O volante não mostra qualquer desconforto em falar sobre a proposta que negou

O volante não mostra qualquer desconforto em falar sobre a proposta que negou

Arthur Sandes
Do UOL, em São Paulo

A permanência de Bruno Henrique no Palmeiras foi celebrada por torcedores como uma batalha vencida contra os chineses, mais precisamente como uma demonstração de força frente a um modelo de futebol que há anos assusta times brasileiros por seu poderio financeiro. Em entrevista exclusiva para o UOL Esporte, o meio-campista explica os motivos de ter ficado, conta como foi sua tomada de decisão e exalta o Alviverde como exemplo a ser seguido por rivais.

O volante não mostra qualquer desconforto em falar sobre a proposta que negou e a opção por ficar; pelo contrário. Apesar de a oferta do Tianjin Teda ter sido "financeiramente muito vantajosa", como ele próprio disse em entrevista coletiva recente, não foi suficiente para convencê-lo a trocar o ambiente do Palmeiras.

"O Palmeiras é um exemplo; deveria ser um exemplo para todos os clubes do futebol brasileiro. O clube já vem há algum tempo com este projeto de gerência muito boa, que arrecada muito dinheiro, investe bem em jogadores importantes e ganha títulos. É uma atmosfera difícil de se ver no futebol brasileiro", exalta Bruno Henrique, que só não foi à China porque o ambiente na Academia de Futebol lhe parece o ideal para manter o alto nível.

Ao invés de perder jogadores para a China, como é comum no futebol brasileiro, na última janela de transferências o Palmeiras conseguiu fazer o contrário: manter o elenco e ainda trazer um reforço do Oriente: Ricardo Goulart. Além de Bruno Henrique, o clube conseguiu segurar Dudu, outro que estava na mira dos chineses. Deyverson também teve tudo para ser vendido, mas preferiu ficar. Para que o elenco campeão brasileiro fosse mantido, a folha salarial alviverde cresceu cerca de R$ 1 milhão em relação a 2018.

"O que o Palmeiras criou é uma coisa fantástica, e isso com certeza segura jogador: parte financeira, estrutura, torcida, planejamento de carreira, briga por título. É um todo que te faz não pensar somente em dinheiro", explica Bruno Henrique, que deixou de receber salário mensal de R$ 1,7 milhão na China e por isso teve aumento na renovação com o Palmeiras até 2023.

Capitão e responsável por levantar a taça do decacampeonato em 2018, Bruno Henrique ganhou ainda mais moral com a permanência no clube. Trata-se do volante com maior média de gols da história do Palmeiras, tendo balançado a rede 16 vezes em 95 partidas disputadas (um a cada 5,9 jogos). Agora ele planeja um 2019 de sucesso e a partir daí prefere não fazer muitos planos.

"Não tem como planejar o futuro muito distante. Claro que minha vontade é a permanência: fiz o contrato de cinco anos para jogar no Palmeiras, tenho um planejamento de carreira junto ao clube, com a minha família. O que vai acontecer no ano que vem a gente não sabe, mas eu tenho a ideia de permanecer, cumprir meu contrato", pondera o meio-campista, que só quer tranquilidade e foco após uma janela de transferências tão agitada.

"Minha meta neste ano é desempenhar bem meu papel e ganhar títulos. A gente nunca sabe o que vai acontecer lá na frente, mas faz só um mês e meio que assinei a renovação, e o meu foco é ficar aqui", completa.

Corrida por fora por vaga na seleção

O sonho de estar na seleção brasileira foi um dos motivos que fez Bruno Henrique negar a ida à China. Julgando que teria menor visibilidade se trocasse de clube, decidiu tentar impressionar Tite no time em que teve maior destaque na carreira. A princípio, no entanto, o treinador dá preferência a nomes que estão na Europa: Arthur (Barcelona-ESP), Fabinho (Liverpool-ING) e Lucas Paquetá (Milan-ITA) foram os escolhidos da posição para os amistosos contra Panamá e República Tcheca.

"Meu foco total é no Palmeiras. Quero fazer bem meu trabalho aqui e, consequentemente, isso pode me dar a possibilidade de estar na seleção. Não foi desta vez, mas vou continuar trabalhando como sempre. Um dos objetivos da minha permanência era buscar uma oportunidade, e vou continuar buscando", afirma Bruno Henrique, que enxerga certo desequilíbrio na disputa entre quem joga no Brasil e quem joga no futebol europeu.

"É algo até natural, mas ao mesmo tempo há alguns jogadores que estão sendo convocados jogando no Brasil, o que demonstra a força do nosso futebol. É muito legal que a CBF esteja olhando os jogadores daqui. Quando [o Tite] leva jogadores que estão atuando aqui, também motiva os demais jogadores a desempenhar bem seu papel, nos incentiva", revela o meio-campista, que tem no goleiro Weverton um exemplo próximo de que é possível alcançar a amarelinha estando em terras nacionais.

Foto: Marcello Zambrana/AGIF (via UOL)

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