Renato Bolla

Ex-XV de Jaú e Noroeste
por Tufano Silva
 
Renato Adamo Bolla, jogador de futebol considerado um dos principais nomes do esporte da cidade de Barra Bonita, com passagens por times como o XV de Jaú, Lençoense, XV de Piracicaba e Noroeste, morreu no dia 31 de maio de 2005, aos 82 anos de idade.
 
Inscrito como atleta amador na Federação Paulista de Futebol desde os 16 anos, Renato iniciou sua carreira futebolística no XV de Jaú. De lá, foi convidado para defender o C.A. Lençoense, conseguindo tanto destaque que foi chamado pela Portuguesa para um período de testes.
 
Bolla foi aprovado pelos profissionais da Lusa, no entanto, preferiu não assinar contrato com o time da capital. "Naquele tempo o futebol não dava muito dinheiro. Eu tinha de escolher: ficar em São Paulo na Portuguesa, ou voltar a Barra Bonita e casar, pois já estava noivo. Outra coisa, eu tinha um emprego aqui na Prefeitura de Barra Bonita" explicou o próprio jogador, em entrevista ao jornalista Edson Flosi, da Folha de S. Paulo, em 1973.
 
De volta ao interior, Renato conciliava a vida de atleta amador com o trabalho de tesoureiro na Prefeitura de Barra Bonita-SP. Atuou ainda, antes de encerrar sua carreira, nas equipes do XV de Piracicaba, Noroeste e Ferroviária de Botucatu.
Bolla era casado com Leonor Cavallar, com quem teve dois filhos: José Otávio e José Renato.
 
Abaixo, o texto sobre Renato Bolla publicado pelo jornalista Edson Flosi, no Jornal Folha de S. Paulo, em 29 de abril de 1973
 
