A revolucionária Brabham BT55 em Jacarepaguá. Foto: Divulgação

A revolucionária Brabham BT55 em Jacarepaguá. Foto: Divulgação

Sem as restrições impostas pelo atual regulamento da Fórmula 1, a pré-temporada da categoria em 1986 começou no forte calor do extinto autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, em fevereiro daquele ano.

A TVE do Rio de Janeiro fez uma matéria sobre os chamados "testes de pneus" no traçado carioca, com os repórteres Sergio du Bocage e Tino Marcos, exibindo o trabalho das equipes, com mecânicos sem camisa e de bermudas circulando pelo pit-lane e nos boxes. As aspas para "testes de pneus" tem sua justificativa, uma vez que não apenas os compostos, então da Goodyear e Pirelli foram testados, mas obviamente o carro de uma maneira geral.

O italiano Michele Alboreto (1956-2001) com a Ferrari durante treino em Jacarepaguá/1986. Foto: Divulgação

No vídeo, McLaren-Porsche, Williams-Honda, Lotus-Renault, Ferrari e Brabham-BMW eram apontadas como favoritas para a temporada. Entre elas, a Brabham apresentava um projeto revolucionário. A BT55, projetada pelo renomado sul-africano Gordon Murray impressionava por ser extremamente baixa, e o piloto acomodado quase deitado no estreito cockpit.

Para isso, Murray, que hoje comanda seu escritório de design em Surrey, no sul da Inglaterra, inclinou o motor BMW turbo e foi necessário redesenhar a caixa de câmbio para que esta se adaptasse à nova geometria. A ideia, na teoria, era excelente, com um maior downforce na parte traseira e um ganho aerodinâmico considerável.

Na prática, porém, o belo modelo foi um fracasso. O próprio Gordon Murray, anos mais tarde, reconheceu que fizera uma abordagem muito radical para o carro. O motor de 1,5 litros e quatro cilindros em posição inclinada não funcionava de forma adequada, prejudicando inclusive a circulação de óleo e o rendimento do turbocompressor.

O italiano Elio de Angelis (1958-1986), que dividia os boxes da Brabham com o compatriota Riccardo Patrese, morreu durante um teste no circuito francês de Paul Ricard em 15 de maio daquele ano, quando a asa traseira de seu carro se desprendeu, fazendo com que ele perdesse o controle e batesse no guard-rail. Preso nas ferragens, De Angelis morreu asfixiado pela fumaça. Ele acabou sendo substituído pelo britânico Derek Warwik para o restante da temporada, a partir do GP do Canadá, em Montreal, sexta etapa do ano. Patrese foi o único a pontuar com a linda mas problemática Brabham naquele ano, apenas dois pontos, dois sextos lugares, em Imola e Detroit.

O saudoso italiano Elio de Angelis durante treino em Jacarepaguá com a Brabham BT55 em 1986. Foto: Divulgação

O francês Alain Prost confirmou o favoritismo da McLaren e ficou com o título daquele ano, segundo consecutivo, aproveitando-se da disputa interna na Williams, com Nigel Mansell e Nelson Piquet, que fecharam o ano em segundo e terceiro lugares, respectivamente.

Piquet, assim como Prost, foi ouvido na ocasião. Ele falou sobre seu primeiro ano na Williams e o novo carro da Brabham, sua ex-equipe. Piquet acabou vencendo a prova de abertura de 1986, no mesmo circuito de Jacarepaguá, no dia 23 de março. Aliás, dobradinha brasileira, com Ayrton Senna (Lotus) terminando em segundo lugar. O francês jacques Laffite (Ligier) completou o pódio, em terceiro.

Ayrton Senna (1960-1994), em seu terceiro ano na F1, segundo pela Lotus, também foi ouvido na matéria, falando não apenas de seu carro mas também do novo projeto da Brabham.

A Williams foi a maior vencedora da temporada, com nove triunfos (cinco de Piquet e quatro de Mansell). A McLaren teve quatro vitórias, todas de Prost. Senna ganhou dois GPs pela Lotus e Gerhard Berger faturou seu primeiro GP, também o primeiro da Benetton, equipe estreante, que havia comprado a Toleman e utiliza motor BMW, a exemplo da Brabham e da Arrows.

Alain Prost e sua McLaren MP4/2C em Jacarepaguá. Francês não terminou o GP do Brasil, mas foi o campeão da temporada. Foto: Divulgação

 

As Williams FW11 de Mansell e Piquet. Inglês e brasileiro se digladiaram durante a temporada de 1986. Prost acabou se aproveitando do embate da dupla e sagrou-se bicampeão, repetindo o feito do ano anterior. Foto: Divulgação

 

Senna com a Lotus-Renault durante o GP do Brasil de 1986, em Jacarepaguá. Piloto largou na pole mas a vitória foi de Piquet. Ayrton erminou em segundo. Foto: Divulgação

 

A temporada de 1986 marcou a primeira vitória de Gerhard Berger na F1 e também da Benetton, sua equipe, que havia comprado a Toleman. Foto: Divulgação

 

ABAIXO, O VÍDEO DA TVE-RJ COM OS TESTES DE PNEUS EM JACAREPAGUÁ EM 1986. REPORTAGENS DE SERGIO DU BOCAGE E TINO MARCOS

    

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