Vinda da Copa América para o Brasil escancara o sentimento de que ninguém 'lá de cima' fará algo para nos ajudar

Vinda da Copa América para o Brasil escancara o sentimento de que ninguém 'lá de cima' fará algo para nos ajudar

Trata-se de um assunto muito delicado, que transcende a âmbito esportivo, minha especialidade, mas que, no momento, precisa ser evidentemente abordado por todas as editorias. 

Em primeiro lugar, por mais que seja óbvio, faço questão de reafirmar que passo muito longe de ser especialista em saúde. Muito longe mesmo. 

Só que me considero, modéstia à parte, um observador antenado. Bem, e convenhamos, nem precisava estar tão atento assim para sacar que o melhor remédio - melhor MESMO - para combater o novocoronavírus não era nem a vacina. E estava ao alcance de todas as nações desde o primeiro dia em que a Organização Mundial da Saúde declarou a pandemia do novocoronavírus. E ele se baseava em um trio poderosíssimo e eficaz: lockdown, testagem em massa e rastreamento dos casos. 

Ou seja, bastava tratar a maior crise sanitária e hospitalar da história da humanidade com seriedade, sem fanfarronice. Austrália e Nova Zelândia são ótimos exemplos da efetividade de tais medidas. 

“Nossa, mas trancafiar o trabalhador por dois meses? O povo morreria de fome!”. Aí, é claro, entraria o governo com auxílio aos necessitados e, em pouquíssimo tempo, retomaríamos a nossa vida normal, com a economia também se recuperando gradativamente. 

Mas trocamos tudo isso por aproximadamente dois anos de displicência na busca por vacinas, apostando em uma imunidade de rebanho que não existe, em remédios ineficazes e adotando confuso abre e fecha do comércio, que passa longe - e bota longe nisso - de resolver as nossas crises de ordem sanitária e econômica. 

Bem, dito tudo isso, deixo claro também que fui e sou contra a liberação de eventos esportivos durante a pandemia. Não faz o menor sentido termos qualquer tipo de distração em um momento em que todos os esforços da nação deveriam estar voltados para a resolução do gravíssimo problema da pandemia. Não deveria existir no país outra preocupação que não a solução para esta crise! Mas, sejamos francos, o bom senso nunca foi o forte do Brasil e do brasileiro, especialmente nos últimos três anos. 

Por isso, passou longe de me pegar de surpresa a “bomba" da última segunda-feira (31), de que a Conmebol, enfim, tinha achado um trouxa - ops, um país -  para sediar a Copa América de 2021. Não existe no mundo um lugar melhor para abrigar um evento deste porte neste momento em que nossos vizinhos - que inveja! - ainda se preocupam com a saúde e bem estar de seu povo. 

Portanto, sobre a Copa América no Brasil, cabe muito bem aquela velha máxima: o que é mais uma flechada para São Sebastião? Concordo que o termo mais adequado seria “o que é um peido para quem está completamente cagado?”, mas eu não queria ser tão indelicado com o amigo leitor.

E a vinda da Copa América para o Brasil não apenas escancara o sentimento de que ninguém “lá de cima” fará algo para nos ajudar, como reforça a sensação de que, se puder, eles vão ainda fazer o possível para piorar a situação. 

Por isso, enquanto eles não pensam na gente, continuemos a gente pensando na gente, como disse certa vez Renato Russo. É o que está ao nosso alcance no momento. 

 

 

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