyff, Ademir da Guia poderia ter enfrentado o holandês na derrota brasileira na Copa de 74 por 2 a 0, resultado que levou a "Laranja Mecânica" à final contra a anfitriã Alemanha, que ficou com o título.

O Brasil disputou o terceiro lugar, e Ademir da Guia finalmente teve sua chance naquele Mundial, começando a partida contra a Polônia na disputa pelo terceiro lugar. Lato fez o único gol do jogo na vitória polonesa. Ademir acabou sendo substituído por Mirandinha

A genialidade de Ademir da Guia rendeu até um poema, escrito por um dos principais nomes da literatura brasileira, João Cabral de Melo Neto (1920 - 1999), autor, entre outros livros, de "Morte e Vida Severina", que segue abaixo:

Ademir da Guia

Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.

Ritmo líquido se infiltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o

Ritmo morno, de andar na areia,
de água doente de alagados,
entorpecendo e então atando
o mais irrequieto adversário.

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Time do Palmeiras que foi a campo em 22 de dezembro de 1974. O Verdão calou a multidão corintiana no Morumbi  ao vencer a decisão do Campeonato Paulista por 1 a 0, gol de Ronaldo. Em pé, da esquerda para a direita:Jair Gonçalves, Leão, Luís Pereira, Alfredo, Dudu e Zeca. Agachados: Edu, Leivinha, Ronaldo, Ademir da Guia e Nei. Foto: Divulgação

ABAIXO, UM VÍDEO PRODUZIDO POR JÔNATAS FREITAS QUE ILUSTRA DE FORMA CLARA OS VERSOS EXPRESSADOS POR JOÃO CABRAL DE MELO NETO

Desfilando elegância aos 68 anos de idade no jogo de despedida do Palestra Itália, em 9 de julho de 2010. Foto: Marcos Júnior Micheletti/Portal TT

 

Ademir da Guia e Milton Neves em 3 de outubro de 2011, no Hotel Hollyday Inn, em São Paulo, na inauguração da Clínica São Marcos. `Ele foio melhor que o Cruyff, mas esqueceu de avisar´, costuma dizer Milton. Foto: Marcos Júnior Micheletti/Portal TT

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