por Milton Neves
Ferretti foi um atacante vigoroso e de boa estatura que vestiu as camisas de Botafogo e Santos. Em 29 de agosto de 2011, após lutar muito contra um câncer, o ex-jogador morreu em Araruama, cidade da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, onde residia.
A carreira do centroavante começou no Botafogo, onde foi artilheiro e campeão da Taça Brasil de 1968, com sete gols marcados. O bom desempenho levou Ferretti para a Seleção Brasileira Sub-23, onde fez oito partidas e deixou sua marca por uma vez.
Em 1971, foi envolvido em uma troca com o Santos. O Botafogo, na época seu clube, cedeu Moreira, Rogério e Ferretti pela contratação de Carlos Alberto Torres, capitão do Tri.
No Peixe, o ex-jogador não teve sorte, a equipe não era mais tão brilhante e Ferretti não conseguiu mostrar seu faro de gol.
Em um clássico contra o arquirrival Corinthians, o artilheiro marcou três vezes, mas o Time da Vila Belmiro tomou a virada e perdeu o jogo.
Ferretti era alto, forte e brigador. Infelizmente perdeu a luta para essa doença terrível. Saudoso Ferretti.
Seu irmão, Tuca Ferretti, também foi jogador de futebol e depois tornou-se treinador de futebol, militando no México. Clique aqui e veja a página de Tuca na seção "Que Fim Levou?.
Ainda sobre Ferretti, o colunista do Portal Terceiro Tempo escreveu no dia 31 de agosto de 2011, as seguintes palvras:
Comecei a confeccionar times de futebol com caixinhas de fósforo ali por volta de 1967, ao mesmo tempo em que meu irmão ensinou-me a substituir os botões de baquelite por tampinhas de garrafas. Eu vivia na rua apanhando os brinquedos.
Depois do bicampeonato do Botafogo, em 67-68, fui acumulando clubes pelo chão da casa e experiência no toque da bolinha de cortiça, que eu metia com precisão nas traves feitas com as taliscas das madeiras dos rolos de tecido da loja Nações Unidas.
O timaço da Estrela Solitária, dirigido por Zagallo no Maracanã e por mim nas calçadas do bairro, formava com Cao, Moreira, Zé Carlos, Leônidas e Waltencir; Carlos Roberto e Gérson; Rogério, Jairzinho, Roberto e Paulo César. Onze caixinhas gloriosas.
E tinha uma décima segunda caixa de fósforo, que eu embrulhei no papel do caderno escolar com a parte interna um tanto saliente, pregada com Durex, para que ficasse mais alta que as demais. Era o reserva de luxo do time, o grandalhão Ferretti.
Exímio cabeceador, como Dionísio do Flamengo, Ferretti era um espanador da Lua para os padrões daqueles anos no futebol nacional. Tinha 1,88m e 83 quilos e era mortal nas bolas áereas, ao ponto de disputar a artilharia carioca entrando só no segundo tempo.
De tanto substituir Roberto Miranda ou o próprio Jairzinho, passou a ser chamado pela imprensa esportiva e torcedores pela nomenclatura publicada nos jornais para definir a escalação do Botafogo. Seu nome entre parênteses ficou "depois Ferretti".
Fernando Ferretti, filho do italiano Vitorino Ferretti e da brasileira Aryad de Oliveira, nasceu carioca em 26 de abril de 1949. Aprendeu a bater na bola aos 5 anos, com as duas pernas, estimulado pelo progenitor que fora centro-avante do Flamengo.
O velho Vitorino defendeu o rubronegro no início da Segunda Guerra e tinha um estilo rompedor como os pernambucanos Vavá e Almir, que fizeram história no futebol do Rio de Janeiro e São Paulo. Obrigava o filho a bater com a direita e a esquerda.
Em que pese a torcida flamenguista de toda a família Ferretti, o garoto foi levado, no entanto, para a famosa escolinha do Botafogo, comandada pelo técnico e descobridor de talentos Neca. Ficou lá até os 14 anos e ganhou lugar no juvenil do São Cristóvão.
Devorador de pizza de mussarella, herança gastronômica paterna, Ferretti conseguia impulsionar sua massa muscular a alturas inimagináveis. Subia feito um foguete e cabeceava a bola com uma violência e pontaria incríveis. Botava aonde queria.
Nas disputas de caixa de fósforo pelas calçadas dos bairros Santos Reis e Quintas, onde vivi dos 8 aos 16 anos, Ferretti também era o meu artilheiro preferido, ao lado de Roberto. Costumava fazer dezenas de gols em jogadas de escanteio.
Posicionava sua caixinha mais alta entre os zagueiros adversários, um pouco de viés para concluir a trajetória da bola no ricocheteio em direção ao gol. Evidente que alguns meninos reclamavam, mas eu tinha argumentos anatômicos: "é o Ferretti?.
Na Taça Brasil de 1968, em que se destacaram novamente os grandes times do Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes e o Náutico de Gena e Lala, o gigante Ferretti foi o artilheiro da competição, a maioria dos gols em bombardeios aéreos indefensáveis.
Na histórica goleada do Botafogo sobre o Flamengo por 6 x 0, em 1972, num show do furacão Jairzinho, do argentino Fischer e da bruxa Marinho Chagas, o espigado goleador marcou um dos gols. Jogou depois no Santos, Vasco, Flu, CSA, Vitória, Ceará e Atlético-PR.
Na terça, 30/8, a triste notícia de que Ferretti morreu depois de lutar contra um câncer, aos 62 anos. Passei a noite folheando minha coleção da Revista do Esporte, lendo as matérias sobre o meu artilheiro das caixinhas de fósforo. Em mim, sua imagem não se apagará.
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