A incrível história de que tem o sobrenome da bola
Texto: Edson Flosi
BARRA BONITA - Uma cidade turística cortada pelo Rio Tietê, na Média Sorocabana, a 312 quilômetros de São Paulo. Homenageou domingo passado o seu maior atleta de todos os tempos Renato Adamo Bolla, jogador de futebol amador que  recebeu o Prêmio Belfort Duarte - Categoria Ouro, concedido pela CBD - Confederação Brasileira de Desportos -  àqueles que conseguiram jogar durante dez anos sem uma única falta disciplinar.
Renato Adamo Bolla, 50 anos, casado, pai de dois filhos moços, ainda joga futebol nos Veteranos da Associação Atlética Barra Bonita. Jogou domingo, quando foi homenageado, e no início do segundo tempo driblou um adversário, passou por outro, avançou pela ponta, ia cruzar, mas preferiu chutar forte na direção do gol, marcando o único tento da partida. Foi então aplaudido de pé pela torcida de doze mil pessoas.
O prefeito a cidade Clodoaldo Antonângelo, o popular "Tatinho" não agüentou: entrou no campo para abraçar Renato Adamo Bolla, que até os adversários abraçaram quando ele marcou. O jogo parou por dez minutos. Depois, continuou, e cada vez que a bola ia parar nos pés do homenageado a torcida aplaudia e gritava o seu nome. Atletas de cidades vizinhas de Barra Bonita (Bauru, Jaú, São Manuel e outras) participaram da homenagem a Renato Adamo Bolla.
Por dois motivos ele foi homenageado: 1) recebeu o Prêmio Belfort Duarte; 2) a Associacão Atlética Barra Bonita completa 50 anos. O diploma e a medalha de ouro do Prêmio Belfort Duarte, concedido pelo CND (Conselho Nacional de Desportos) está num quadro na sede social da AABB, onde além de jogar futebol de campo nos veteranos aos domingos, ainda joga futebol de salão, também nos veteranos, às quartas-feiras.
Os cabelos grisalhos, o bigode, a estatura média, musculoso, Renato Adamo Bolla resume nesta frase sua vitalidade como atleta que ainda quer jogar futebol por muito tempo: "Nunca bebi e nunca fumei". O prefeito de Barra Bonita fala sobre o atleta: "Disciplinado, educado, amigo de todos, ele é um símbolo para a juventude de nossa cidade".
A carreira de Renato Adamo Bolla teve lances extraordinários. Ele se inscreveu como jogador de futebol amador n Federação Paulista de Futebol em 1939, quando tinha 16 anos e jamais se tornou profissional, embora algumas vezes isso quase acontecesse.
Renato Adamo Bolla nasceu em Barra Bonita, mas começou a jogar no EC XV de Novembro de Jaú, cidade que fica a 20 quilômetros de Barra Bonita. O XV de Jaú era um clube amador naquele tempo. Mais tarde subiu para a Divisão Especial da Federação Paulista de Futebol.
Quando isso aconteceu, entretanto, Renato Adamo Bolla não jogava mais em Jaú. Ele já defendia as cores do Clube Atlético Lençoense, em Lençois Paulista, a 30 quilômetros de Barra Bonita. No CA Lençoense ele jogou ao lado do goleiro Bertolucci que depois foi para o São Paulo Futebol Clube; do meia armador Didi, que depois foi para o Madureira do Rio, sagrando-se bicampeão mundial em 1958 e 1962; e de outros famosos.
Os grandes clubes de São Paulo e do Rio foram buscar aqueles craques em Lençóis Paulista. E a Portuguesa de Desportos, de São Paulo, trouxe Renato Adamo Bolla. Ele veio, treinou e foi aprovado, primeiro na ponta esquerda, depois na meia esquerda, mas, na hora de assinar o contrato, de deixar o amadorismo e passar para o profissionalismo, ele desistiu e voltou para sua cidade natal: Barra Bonita. Ele explica:
"Naquele tempo o futebol não dava muito dinheiro. Eu tinha de escolher: ficar em São Paulo na Portuguesa, ou voltar a Barra Bonita e casar, pois já estava noivo. Outra coisa, eu tinha um emprego aqui na Prefeitura de Barra Bonita". Renato Adamo Bolla decidiu voltar. Não passou para o profissionalismo. Continuou jogando como amador. Casou-se com a dona Leonor Cavallari e tiveram dois filhos: José Otávio e  José Renato.
Depois que casou, Renato Adamo Bolla foi jogar pelo XV de Novembro de Piracicaba. Mais tarde defendeu o EC Noroeste de Bauru, que subiria depois para a Divisão Especial de Futebol. Mas quando isso aconteceu, Renato Adamo Bolla não jogava mais lá. Agora ele estava na Ferroviária de Botucatu, onde jogava ao lado do ponta direita Guanxuma, que o XV  de Jaú acabou contratando.
O tempo passou e Renato Adamo Bolla começou a jogar nos veteranos. Famoso em toda aquele região da Média Sorocabana, ele é também um velho amigo de Araken Patuska, o grande futebolista do passado (meia esquerda), hoje com mais de 60 anos, presidente dos Veteranos de São Paulo. Sempre que o Veteranos de São Paulo vai jogar naquela região de Barra Bonita, ele é convidado a integrar a equipe e assim, ele joga ao lado de Oberdan, Nardo, Waldemar Fiume, Carbone e outros talentos do passado.
Disciplinado, Renato Adamo Bolla recebeu, agora, a maior glória de sua carreira: o Prêmio Belfort Duarte. É o mais Velho jogador do Veteranos da AABB, num quadro onde o mais novo tem 35 anos. Apesar dos seus 50 anos, Renato Adamo Bolla é o melhor jogador do clube.
Tesoureiro aposentado da Prefeitura de Barra Bonita, Renato Adamo Bolla divide assim o seu tempo: joga futebol de salão, treina todos os dias, joga futebol de campo. passa o tempo em casa lendo, escrevendo ou tratando dos passarinhos. Recebe muitas visitas, a maioria de ex-craques de futebol, que jogou a seu lado ou contra ele.
(FOLHA DE SÃO PAULO,  domingo 29 de abril de 1973, página 38, 3º caderno - ESPORTES)
 
 
 

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