Foto: Ivan Storti/Santos FC

Foto: Ivan Storti/Santos FC

Vestiário do Santos antes da partida de estreia de Fernando Diniz, contra o Boca Juniors, pela Libertadores da América deste ano. O técnico grita. Muito. Fisionomia carregada. Olhos esbugalhados. Veias sobressaltadas. 

“Todas as bolas têm de ser nossa. TODAS!!!! Ouviram? Tooooooodas”

Em volta dele, integrantes da comissão técnica, jogadores, titulares e reservas. Alguns não conseguem esconder que estão assustados.

E é mesmo assustador.

Fernando Diniz se transforma.

Agora Diniz está no vestiário do Vasco (sim, ele saiu do Santos e assumiu o Vasco, que luta para voltar à Série A), depois de ficar menos de um mês desempregado.

O jogo é contra o Goiás. 

Roda feita, Diniz está no meio. 

Transfigurado, usa quase as mesmas palavras para motivar a equipe que, pela primeira vez após o início da pandemia, vai ter público em uma partida da Série B.

“Vamos ganhar TODAS as bolas, entenderam? Todas as bolas serão do Vasco. E serão do Vasco porque vamos mostrar quem manda aqui”, encerra ele.

Em seguida, os gritos de incentivo que são ouvidos nestas ocasiões.

Assim que o jogo começa, Fernando Diniz, em pé, segue cada jogada, pede movimentação, com o grito que já virou uma marca de seu trabalho dos últimos meses.

“MOVIMENTA!!!”, berra ele.

Assim tem sido o trabalho de Fernando Diniz depois que saiu do São Paulo. Aquele técnico com modelo de atuar próprio, de perfil tático autoral ficou no passado.

A saída de bola com os zagueiros tocando a bola, já não é mais vista nos times que Diniz dirige. Admitamos que que era uma maneira perigosa de sair de sua área, mas que quando dava certo colocava os adversários em apuros. O diferencial, motivo de tantas críticas ao treinador até, repito, a sua passagem pelo São Paulo, ficou só na memória dos torcedores e da mídia.

O Santos de Fernando Diniz não mostrou esta característica. Era uma equipe bem comum, que pouco tinha de seu treinador.

Comum e pobre em esquematicação tática. O Santos, de Diniz, marcava pouco, não tinha intensidade, ofensiva e defensiva, e insistia em jogar pelas laterias, sem objetividade e com uma frequência irritante de cruzamentos para a área.

E, pior, o Santos de Diniz, era uma equipe frágil defensivamente. E olha que o setor defensivo sempre mereceu uma atenção especial do treinador, que fez trabalhos bastante elogiados, no Athletico Paranaense, Fluminense e São Paulo.

O Tricolor, de Diniz, passou várias rodadas na primeira colocação, com rendimento muito elogiado. É verdade que perdeu o fôlego nas rodadas decisivas, perdendo a liderança e o título.

Fracassou no Santos, deixando o time muito próximo da zona de rebaixamento. Até agora Diniz dirigiu o Vasco em quatro jogos, com duas vitórias e dois emaptes.

Sob o seu comando, o Vasco jogou quatro partidas, com duas vitórias e dois empates. As chances de o time carioca subir para a Série A são grandes.

Mas quem acompanha a carreira do técnico e sabe que ele sempre se sobressaiu pelo trabalho autoral, dando sinais de que se tornaria um técnico inovador, certamente está frustrado com o que anda vendo.

Fernando Diniz é hoje um técnico que se notabiliza mais pelos gritos à beira do gramado e as sessões messiânicas nos vestiários antes das partidas do que pelo diferencial que suas equipes exibiam dentro de campo.

 

 

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