Pela primeira vez na história o Peixe foi eliminado na primeira fase da Libertadores. Foto: Ivan Storti/Santos

Pela primeira vez na história o Peixe foi eliminado na primeira fase da Libertadores. Foto: Ivan Storti/Santos

Ainda que tenha terminado a temporada 2020 como vice-campeão da Libertadores da América, não dá para dizer que garantir vaga na edição 2021 do torneio continental tenha sido positivo para o Santos. Eliminado na primeira fase da competição pela primeira vez em sua história, o Peixe foi “atrapalhado” pelo torneio e isso pode gerar graves consequências no restante do ano.

O clube da Vila Belmiro garantiu vaga na pré-Libertadores por terminar o Brasileirão passado na oitava posição – é inadmissível que o torneio que, em tese, reúne a elite do futebol no continente dê vaga ao oitavo colocado de um campeonato nacional, tal medida claramente rebaixa o nível de competitividade, mas o interesse da Conmebol não é técnico, e sim político e financeiro.

A classificação até foi comemorada pelo clube na oportunidade, afinal a equipe começou o Brasileiro com muitos apostando que disputaria a parte de baixo da tabela. Analisando friamente, a vaga não foi positiva.

Estava claro o cenário do Peixe para 2021: com gravíssimos problemas financeiros, o ano seria (e ainda será) de reconstrução, com uma nova diretoria tentando equacionar as dívidas; sem dinheiro e punido pela Fifa até o último mês de abril, estava claro também que não seria uma temporada de grandes investimentos em termos de contratações; mais do que contratar, o clube precisaria vender, e não por acaso negociou Lucas Veríssimo, Diego Pituca e Yeferson Soteldo; mais uma vez era hora de recorrer aos Meninos da Vila, revelados na base alvinegra.

Nesse contexto o clube buscou um treinador estrangeiro, com ótimas ideias, mas que claramente precisaria de tempo para trabalhar, especialmente nesse contexto complicado. Acontece que em seu segundo jogo a frente do clube, Ariel Holan já estava jogando uma decisão: no dia 9 de março, a equipe já estava iniciando sua trajetória na pré-Libertadores, enfrentando o Deportivo Lara. O treinador argentino tinha menos de uma semana a frente do clube quando já “jogava a vida” pelo torneio continental.

A participação na Libertadores obrigou o Peixe a estabelecer prioridades, já que o calendário insano do futebol brasileiro foi potencializado com as paralisações trazidas pela pandemia. Os times passaram a jogar em média a cada 48 horas. Era preciso girar o elenco. Foi o que Holan fez, a equipe, óbvio, oscilou, os resultados ruins vieram, a pressão subiu e o treinador pediu para sair.

Após passar pela pré-Libertadores, superando o Lara e o San Lorenzo, o Peixe caiu no grupo mais complicado do torneio, ao lado de Boca Juniors Barcelona de Guayaquil e The Strongest. Paralelo a isso, se via ameaçado de rebaixamento no Paulistão. E absolutamente sem tempo para treinar.

Como era de se esperar, sem uma pré-temporada decente e com uma dura sequência de jogos e viagens, surgiram lesões. Meninos de 16, 17, 18 e 19 anos pularam etapas e assumiram o protagonismo da equipe. Foi suficiente para evitar o rebaixamento no Paulista, mas não para se classificar na Libertadores.

Não dá para dizer que disputar a principal competição de clubes do continente é algo ruim. Mas nesse contexto específico em que o Santos se encontra, entrar na Libertadores não foi positivo. Pelo contrário. O torneio sul-americano atrapalhou o time que precisava de tempo e tranquilidade para fortalecer sua equipe.

A prova disso é que em três meses de temporada, já disputou 22 jogos, acumulou grave crise que quase culminou no rebaixamento, já teve três técnicos diferentes e entrou num cenário de muitas incertezas para o restante do ano.

Há muito potencial no time santista. São muitos os bons valores entre os meninos da Vila. Resta saber a partir de agora se o início conturbado e desgastante da equipe no ano não foi capaz de tirar a confiança de alguns deles.

Mais do que nunca, o Peixe precisa de seus meninos, de paz, tranquilidade e apoio. Disputar a Libertadores não foi bom, a equipe precisou queimar muitas etapas. E as consequências podem ser graves no futuro.

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