Rondinelli

Ex-zagueiro do Flamengo
Antônio José Rondinelli Tobias, o Rondinelli, nasceu no dia 26 de abril de 1955, em São José do Rio Pardo (SP), e jogou no Flamengo de 1974 a 1981. Nesse período de Gávea, ele ganhou o apelido de "Deus da Raça" por sua vibração e garra.

Seu momento marcante como jogador foi na final do Carioca de 78, quando marcou o gol contra o Vasco que garantiu o título estadual ao Fla. "Aquele gol foi inesquecível. Todo flamenguista guarda com carinho aquele gol sobre o Leão", conta o ex-beque.

Com a camisa do Fla, foram 396 jogos (242 vitórias, 100 empates, 54 derrotas) e 14 gols marcados.

Depois do Flamengo, Rondinelli teve uma rápida pelo Corinthians em 81. Na época, o Alvinegro fez duas contratações de impacto: o próprio Rondinelli e Paulo César Caju, antigo sonho do Timão. Com a camisa corintiana, Rondinelli realizou apenas 12 partidas, não marcou nenhum gol e não conquistou nenhum título.

O zagueiro também defendeu entre outras equipes: Vasco, Atlético-PR, Paissandu, Goiânia e Goiás.

Hoje, Rondinelli é técnico de futebol e reside na cidade de Cabo Frio-RJ. Ele já dirigiu o Vila Nova (GO), o CFZ (Clube do Zico) e Goiânia-GO, entre outras equipes. Ele mantém duas residências: em São José do Rio Pardo (SP), onde nasceu e tem propriedades (além da escolinha "Deus da Raça") e Rio de Janeiro, cidade onde nasceu sua mulher. Rondinelli é pai de um casal de filhos Rondinelli Filho e Fabiane.
 
Por Oldemário Touguinhó
 
A bola veio cruzada sobre a área e Rondinelli entrou de cabeça, fazendo o gol da vitória do Flamengo. Tudo como o zagueiro havia sonhado na madrugada do jogo, tudo como havia desejado desde que voltou à equipe na condição de titular. Por isso, era o mais feliz na festa da conquista do título de campeão carioca.

Rondinelli é um rapaz educado, profissional e dedicado. Treina constantemente. Quase sempre é o primeiro na fila dos exercícios, para servir de guia. Assim, consegue manter uma elasticidade que faz dele o melhor cabeceador do Rio.

- Por não ser muito alto e saber que dentro da área somos obrigados a enfrentar zagueiros fortes, que entram firme nas bolas altas, desde cedo me preparei com empenho para subir nos cruzamentos. Acho que devo muito aos preparadores físicos, porque desde que cheguei à Gávea, faço com eles várias séries de exercícios para manter a forma. Nunca me importei em ser um zagueiro de estilo clássico. Minha principal preocupação foi sempre a de ganhar o lance. Se for necessário entrar duro e desajeitado, entro. O importante é não deixar o adversário não entrar na área. Ainda nos juniores, me esforçava muito nas cabeçadas. Por isso, quando cheguei aos titulares, não tive dificuldades para me manter na equipe.

- Sou um jogador de garra e continuou Rondinelli e foi com muita luta que cheguei a ser convocado a Seleção Brasileira, durante a fase de treinamentos para a Copa (de 1978). Depois, voltei ao Flamengo e, quando acreditava estar firme no time, me machuquei e quase não pude mais voltar à minha posição. O Flamengo havia contratado novos zagueiros e, contundido, perdi espaço. Uma contusão no joelho esquerdo me obrigou a ficar de fora durante vários meses. Isso me desesperava. Sempre que tentava voltar aos treinos, sentia dores e tinha que recomeçar os tratamentos. O pior é que, aos poucos, senti não haver mais interesse da comissão técnica em me escalar. Mesmo assim, intensifiquei os treinamentos e logo que me senti bem, forcei os exercícios. Mesmo assim, foi muito difícil recuperar meu lugar entre os titulares, já que a dupla de zagueiros atuou muito bem durante o 1º turno e levando o time à vitória.

De fato, no Flamengo, existia interesse de negociá-lo em troca de um atacante. Por este motivo, quase foi parar no Inter, assim como no Galo mineiro. Sentindo que muitos clubes queriam contratá-lo o zagueiro voltou aos planos do técnico Cláudio Coutinho. Inclusive, a própria torcida exigia sua volta à equipe. O jogador se mostrava revoltado em permanecer na reserva e só mesmo se tranqüilizou ao ser escalado para atuar por duas vezes seguidas. E isto aconteceu apenas nos últimos jogos do returno.

- Na verdade, sempre confiei no meu futebol. Só desejava ter uma chance, a fim de poder mostrar ao treinador que merecia uma vaga no time. Ele foi legal comigo e permitiu que eu fosse novamente titular. Realizei bons jogos, mas me faltava um pouco de coragem para ir lá na frente, ajudar o ataque nas bolas altas. Mas durante a preparação para o jogo final contra o Vasco, vivia sonhando em ter uma chance de subir ao ataque e foi isso o que me encorajou a tentar uma jogada ofensiva no final da partida.

Quando vi a bola cruzada, entrei na corrida já sabendo que iria pegá-la no meio do caminho. Vim numa velocidade alta. Felizmente tudo deu certo, entrei de cabeça e joguei a bola para dentro do gol de Leão.

Rondinelli deixou o campo sem camisa. A faixa de campeão cruzada sobre o peito era o maior troféu que acabava de conquistar com muita raça e coração, como sempre lhe foi peculiar.
 
DEPOIMENTO DE RONDINELLI, EM 29 DE JULHO DE 2017

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Pelo Flamengo:

Atuou em 396 jogos (242 vitórias, 100 empates, 54 derrotas) e 14 gols marcados.
Fonte: Almanaque do Flamengo, de Roberto Assaf e Clóvis Martins.

Pelo Corinthians:


Atuou em 12 jogos e não marcou gols.
Fonte: Almanaque do Timão, de Celso Unzelte.

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